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Desenhos em volta de os passos de herberto helder

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“Obscuros somos sempre, mesmo sem pedi-lo. Grande vitória que ninguém nos poderá arrebatar. Que nem mesmo Deus, se existesse...Etc”. São frases como estas que deram origem a um grande conjunto de ilustrações em lápis de cor e acrílico de Mariana Viana que exploram 23 contos, de prosa poética, sobre “Os passos em volta” de Herberto Helder.

Como é que surge este projecto do “Desenhos em volta de os passos de Herberto Helder”?
Mariana Viana: Este projecto surge de uma tese de doutoramento em artes visuais com o título “Os passos em volta de Herberto Helder e a ilustração enquanto parte onírica” foi um trabalho em torno do livro “Os passos em volta” no sentido de perceber que tipo de imagens ou ilustrações poderiam trabalhar paralelamente com o texto.

Quais foram os textos de esta obra que escolheste?
MV: Foi a obra completa. Fui lendo o livro durante muito tempo, embora já conhecia o “Os passos em volta” há muito tempo, depois fiz um trabalho de releitura já a pensar que tipo de energética é que poderia suscitar, coloquei a obra de parte e comecei a desenhar diariamente durante dois anos, foram mais de 400 desenhos que tinham que ver com os 23 textos no seu conjunto. Só mais tarde é que comecei a pensar como é que os ia encaixar em determinado tipo de textos, ou que textos poderiam ir juntamente com os desenhos. Posteriormente, foi também feita uma proposta de livro onde as restantes ilustrações pudessem constar.

 Porquê escolheste de toda a obra de Herberto Helder logo um livro de prosa?

MV: Porque era um livro que me dizia muito e queria mesmo explorar esse tipo de energética.

O que te atraiu no livro em termos visuais?
MV: Esse lado onírico e essa dualidade entre a realidade e o sonho, o andarem nessa passagem entre um e outro. Acho que nesses textos isso é muito significativo, para mim, evoca muito esses universos.

Disseste que começaste logo a desenhar, então depois de dois anos, como é que fizeste a selecção das imagens para esses textos?
MV: Foi olhando para os desenhos, relendo os textos e tentando encaixá-los. Algumas das ilustrações estavam muito relacionadas directamente com alguns dos textos em particular, outros podiam ilustrar qualquer um. Mas, foi um trabalho em duas fases, uma primeira foi o desenho que sai muito espontaneamente e depois saber onde é que encaixam nos textos.

Há muitas ilustrações com animais.
MV: Os textos não falam assim tanto de animais.
Não?
MV: Eu acho que sim, embora não seja explícito.

Sabendo que Herberto Helder era um ilhéu de origem, houve algo de ilha neste trabalho?
MV: Quando olho para o produto final, talvez. Mas, não foi um factor importante. É muito difícil falar sobre o nosso trabalho, só no fim fiz alguma análise a mim própria e ao meu trabalho, até porque ficava muitas vezes admirada comigo mesma e depois percebia o que estava lá, mas foi mais um trabalho compulsivo e de grande envolvimento com os textos.

Depois deste trabalho todo o que sentiste? Depois de decidir tudo, quais as ilustrações para cada um dos textos e saberes que tinhas uma obra.
MV: Vazia. Tinha espurgado tudo. (risos) Foram dois anos que tinham chegado ao fim e dificilmente sairia mais nada, já tinha saído tudo o que era possível para aquele trabalho.

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