Um olhar sobre o mundo Português

Esta edição é sobre arriscar e os meus convidados tem a audácia de viver as suas vida sob as suas regras. Venha conhece-los. 

  

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Yvette Vieira

Yvette Vieira

quarta, 01 fevereiro 2017 16:54

Não sou imune ao teu charme

Os Anaquim surgem em 2010, na cidade de Coimbra, com um álbum de estreia, “ As vidas dos outros”, que os catapultou de imediato para a fama nacional, mas cujo sucesso já atravessou fronteiras graças à sua sonoridade peculiar fruto de uma fusão de sons do mundo, com um toque muito português. Este ano lançaram o seu terceiro trabalho discográfico, muito mais calmo e bucólico como o define o fundador, cantautor da banda, José Rebola.

Em termos dos Anaquim, no terceiro álbum “um dia destes” notas uma evolução em termos dos restantes dois trabalhos discográficos que já lançaram como banda?
José Rebola: Eu acho que neste álbum há sempre uma evolução e uma dinâmica muito própria, tentámos que cada disco transmita um certo sentimento e foi isso que mudou em relação os restantes dois álbums, porque “um dia destes” tem um fio condutor. O nosso primeiro trabalho discográfico era uma espécie de colecção de crónicas, o segundo era um álbum mais social, centrado mais nas problemáticas da sociedade e do eu. Este terceiro trabalho é diferente porque toca nos afectos, no amor, no desamor, no encontro e desencontro das pessoas. Portanto, é um disco mais contemplativo, mais calmo, mais bucólico, a ideia foi sempre o minimalismo das canções, um certo diminuir da quantidade de letra e da velocidade de algumas coisas, foi basicamente isso que mudou.

Este é um trabalho ainda voyeurista, porque os vossos temas focam os outros e tudo o que ocorre em volta e afirmou que este disco é mais contemplativo e bucólico.
JR: Eu acho que quando olhámos ao que esta à nossa volta e para os outros, também vemos o que há de nós nessa circunstância, na sociedade que nos rodeia e o contrário. Acho que olhar para dentro não é só olhar para dentro e olhar para fora nunca é só olhar para fora, o que acontece quando escrevo letras para o Anaquim é esta conjugação dos pontos de encontros que encontrámos entre eu e os outros, o interior e o exterior e nesse sentido acho que continua e continuará a acontecer.

Abordando as letras das músicas, acabaste de referir que estão mais contidas, mais concisas, nostaste uma evolução da tua escrita neste álbum em relação aos restantes?
JR: Quando estava a referir-me que eram mais contidas, estava a abordar a quantidade total de letras e o que é debitado por segundo. Numa canção mais reivindicativa, mais interventiva, nos queremos dizer muita coisa e muito depressa, quando se fala de amor e solidão acho que é natural haver um certo respirar, uma certa pausa e isso é o que sinto nestas canções. O que não diminui a intensidade das letras e o que elas transportam, é que não importa só o que se diz, nem como se o diz e neste álbum as coisas são ditas de uma maneira mais suave, mais pausada que vai ao encontro da natureza das mensagens que são passadas.

Há algum tema que seja a súmula de tudo isso? Que seja emblemático de “um dia destes”?
JR: Eu acho que a canção que passa mais essa mensagem e que consegue abordar quase todos os outros temas do álbum talvez seja “a estrada” e lá esta não é uma letra muito contida, é a maior de todas, mas como é uma espécie de viagem consegue abordar e ser o mote dos restantes temas do disco.

Algumas vezes os Anaquim estreiam músicas nos concertos que depois inserem nos álbuns, aconteceu o mesmo em “um dia destes”?
JR: Aconteceu com um ou dois temas, mas não mais do que isso. Até porque só no processo de gravação é que os temas sofrem uma metamorfose e acabam por ser diferentes do que tínhamos em mente. Portanto, esse apresentar as canções antes da apresentação só aconteceu uma ou duas vezes.

Em relação as melodias, vocês incorporam muitos genéros, que não são de uma sonoridade dita portuguesa, são muito díspares. Onde fostes buscar influências desde o klezmer judeu, ao bluegrass e a rembetika grego que não são musicalidades muito conhecidas do público português?
JR: É verdade, mas eu sempre ouvi muita música diferente. O Anaquim surge quando eu estava em outra banda de rock, mais virado para o punk rock e comecei a ter ideias que não se enquadravam naquele universo, então foi gravando e escrevendo. Como era uma composição tão espaçada as canções eram muito diferentes, o que não significava que não houvesse alguns pontos de contactos, através de ritmos bastantes fortes e marcados. O que acontece é o que vemos com a sonoridade de bastantes músicos que pegam na música tradicional portuguesa e mostram que ela tem um lugar no mundo, nós fazemos um processo contrário trazemos a música do mundo e provamos que ela se enquadra em Portugal. Os temas que escrevemos em português e a nossa maneira de fazer música, também podem ser em bluegrass, como com ritmos bálcanicos, ou judeus, ou gregos, pode ter isso tudo. O que pretendemos é não só mostrar que Portugal tem lugar no mundo, como também mostrar que todo o caldeirão do mundo têm lugar no nosso país e com um sentimento português.

Não ouviram já críticas nesse sentido dos ditos puristas musicais portugueses?
JR: Por acaso não acontece muito, porque o modo de estar de uma banda, não é só a melodia ou a música que fazem, são as letras, a atitude, os temas abordados, a postura e acho que nisso somos muito portugueses e vamos buscar muitas coisas portuguesas. De resto tudo acaba por ser um círculo vicioso em que todos os genéros de musicais vão beber uns nos outros, o fado tem muito contacto com a música árabe, há outros que acham que tem uma forte componente napolitana. No fundo vamos todos buscar coisas uns aos outros e adaptamó-las à nossa maneira. Nesse sentido tentámos mostrar que tudo pode ser música portuguesa, talvez não nos cânones mais tradicionais, mas não sentimos muito essa crítica.

Acham que a música portuguesa gosta de si e o público é reflexo disso? Ou ainda há um percurso por fazer?
JR: Eu acho que a música portuguesa e mais em particular a que é feita em português beneficiou de uma mudança de atitude dos média e do público em geral, em relação a si própria. Nós temos vindo a constatar nos últimos 10 anos que as pessoas abordam a música portuguesa com outros ouvidos e que já não é tão “foleira” e isso felizmente já desapareceu, ou esta bastante minimizado. Temos a noção que o público tem mais atenção as letras, uma maior abertura e um preconceito menor em relação aos projectos musicais portugueses nos palcos nacionais. Agora, o nosso país não permite um fluxo gigante de musicalidades como uma nação como os EUA, isso não acontece, infelizmente. Mas, sentimos que as bandas portuguesas tem conquistado muito público no seu mercado interno.

E a vossa projecção como banda? Notam que são mais reconhecidos fora de Coimbra?
JR: Nós temos tido a sorte de tocar, ganhar fãs e amigos em todo o lado onde vamos tocar. E notámos que essas pessoas actuam como “agentes de promoção da banda”, porque apesar de tudo ainda se vive muito desse passa-palavra e sentimos que a nossa base de apoio vai-se alargando e até mais do que isso, já tivemos a sorte de fazer uma tournée pela África Austral, fomos tocar ao Zimbábue, a Namíbia e a África do Sul e em Março vamos à Lion. Sentimos que estámos a cumprir um além-fronteiras onde a nossa música é bem aceite.

quarta, 01 fevereiro 2017 16:46

Aqueça o seu inverno com luxo

Mais tendências para este Outono-Inverno'17 que estiveram em destaque nos desfiles do Portugal Fashion.

Pedro Neto, um dos nomes a reter que saíram da secção Bloom, dos novos talentos nacionais, tem como tema da colecção a análise pessoal de uma figura feminina, Lady Godiva e os veludos foram um dos elementos chaves dos seus coordenados. Como refere o jovem designer de moda, “ esta protagonista viveu no séc. XI e foi uma referência para um quadro de John Collier. No entanto, é com este quadro que advêm as referências equestres para se fundirem com o conceito desta coleção, que pretende ilustrar uma mulher ingénua, mas simultaneamente determinada e muito forte nas suas convicções e na sua presença. Paralelamente a esta introspeção pretende-se transmitir o luxo utópico e a sumptuosidade através dos tecidos escolhidos como os veludos devoré e as lãs com acabamentos detalhados. Com a escolha do quadro de Lady Godiva, a ideia é submergir no mundo sumptuoso onde vive esta imagem com detalhes utópicos de luxo".

Outros Pedros desta feita “Pedro Pedro" destacaram um novo tipo de xadrez, que é uma das tendências deste inverno, sobre a sua colecção questionam, “uma imagem continuará a valer mil palavras quando vivemos asfixiados pelas imagens? And if the glamour is dead? Brutalismo. Desleixo. Proteção urbana. Um manifesto anti-glam. A roupa como casulo. A forma como liberdade do corpo. O corpo como interioridade. Silhuetas agigantadas, volumetrias generosas, cortes assimétricos, sobreposições de peças e bizarrias. Influência do vestuário masculino/ militar nos sobretudos e blusões. Malhas femininas de decotes generosos. Calças largas de linhas sport. Comprimentos exagerados. Materiais de agasalho e confortáveis. Lãs, feltros, acolchoados encerados e gabardines encerados que se conjugam com algodões e linhos rudes. Tricots grossos e jerseys de lã. Vichys e axadrezados marcam os motivos da coleção. Cores invernosas, terra e sóbrias. Do cinza ao beije e ao camel, passando pelo preto, caqui, verde, verdes néon e oliva".

Alexandra Moura apresenta uma colecção que se debruça sobre o masculino/feminino e também lança o debate, “género, pronome, indivíduo!? Uma reflexão sobre o impacto do feminino no masculino e vice-versa porque "em todo o indivíduo vive uma guerra misógina". A personagem e a espiritualidade de Anohni (F.K.A. Antony Hegarty), inundadas de sensibilidade, são o ponto de partida da coleção que nasceu dos seus esboços, recortes, colagens, da sua carga dramática e teatral, revelando-se de uma fragilidade que pede conforto. Os detalhes são trazidos de tempos antigos, das peças de roupa interior de ambos os géneros que se fundem para o futuro. A silhueta clássica é desconstruída e torna-se contemporânea. O peso dos materiais revela a imagem do conforto de um cobertor que protege de uma "falsa identidade". A sofisticação das texturas e padrões trazem às peças o romantismo e a plasticidade de outra época. A coleção liberta-se numa mistura de características femininas e masculinas num único ser, espírito e energia?."

A concreto de Hélder Baptista, apresenta coordenados onde "são predominantes os jacquards com figuras de animais em tons de preto e branco, com apontamentos de prata. Para simbolizar a proteção desta floresta as silhuetas são apresentadas em forma de tubo, justas, muito compridas com uma ou outra peça ampla e grossa a contrastar, mas curta. Todas elas são trabalhadas com relevos e texturas 3D, nos quais se representa a magnifica irregularidade das florestas, bem como as rendas e as suas transparências. Tudo isto é constituído por matérias-primas como lã e algodão, nos tons de preto, branco e cinza com apontamentos de bordeaux e prata que representam esta silver forest”.

quarta, 01 fevereiro 2017 16:44

A selva

É uma clássico da literatura portuguesa do aclamado Ferreira de Castro, um dos autores do neo-realismo.

“A Selva” é segundo o seu próprio autor uma epopeia assombrosa sobre a luta dos cearenses e maranhenses na floresta amazónica, mas ao terminar de ler este livro não consegui concordar com o escritor, muito pelo contrário e fui à procura de um antônimo que achava eu seria mais adequado para esta ode à miséria, exploração e martírio humano e a única palavra que consegui encontrar foi epigrama que não me soou também nada adequada, porque não traduz efizcamente o conceito de “sofrimento dos humildes”, como descreve o próprio Ferreira de Castro. Daí à minha própria descrição, uma viagem colectiva ao inferno mais profundo do Amazonas em busca de uma quimera que termina da forma mais bárbara e cruel que possam imaginar e que expõem o lado mais negro da alma humana. No Pórtico, e não epílogo, porque à minha edição é de 1957, o próprio Ferreira de Castro explica o porquê dessa sua estadia na praga verde ardente...a busca pela “lendária fortuna onde os homens se enclausuravam do mundo numa labuta de martírio para a conquista do oiro negro” e não, não estámos a falar de petróleo, ao contrário do que possam pensar, mas sim de borracha!Um produto de elevado valor comercial, ao nível internacional, no primeiro quartel do século XX, porque era usado nas rodas da maior inovação tecnológica desta época, o automóvel. O tal líquido precioso que ia tornar ricos os pobres endividados vindos de Portugal, dos vários cantos do Brasil e do mundo, mas vez disso, a selva tinha o poder de dizimar esse sonho da forma mais implacável e dolorosa possível. Não chegarei ao ponto de dizer que é totalmente auto-briográfico, mas tenho a certeza que o Alberto da nossa história vai “beber” muita da própria experiência pessoal de Ferreira de Castro, como emigrante, quando também ele procurou fazer fortuna no seringal do Paraíso, nas margens do rio Madeira e pelos vistos também não a encontrou. Em vez disso, trouxe a experiência vívida de uma existência precária e quase maldita de uma selva que não o matou por sorte, mas que assombrou a sua vida como um pesadelo. Não é uma leitura “simpática”, dígamos assim, mas é uma pérola literária de um autor, por vezes, esquecido, por isso recomendo-a. Boa leitura.

quarta, 01 fevereiro 2017 16:18

Veados voltam à serra da lousã

Como em outros países europeus, o nosso país tem experimentado um aumento no número e distribuição de ungulados selvagens nas últimas décadas.

Actualmente cerca de três mil veados-vermelhos (cervus elaphus) no centro de Portugal tudo graças ao programa de reintrodução da espécie, sendo que um dos mais emblemáticos aconteceu na Serra da Lousã, segundo um estudo intitulado de “the success of species reintroductions: a case study of red deer in Portugal two decades after reintroduction” de Ana Valente, Jorge Valente, Carlos Fonseca e Rita Torres.

A espécie que tinha deixado de ser avistada há quase século e meio no território nacional, devido principalmente à pressão da caça e fragmentação e destruição do habitat, foi alvo do plano global de gestão para a população de ungulados selvagens, que visou aumentar e restaurar a biodiversidade herbívora da região, bem como, teve a finalidade de permitir no futuro a caça controlada.
O projecto científico, que teve lugar entre 1995 e 1999, promovido pelo Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca, em parceria com a Universidade de Aveiro, colocou um total de 96 indivíduos, 25 machos, 56 fêmeas e 15 cervos, de outras zonas do sul de Portugal, nomeadamente, das zonas de caça em Vila Viçosa e Herdade da Contenda, numa área com o total de 92.053ha, entre Figueiró dos Vinhos, Penela, Miranda do Corvo, Góis, Castanheira de Pêra e Pampilhosa da Serra..

Entre Março de 2013 a Junho de 2014, os autores do estudo referem que “foram contados grupos de veado-vermelho em parcelas de amostragem colocadas ao longo de um total de 61 transectos distribuídos aleatoriamente, cada um com 1000m de comprimento, para estimar a abundância destes ungulados selvagens usando o método de amostragem de distância baseado em paletes (grupos com mais do que seis animais), para estimar a corrente densidade e distribuição de populações desta espécie na Serra da Lousã, duas décadas após sua reintrodução. Os resultados demonstram que, o projeto de reintrodução de veados-vermelhos nas montanhas da Lousã foi um sucesso, à medida que a população aumentava em número e se expandia para novos territórios".

Outra das conclusões realça que “políticas de gestão apropriadas devem beneficiar das informações geradas a partir desses estudos e alcançar um equilíbrio entre os diferentes interesses envolvidos, com uma compreensão abrangente da dinâmica populacional. Considerando o potencial ecológico e social do veado-vermelho, os futuros programas de monitoramento devem continuar a ser desenvolvidos, para dar conta de possíveis ameaças, bem como para identificar e minimizar possíveis situações de conflito".

http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/21513732.2016.1277265

sexta, 13 janeiro 2017 20:23

O orquestrofone

Trata-se de um trabalho em CD com direcção de Teresa Pais, directora do museu da Quinta das Cruzes e coordenação do musicólogo Vítor Sardinha e inclui um conjunto de 27 temas musicais daquele instrumento musical mecânico.

O Orquestrofone número de série 3151, da fábrica Limonaire Frères, é demonstrativo da relação estreita entre a história da ciência, da arte e do entretenimento. Tratavam-se de instrumentos que estiveram desde sempre vocacionados para a exibição pública em amplos espaços, como cinemas, feiras, salões de baile e tiveram uma manufactura largamente divulgada na Europa a partir de finais do século XIX e início do XX.
A sua complexidade mecânica, bem como a sua potência sonora, encobertas por uma enorme estrutura em madeira, com fachada sumptuosamente esculpida e policromada, justificaram o seu uso como instrumento de exploração comercial da música, animando bailes e festas ao ritmo de polkas, valsas, entre outras músicas, constituindo por si só, a atracção principal.
Fabricados, entre outros, pela firma Limonaire Frères, fundada em Paris em 1840, os orquestrofones permitiam uma execução musical inalterável, podendo substituir vantajosamente os músicos, factor bastante publicitado pelas firmas construtoras na época. A curta popularidade dos Orquestrofones chegou ao fim ainda no 1.º quartel do século XX, com a mudança dos hábitos sociais e com o aparecimento do fonógrafo, que alterou profundamente o modo como o público consumia música.

O instrumento mecanizado que integra as colecções do Museu Quinta das Cruzes é constituído por um corpo principal em madeira, profusamente decorado, e possui na face posterior um sistema mecânico de leitura de cartões perfurados, accionável por manivela com adaptação a motor eléctrico, que emite o sinal para os diversos instrumentos, permitindo a reprodução da música. Esta é hoje uma peça de grande interesse patrimonial, não só por constituir uma raridade no mundo dos instrumentos musicais mecânicos, como também por documentar uma época exuberante, presente nas suas decorações neo-barrocas, nos seus bonecos mecânicos, autómatos, e nas suas músicas arrancadas aos salões e teatros.
Este complexo instrumento, comprado pelo 1º visconde de Cacongo, João José Rodrigues Leitão, na Exposição Universal de Paris, em 1900, encontrava-se na Quinta de Nossa Senhora Mãe dos Homens, quando foi adquirido em 1978 pelo Governo Regional, por iniciativa da direcção do museu, ao herdeiro da família, senhor Ricardo Nascimento Jardim. Com esta aquisição foram também entregues diversos cartões de músicas que incluem valsas, polkas, rapsódias, marchas militares, hinos, bem como outras músicas clássicas e populares, perfazendo um total de 167 exemplares, destacando-se algumas pelo seu carácter inédito, como a versão d’“A Portuguesa” de Alfredo Keil de 1904, diversos Hymnos dedicados aos reis D. Carlos e D. Amélia, bem como os Hymnos Português (1900), Nacional (1904) e da Ilha da Madeira (1905).
O Orquestrofone, ainda hoje, cumpre com a sua função original de instrumento de diversão e divulgação musical, exposto ao público nos jardins do Museu Quinta das Cruzes.

http://mqc.gov-madeira.pt/

sexta, 13 janeiro 2017 20:18

Moda em alta, temperatura em baixa

Venha conhecer algumas das tendências que marcam esta época de baixas temperaturas.

Para este outono-inverno 2016-17 nada melhor para aquecer o corpo de uma forma muto fashion temos as capas, apresentadas na colecção dos Storytaylors, no Portugal Fashion sob, o lema ex-contos de fadas, como eles próprios referem, “quem disse que os contos têm que ser sempre de fadas, e ter todos bruxas, príncipes e princesas? Quem disse que os contos têm que começar com "era uma vez” e passar-se numa época remota e num local distante? Quem disse que a vida é ditada a uma dimensão? Quem disse que as estações só duram três meses. Subo as escadas para a Caminhada da Viúva Branca. Gosto deste ritual…” JD é contrabandista de criatividade. E é o mote de "The White Widow’s Walk”, o primeiro capítulo da história Alextimia.
Começamos em New Bedford USA pelos olhos de JD, na varanda que contorna todo o primeiro andar da casa que pertenceu a um capitão de baleeiros português. A estas varandas chama-se "Widow’s Walk – a caminhada da viúva”, por terem sido o posto de vigia das mulheres de marinheiros a aguardar o regresso dos maridos, que às vezes o mar não devolvia. Abrigado por um grande agasalho com capuz, JD olha para o céu e o mar, e pensa na viagem que vai fazer no dia seguinte rumo a Portugal; a sua mente tece uma espiral de imagens que vai trocar no seu local de destino. Qualquer coisa lhe sugere tudo, desde a vista que observa, ao livro que está a ler – "A Divina Comédia” de Dante. Neste despontar de primavera, falamo-vos de países onde a imaginação passou a ser taxada por oposição a outros onde criar ainda é livre. Falamo-vos de um tempo em que o ser humano oscila ao longo da sua vida entre ser homem e ser mulher. Falamo-vos de JD, um híper imaginativo que aprende a sentir através da partilha da sua criatividade e das emoções que desperta nos outros. Esse vício leva-o a trocar as suas sinfonias de imagens mentais por emoções, com quem não pode criar as suas próprias imagens sem pagar uma taxa. "E é assim que me torno contrabandista de criatividade”. E falamo-vos de moda e de peças de vestuário, de formas inconvencionais de criá-las e de construir visuais, de transformabilidade, de liberdade criativa e interpretativa, de emoções, de expressão e partilha. Propomos padrões e materiais que podem despertar uma multiplicidade de ideias e sensações. Propomos sobreposições de camadas que transformam a silhueta. Lãs, o burel da Burel Factory, pêlos, veludos, cetim, georgette, algodão, fibra. Texturas, cortes e motivos aplicados que sugerem conchas, espirais e escamas. Matérias-primas tradicionais portuguesas e materiais e acabamentos tecnológicos.

Os visuais são acessorizados com três modelos de sapatos Dkode personalizados especialmente para a coleção e por óculos Paulino Spectacles. Quanto às cores, os brancos de luz, de sonho e de gelo, e os pretos do desconhecido, do mistério, da proteção, no paradoxo de serem todas as cores e simultaneamente nenhuma, cinzas, azuis, reflexos molhados, motivos e símbolos delicados. Palavras-chave e express? oceano/céu/terra; imaginação/emoções; viagem/fantasia; sobreposições; sonhar/sentir; arte e ciência de mãos dadas; raciocínio/intuição; desafiar a convenção; contrabandista/mistério; delicadeza/força; descobrir(-se). Propomos hoje estas peças para amanhã e para depois, e depois, e depois. Sem limites! Desafiamo-vos a acompanhar-nos nesta viagem e a deixarem-se entusiasmar!

Já o “Pé de chumbo” aprensenta uma série de coordenados lindíssimos em lã numa "mistura entre jogos grossos de fios de lã e a delicadeza de rendilhados finos e transparentes, com contrastes de cor entre rosas e beges suaves até aos cinzas e pretos com pormenores de vermelho. A coleção Pé de Chumbo para o inverno 2016/17 tem uma leve inspiração étnica. As franjas e as cores em patchwork levam-nos a outras culturas. É uma mistura entre o rude e o delicado, uma mistura de dois sentimentos, dois estados. Estas propostas são diferenciadoras na medida em que o próprio tecido é desenvolvido pela marca através de um processo criado e aperfeiçoado conforme as coleções, quase manual na fabricação dos tecidos. Baseadas em técnicas artesanais, as peças são desenhadas e construídas uma a uma e fio a fio quase sem costuras, numa mistura de tecelagem e tricô que lhe confere um aspeto único e exclusivo. Esta coleção é o reflexo do principal conceito e motivo distintivo da marca Pé de Chumbo: as texturas".

Os brilhos e plissados marcaram a coleção de Alves/Gonçalves que “representa vários confrontos: oversize vs longilíneo, dialeto feminino vs masculino, simplicidade vs austeridade vs urbano, ordem vs desordem e baço vs brilho. Este é um trabalho onde é possível observar a leveza de matérias mais etéreas, conjugadas com outras mais espessas e de toque quente e macio. Detalhes técnicos nos acabamentos, fibras naturais vs fibras com superfícies artificiais, películas foil, all over, verniz, iridescente,. sobre veludos, rendas, crepes, e lãs. Plissados e estampados de inspiração nos tapetes persas. Os tons em evidência são preto, cinza, vermelho e azul profundo. Um look feminino, íntimo e irreverente, mas interpretando os novos códigos dos tempos de agora. Neste processo o clássico serviu de inspiração para a proposta, tornando-a mais emotiva e moderna".

sexta, 13 janeiro 2017 20:16

Borda d'água

O almanaque mais vendido e antigo de Portugal.

No segundo dia de cada ano que começava o meu avô materno tinha um ritual que se repetia escrupulosamente e como ele havia milhares pessoas que se juntavam nesta massa de fiéis anónimos, saia de casa de propósito para comprar um exemplar do Borda d'água. Trata-se de uma pequena publicação com o tipo de repertório útil para toda a gente como publicitam e bem na sua capa e ainda, contendo todos os dados astronômicos e religiosos e muitas indicações úteis de interesse geral. Mas, o que tem de tão especial este almanaque que mais parece um folhetim? Exactamente o que afirmam, informações preciosas para alguém como o meu avô, agricultor de profissão, que necessitava de saber as fases da lua para determinar o melhor mês para a sementeira de determinadas plantas e a melhor época para as podas das árvores de fruto e creiam-me que resultava sempre e ainda deve funcionar, porque o Borda d'água continua a ser publicado no mesmo formato simples e despretensioso há 88 anos, portanto alguma coisa devem estar a fazer bem.
Eu pessoalmente chamou-lhe a bíblia do agricultor por esse motivo, era a única publicação que via o meu avô consultar religiosamente todos os anos da vida que lhe conheci...Imaginem uma versão moderna de um Van Gogh, algo tão inusitado que parecia demasiado incrível para ser verdade, um homem de chápeu e roupas de trabalho salpicadas de manchas castanhas profundamente absorto na leitura desse pequeno folheto, no meio de um terreno pronto para cultivar, enquanto se apoiava na sua enxada. Era algo digno de se ver, o cenário campestre mudando de tonalidades e formatos consoante as sementeiras iam brotando e da terra surgiam feijões, o milho, o trigo, as batatas, as cebolas, os tomates e nada, mas mesmo nada faltava em casa.
Mas não creia que este pequeno compêndio de conselhos úteis serve apenas para os chamados “jardineiros do ambiente”, qualquer pessoa que queira começar a sua pequena horta deve adquirir o seu exemplar anual, porque não só indica as luas, como também o que deve plantar em cada mês do ano, desde os vegetais às flores e é muito completo e de fácil de leitura.
Outra característica muito engraçada deste almanaque são as suas previsões astrológicas para quem aprecia esse tipo de informações, bem como estão assinalados os feriados do ano todo, religiosos ou não e os dias em que se celebram determinadas efémerides, tais como, o dia do ambiente, ou da criança. E como se não bastasse possui conselhos práticos para a vida e anedotas. Como vêem existe um manancial de informações para todo o tipo de públicos, daí a sua popularidade ininterrupta. Eu mantenho a tradição e compro o meu exemplar, não porque me dedique à agricultura, mas pelo simples prazer de ler este pequeno tesourinho secular a preto e branco que se mantém basicamente na mesma, mas para quê melhorar algo que sempre resulta? Boa leitura.

sexta, 13 janeiro 2017 20:02

Animar'12

Este ano, a 12ª edição da Animar propõe uma nova abordagem ao cinema de animação, partindo de um tema central, a música, nomeadamente dos videoclipes. A exposição consta da transformação dos elementos constitutivos dos filmes de animação em instalações interativas, visando a aprendizagem lúdica dos processos utilizados de produção.

As animações passam do ecrã para as diferentes salas da galeria, onde os visitantes poderão interagir de diversas formas com diversos dispositivos relacionados com os videoclipes: "Erva-de-Cheiro", "Quente e Frio" e "A Cor da Rosa" de Alice Guimarães para a música de Capicua e Pedro Geraldes; "É Preciso que eu Diminua" de Pedro Serrazina para uma canção de Samuel Úria; "Cinegirasol" de Bruno Caetano e Rui Telmo Romão para um tema de Os Azeitonas; e "Faz Bem Falar de Amor" de Jorge Ribeiro para a música da banda Quinta do Bill.

À parte dos videoclipes, a curta-metragem "Estilhaços", de José Miguel Ribeiro, será também objeto de exposição. Na sala dedicada ao filme, os visitantes poderão ter uma experiência interativa com base nos sons da animação.

No percurso pela Solar – Galeria de Arte Cinemática, os visitantes são convidados a entrar no universo destas histórias através de atividades e experiências que vão permitir, por exemplo, entrar no cenário da vila alentejana de "Cinegirasol"; colocar em prática a mensagem ecológica de "Mão Verde" numa estufa de plantas instalada na galeria; criar novas versões do videoclipe dos Quinta do Bill; experimentar brinquedos óticos ou criar o próprio filme de animação.

"Quente e frio" 

É preciso que eu diminua

Cinegirasol

Faz bem falar de amor

 

 

sexta, 13 janeiro 2017 19:49

Mais natureza para o tejo internacional

Campanha de Crowdfunding pretende extender zona do Tejo internacional em cerca de 680 hectares de floresta auctótone e fauna em perigo de extinção.

Há 30 anos a Quercus efectuou uma campanha pioneira no movimento associativo ambientalista em Portugal para adquirir terrenos para a conservação da natureza na zona do Tejo internacional. A iniciativa teve como objetivo proteger a fauna e flora em perigo nesta área, de forma a evitar que a floresta autóctone e fauna ameaçada fosse destruída pelas plantações de eucaliptos e abates ilegais. Na altura conseguiram-se angariar verbas para adquirir 600 ha, que ao longo dos últimos 30 anos deram origem a várias reservas que têm sido intervencionadas para potenciar a recuperação da biodiversidade. Graças a estes esforços espécies como o abutre– preto e a águia-imperial Ibérica, voltaram a nidificar em Portugal, habitats prioritários como os tamujais e diversas espécies de flora ameaçada como o lírio português têm recuperado nessas áreas.
A nova campanha de crowdfunding pretende alargar uma dessas reservas em mais 80 ha, numa área que limita uma outra propriedade onde a Quercus já possui 430ha. O novo terreno ira permitir a recuperação de mais 800 metros de margens da Ribeira do Marmelal, um curso de água com habitats prioritários de conservação como os tamujais e freixiais e com presença de espécies como o cágado de carapaça estriada e a boga portuguesa. Esta aquisição vai permitir também conservar mais 40ha de floresta de montado de sobro e 20ha de floresta de Azinhal onde habitam várias centenas de outras espécies, algumas das quais em perigo de extinção.
Com a adquisição desta área com mais de 680ha, a Quercurs vai poder continuar a proteger os valores naturais, a fomentar o conhecimento e a proteção da biodiversidade. E ainda, promover ações de educação e sensibilização ambiental, turismo de natureza, ações de reflorestação e recuperação de linhas de água, um alimentador de abutres, remoção de espécies exóticas invasoras, devoluções à natureza de espécimes recuperados, entre muitas outras iniciativas. Um trabalho que tem sido feito em parceira e sinergicamente com outros actores locais, moradores associações locais, municípios, empresas e autoridades publicas. Por isso, ajude no que puder para a conservação dum ecossistema essencial para a vida e fauna do território nacional.

http://ppl.com.pt/pt/causas/mais-espaco-natureza

terça, 20 dezembro 2016 14:47

A nova fronteira dos soutiens

É mais um daqueles textos que abordam um tema delicado e ao mesmo tempo, nem por isso.

Recentemente tive a necessidade de adquirir novos suportes para os meus seios e ao contrário do que possam pensar não foi das melhores experiências que já tive, foi um drama de proporções épicas. Parece exagerado, mas não, verifiquei que embora eu tenha muitas ganas de comprar peças de lingerie, essas peças íntimas à venda em muitas das lojas de marcas conceituadas não possuem a copa e tamanho que possuo para a minha idade, porque como me fizeram o favor de sugerir as jovens vendedoras de tamanho 34 copa B, quando se tem um busto avantajado para além do D pelos vistos não há salvação possível, a solução passa aparentemente por aquelas peças que se vêem à venda nas feiras? Sabem aqueles soutiens das avózinhas que parecem autênticos torpedos dos anos 50 prontos a disparar? Fizeram-me sentir quase culpada por não me encaixar nos padrões dito “normais” e no estilo de soutiens que as portuguesas apreciam, porque pelos vistos não me encaixo no vasto universo feminino nacional com peitos pequenos (e sim, estou a ser irónica!) e que gosta de peças básicas, nas cores branco, preto ou beige. Deixo, contudo, uma ressalva, não tenho nada contra os gostos das portuguesas em matéria de lingerie e corseterie, eu também possuo esse tipo de peças, mas desejo mais do que o simples conforto, quero sentir-me sexy na minha própria pele.
E esta história poderia ter ficado por aqui, mas não me deixei abater e decidi que iria encontrar os soutiens com que sonhava, por isso, foi pesquisar na internet nesse sentido e sabem o que encontrei? Um artigo muito elucidativo de uma jovem blogger americana que abordava vários sites onde as mulheres mais avantajadas podem encontrar o que procuram a preços convidativos na chamada nova fronteira do desenvolvimento dos soutiens, parafraseando uma das suas frases, a Polónia, o país onde mulheres destemidas fabricam peças íntimas e sexys em materiais como seda, renda e em todas as tonalidades, padrões e tamanhos possíves e imaginários e ainda, para todas as idades, pasme-se! E as modelos? São mulheres como eu, como provavelmente você que esta a ler este texto e posso dizer que me senti vingada, não só por ter encontrado o que procurava, mas por visualizar imagens com modelos lindas com corpos como o meu. Em baixo deixo vários links e um conselho de amiga não se deixe desencorajar pelos zlotis, a moeda polaca, ou pelos tamanhos que são completamente diferentes, leia com atenção as tabela de conversão onde se demonstra como efectuar as medidas com precisão e veja o que se adequa mais ao seu corpo e se não encontrar o que pretende a Ewa Michalak pelo menos faz por encomenda. Muitas das páginas estão em inglês, mas podem ser traduzidas, enviam para Portugal e em média a encomenda demora cerca de duas semanas para chegar. Deixo também, uma sugestão para as mamás grávidas que também se querem sentir cómodas e sexys.

http://www.ewa-michalak.pl/main-eng.html
https://samanta.eu/
http://www.brastop.com/all-bras-lingerie
http://www.suzandra.pt/

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