Um olhar sobre o mundo Português

A edição desta semana dá voz  aos insurrectos, os que saem fora da norma e seguem a sua própria voz, como os meus convidados. 

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Yvette Vieira

Yvette Vieira

terça, 09 maio 2017 17:26

Festival de telheiras comemora 10 anos

Esta é a sua 8ª edição oficial, que se realiza de 10 a 21 de maio pelos diversos espaços públicos e culturais do bairro, numa parceria local de Telheiras e a Junta de Freguesia do Lumiar, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa.

O Festival de Telheiras(FesTel) continua a ser um marco único em Lisboa pelos melhores motivos, não só pela envolvência comunitária, como pelo número de entidades, actores locais envolvidos e pela filosofia de reforço do sentimento de bairro e da sua identidade. O Festel volta a marcar a diferença pelo equilíbrio e pluralidade das actividades que oferece, nesta oitava edição, estão previstas mais de 40 acções promovidas pelo comércio local, pessoas do bairro, grupos de fora e instituições interessadas em participar e dar mais vida e cultura a Telheiras.

Não obstante de ser centrado neste bairro da cidade de Lisboa, é pensado para toda a cidade e continua a apresentar uma programação eclética e dedicada a todos os públicos. Durante a semana as actividades programadas disseminam-se pelos diferentes espaços públicos e espaços culturais do bairro que acolhem workshops de gastronomia e saúde, debates temáticos, a “hora do conto” para crianças e pais, teatro, iniciativas de rastreios de saúde e atividades desportivas e muito mais. No cinema, destaca-se a exibição do filme “Dheepan” sobre a integração de refugiados que foi Palma de Ouro em 2015.

No fim-de-semana, dias 19, 20 e 21 de Maio, a festa concentra-se no jardim de Telheiras, junto à saída do Metro. Os dias são dedicados ao convívio e lazer com a Feira da Tralha, onde se promove a venda de artesanto e artigos em 2ª mão e do comércio local. Haverá também actividades holísticas e de desporto e um espaço dedicado às crianças com insufláveis e muitas surpresas. Pela noite usufrui-se dos petiscos acompanhados de concertos que começam pelas 19h00.

A música estará em destaque este ano, com a apresentação de projetos que vão desde as bandas do bairro, até a nomes mais consagrados no panorama nacional.

Produtos Sonoros e Nuno Sanches – Projecto de exploração sonora-13/05 – 19:00.
Waste & The Candyman – O rock clássico-17/05 - 21:30.
Torga- Exploração de música tradicional- 18/05 - 21:30.
Estraca -Hip hop do bairro- 19/05 - 19:00.
Minta & The Brook Trout- Apresenta o seu novo EP “Row” -19/05 - 21:00
Melech Mechaya- Apresentam o seu novo disco "Aurora" -20/05 - 22:00
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O Festival de Telheiras surgiu em 2007 e cresceu do empenho e dinamismo de um grupo de jovens moradores que assumiram o compromisso de alavancar este movimento de aproximação de realidades, de pessoas e de serviços. O objectivo do FesTel é apresenta-se como uma forma de impulsionar a participação ativa da comunidade, estimulando um sentimento de pertença e de identidade, refortalecendo os laços de vizinhança.

terça, 09 maio 2017 17:19

Pinceladas de luxo

António Soares é considerado um dos melhores ilustradores de moda ao nível europeu tendo começado por ilustrar designers nacionais. Actualmente é muito requisitado globalmente pelas grandes marcas de luxo e revistas da especialidade que encomendam as suas requintadas e glamorosas ilustrações.

Sei que é licenciado em pintura pela Escola de Belas Artes do Porto, mas como é que a ilustração de moda entra na sua vida?
António Soares: A oportunidade surgiu há uns anos depois de terminar o curso dava aulas de pintura num atelier e técnicas de ilustração do CITEX, a actual Modatex e aí decido começar a ilustrar designers de moda portugueses.

Mas, era ao nível particular ou não?
AS: sim, era apenas um escape, a oportunidade surgiu após um convite do Nuno Baltazar para ilustrar a sua colecção para à Moda Lisboa. Depois começaram a surgir encomendas.

Entretanto, deixou a pintura?
AS: Continuei com o atelier, mas neste momento dedico-me exclusivamente à ilustração de moda.

Mas, há dois tipos de ilustrações pelo que pude notar.

AS: Sim, tenho desenhos que são encomendas dos meus clientes e aí as ilustrações reflectem as colecções e depois tenho os meus projectos pessoais que apresento na minha página do Tumblr.

Notei que são mulheres muito etéreas, mas loiras.
AS: Loiras? Eu nem acho muito isso, até porque as mulheres que pinto mais são africanas e asiáticas e tenho alguns homens.

Sim, de facto notei isso, mas são ilustrações mais recentes. Também se nota que utiliza aguarela em detrimento do pastel, ou outras tintas, porquê?
AS: Sim, porque é fácil de transportar, eu consigo desenhar em qualquer lado e não apenas no meu atelier. Há outro aspecto, que é facto de ser mais fácil de utilizar do que o pastel, uma ilustração em aguarela leva menos tempo e tem outro efeito.

Mas, demora quanto tempo efectuar uma das suas ilustrações?
AS: Depende, uma única ilustração pode demorar uma noite inteira, ou apenas uma hora, depende do meu estado de espírito, do tipo de detalhes que é necessário inserir e se é uma encomenda de corpo inteiro ou não.

Mas, há uma distinção?
AS: Sim, tenho dois tipos de projectos, o pessoal, onde desenho consoante à minha inspiração e gosto pessoal e as encomendas dos clientes. As ilustrações que são encomendadas têm prioridade.

Abordemos as cores, noto que usa uma palete muito restrita, é basicamente o preto e cor de pele e em outros há uma explosão de tonalidades.
AS: Nos projectos pessoais uso muito o preto, é verdade. Gosto muito do preto.
E porquê?
AS: Não sei.

E nos restantes?
AS: Os restantes que tem mais cor são as encomendas. Eu ilustro consoante as especificações dos clientes, são eles que decidem quais as peças que fazem parte da ilustração. Quando são projectos privados, essa escolha é apenas minha.

Segundo uma revista de moda espanhola, Vanidad, o António é um dos melhores dez ilustradores da Europa.
AS: Isso nem sabia, mas tem pouco peso. Este é um mundo muito competitivo ao nível profissional, porque existem muitas pessoas talentosas nesta área e eu tento manter sempre um nível elevado de exigência em relação aos meus trabalhos para continuar a receber encomendas. Neste momento é a minha profissão, vivo exclusivamente das ilustrações de moda.

http://antoniosoares.tumblr.com/

terça, 09 maio 2017 17:16

O novíssimo testamento

É da autoria do escritor Mário Lúcio Sousa que granjeou o prémio literário Carlos Oliveira de 2009.

Decidi ler este livro pela premissa fantástica e inusitada de um novíssimo testamento anunciado numa pequena ilha africana, reencarnado não por um homem Deus, mas sim, sob a forma humana de uma simples mulher, crente, beata e negra. E ao lançar-me à descoberta desta estória tão de divertida, como de verossímil, não pude deixar de notar não só a riqueza do vocabulário, como a sua clara sonoridade. E ainda não tinha chegado ao final da leitura, intrigada pela sua musicalidade, decidi investigar um pouco sobre o autor desta obra que confesso desconhecia e quando verifiquei na pequena biografia na lapela da contracapa que era multinstrumentista e já tinha trabalhado com os grandes nomes da música africana, tudo fez perfeito sentido. O compasso da narrativa obedece a um certo ritmo, é uma espécie de melodia silábica que impõe uma determinada velocidade que se reflecte na forma como lemos esta obra, não quer dizer que se leia a correr, não é nada disso, mas a melhor forma de o descrever é usando uma metáfora… é como um gelado que se saboreia com deleite antes que o sol o derreta completamente. E rimei sem querer, juro, fruto da inspiração que surgiu pela leitura deste livro. Outro dos aspectos que me atraíram neste “novíssimo testamento” foi a sua efabulação, uma vertente literária de que muito aprecio e que é de facto muito recorrente nos autores africanos. Depois trata-se de um livro muito bem-humorado, se não for um fanático religioso pelo menos, poderá deliciar-se com o seu tom satírico e até sarcástico que como descreve no final há-de ser uma sagrada escritura para muitos leitores. Bem-haja.

terça, 09 maio 2017 17:09

Linhas, das ideias aos sentidos

 

Dina Pimenta aborda nesta exposição uma reflexão sobre o espaço da Casa da Cultura de Santa Cruz, de onde surgiu um conjunto de fragmentos de ideias que despertaram os seus sentidos para as várias visões e metáforas que a linha produz. Uma mostra patente até o dia 16 de junho.

Porquê o título? E qual foi o fio condutor para esta exposição?
Dina Pimenta: É um título transversal a tudo o que é área das sensibilidades, poderia sair até das artes e podíamos até viajar para outras áreas como da poesia, até na literatura e na música as coisas funcionam num modelo próximo deste. Mas, aqui eu trouxe uma intenção, é um projecto em aberto para mim também e para quem vêm visitar, porque sendo artista plástica questiono-me sempre sobre qualquer coisa, o que estou a fazer e em que lugar? O que eu sou? O que me move para fazer as coisas? Portanto, esse é o lugar de equação, de meditação, de gerir ideias, ou um espaço até sons e sentimentos. Quando penso nas ideias e nos sentidos não os estou a equacionar apenas integralmente, eu sinto até que tenho um sexto sentido, não literalmente, mas vou tentando. Naturalmente os artistas plásticos usam a visão, aquilo que vêem, mas eu acho que não é só por aí. Somos educados desde que nascemos a interpretar o que vemos, ao longo da nossa vida, em nossa volta, depois de sentirmos e vermos tudo em redor, somos pessoas visuais, estámos de olhos fechados, reflectimos sobre as coisas e não as vemos. Por exemplo, eu sou professora, na aula de geometria eu ponho os meus alunos a olhar para os espaços, é um sistema de representação que é rigoroso, vai para o papel onde há uma equação e tem um resultado matemático. Ao mesmo tempo estou a fazer um trabalho palpável, completamente subjectivo de um ponto transcrever uma recta, depois deslocá-la até um plano, criar uma superfície e ainda não estámos a estar a falar em artes plásticas visuais, estámos a falar de uma disciplina que é rigorosa do método científico e tem um sistema de representação. Como sou formada em artes, em pintura e escultura, misturo as duas coisas e trago sempre estas duas vertentes atrás de mim. Na minha área profissional acabei por ser professora foi um enriquecimento, mas sempre deixando espaço para a minha arte e o que queria fazer. E pensei que tinha de estar lado a lado, tenho estado sempre disponível para as duas coisas e cria-se o espaço para o fazer. Não podemos deixar de parte o que ensinámos, ou aprendemos e há sempre coisas que ficam connosco, apreendemos uma mensagem visual e passámos para um entendimento que é a expressão plástica e o que é a área da pintura, desde o aspecto técnico ao simbolismo e vamos adquirindo esses entendimentos porque fazem parte do nosso crescimento, o amadurecimento das ideias cresce dentro de nós. Quando venho para esta exposição trago uma vida que já vivi, não esta totalmente equacionada, há novas ideias e estes trabalhos mostram por onde as ideias passam onde elas me levam. Também trago temáticas que gosto que o público interprete e as pessoas que fruírem pelo espaço passem por essas experiências, cada um à sua medida, com a sua escala, porque uns precisam mais de tempo do que outros, há pessoas que veem logo e outros reconhecem aos poucos. Passo ainda por uma metáfora onde passo pelas formas e as linhas pelas quais me expresso, porque já me exprimi de outra maneira, passei por um momento onde pintava com mais cores, outro período em que não havia cor porque entendia que nas superfícies estavam as cores todas, no preto estava o vazio e no branco a cor, eu vejo esse colorido.

Em termos temporais, falou que são diversas fases, estámos a falar de quê?
DP: Esta exposição é apenas um projecto idealizado para este espaço.

Durante quanto tempo?
DP: Três meses.

Sempre com a linha como pano de fundo?
DP: Não preocupada com a linha que se vê, mas sim a linha das ideias que me fazem mover até chegar a outros resultados. Dígamos que é estructurante, um pouco até emocional, depois há o desenho que é a minha linha para expressar o que quero fazer agora e brinco com isso. Há uma expressão, que menciono e contextualiza o trabalho. Aborda também os sentidos.

Nestes trabalhos há escultura.
DP: Sim, trabalhos de escultura dígamos que modelar, que é feito com peças que estiveram ligadas à minha área profissional. Ao longo do tempo temos que registrar muito do que fazemos, cada turma tem um dossier, documentos que registem os trabalhos e sou obrigada a fazer uma avaliação que é algo difícil, mas sou obrigada a guardá-los, porque rabisco muito nelas. E nesse lugar de guardar as coisas criei uma instalação que chamo de “visita mutante”, é um presente que dou aos visitantes, desejo que seja reconhecido por algumas pessoas e que estas me questionem para percebe-la um pouco. Depois tem uma outra escultura que desenhei em 2010, como objecto para este local. Mas, quando chego a este espaço, a sua área circundante e questionando-me sobre isso, eu vou repescar um assunto que me inquietava e que me representa que chamo de “forte saudade”.

Abordando o desenho, disse que foi sempre desenhando ao longo da sua vida, que tipo de linhas utilizou para esta exposição? Foi pintando com lápis?
DP: Raramente uso lápis. Desenho com tinta, ou com uma caneta que desliza rápido, desabituei-me da grafite e usei-a durante muito tempo e estou orgulhosas disso. Agora uso a caneta com tom da grafite, mas por norma, desenho directamente a tinta.

E há uma linha unificadora de toda esta exposição?
DP: Não sei se trago o potencial que a linha tem, dígamos que é corpo, substância e tem expressividade, eu trago um pouco isso e se tivesse desenvolvido esse potencial seria ainda melhor, mas eu sempre me questiono se poderia fazer mais qualquer coisa.

Algum destes desenhos são emblemáticos de todo esse universo que teve em mente para esta exposição?
DP: Eu trago uma temática mais na minha área profissional, é sobre pessoas que cresceram, que me acompanharam e que são agora meus iguais, são meus pares. São grandes figuras, poetas, são maiores do que eu na forma de pensar e orgulho-me disso. Depois há pessoas que se cruzaram comigo nesta linha da vida também e imensas pessoas que se calhar me entendem ou nem por isso. Eu represento tudo isso por metáforas e se calhar usei tudo isso para representar pessoas e coisas.

E fica a interpretação para quem “lê” estas obras?
DP: Eu deixo isso ao critério das pessoas, haverá uma que acharão piada, mas espero que não se sintam magoadas, eu gosto de rir, brincar e não o faço para os magoar. O potencial que a minha área me permite e o potencial que daí surge, o artista tem de ser livre e ter essa liberdade. Pode estar a ouvir ou estar muito agarrado as suas preocupações de quem gosta e não gosta, se é bom ou mau, mas se andarmos condicionados não produzimos nada. Ficámos amarrados e isso não se deve reflectir num trabalho nosso, penso que as metáforas são feitas com muito carinho.

O artista não pode ser limitado? Hoje vivemos numa sociedade do politicamente correcto que abrange quase todas as áreas e não apenas a arte.
DP: Eu sinceramente não pretendo ofender ninguém, não me sinto à vontade para magoar as pessoas, evito, mas houve fases em que senti, como outros ser portador de vozes, ou ideias, mas isso é algo que faço com cuidado. Não gosto de estar sempre a magoar, penso que se queremos comunicar estámos a resolver as coisas, os meus trabalhos fazem questionar as pessoas, é a minha parte soldado.

A cooperativa de consumo fruta feia (CCFF) criada em novembro de 2013 recolhe produtos fruto-hortícolas que não são aceites pelos supermercados.

Com o lema “gente bonita come fruta feia” a CCFF ultrapassou já a marca das 500 toneladas de produtos fruto-hortícolas nacionais que não foram desperdiçados. A rede “fruta feia” conta com sete pontos de entrega em distintas zonas de Portugal e possui 3062 consumidores inscritos que através de uma quota anual de 5 euros, recolhem os seus cabazes com frutas e hortaliças da época que por norma são rejeitadas pelas grandes superfícies alimentares, porque não obedecem aos parâmetros impostos em termos de cor, formato e calibre.
A cooperativa acolhe 123 produtores de várias regiões, onde voluntários recolhem nas suas hortas e pomares as hortaliças e frutas pequenas, grandes ou disformes que de outra forma os agricultores não conseguiriam escoar. O cabaz de fruto-hortícolas é depois recolhido pelos consumidores num dos pontos pré-definidos, com preços que rodam os 3,5 e 7 euros dependendo do tamanho das cestas.
Com esta iniciativa a CCFF consegue evitar o desperdiço semanal de 8 toneladas de fruto-hortícolas que de outra forma iam parar ao lixo combatendo, do seu ponto de vista, uma ineficiência do mercado.
Outro dos objectivos deste movimento associativo visa alterar os padrões de consumo e gerar um mercado de valor que combata o desperdício alimentar e o gasto desnecessário de recursos, tendo em conta que só em Portugal, cerca de 30% da fruta produzida é desperdiçada pois, apesar de ser saborosa e de qualidade, não tem o aspecto desejado.
Se quiser aderir a “fruta feia” basta aceder ao link:

http://www.frutafeia.pt/pt

quinta, 20 abril 2017 15:11

A outsider musical

O nome surma quer dizer deixar a sua marca no mundo, esta associada a originalidade, ousadia, espírito competitivo, independência e a força de vontade, tudo sinónimos que se adequam na perfeição ao alter-ego de Débora Umbelino, a mente criativa por detrás deste projecto musical único e estranho como que ela própria se define.

Fala-me um pouco sobre o teu processo criativo para criar uma melodia? Utilizas samples de vários tipos e queria que me fizesses uma resenha de como isso funciona?
Surma: É um bocado em cima da hora, até porque num dia qualquer gravo um som no meu telemóvel e às vezes trabalho a partir disso para uma melodia. Outras, agarro no sintetizador quando estou em casa. Também acordo durante a noite quando tenho ideias na cabeça, levanto-me às quatro da manhã, vou trabalha-los ao longo da madrugada e depois volto para a cama de manhã. É o que me lembro na altura e começo logo a trabalhar esse som.

Depois dessas secções sonoras, essas ideias que vais tendo ao longo dos dias e depois juntas isso tudo que gravas para um tema?
S: Eu não tenho uma estructura muito definida, como por exemplo na música pop, onde há uma refrão, verso e melodia. Eu tento ligar os ritmos uns com os outros, vou trabalhando com o sintetizador por cima, meto a voz para complementar, é como se fosse uma construção por camadas. Como trabalho muito com loops a música acontece nessa base e depois vou contruindo a partir daí.

Estiveste em tournée e nesse períplo tens escritos temas para o teu próximo EP?
S: Sim, tenho gravado alguns temas com uma banda da Omnicord records também e estámos quase a acabar a pré-produção do álbum. Ainda faltam umas melodias, tenho trabalhado durante o dia para complementar algumas músicas do disco, também desenvolvo algumas letras, mas ainda falta muito trabalho por fazer.

E quando lançares este álbum qual é a ideia geral? Em termos de alma o que vai ser?
S: A ideia geral é que vai ser muito genuíno, porque é tudo feito na hora. Depois vou para o estúdio e trabalho muito na música. Tenho um tema onde batemos umas castanholas uma na outra e trabalhámos sobre esse som, ou então a sonoridade emitida por uma caneta a fechar. É um pouco virado para a ciência, não sei explicar muito bem esse conceito, é feito na base de pormenores e ruídos.

És muito diferente mesmo em termos de imagem, única em termos musicais também, como é que te encaixas no cenário nacional português?
S: Eu não sei bem, é uma pergunta que me fazem várias vezes, até me questionam sobre o género com o qual me identifico e eu não sei responder, porque nem eu mesma sei onde me encaixo na cena musical nacional. Eu sou experimental e estranha ao nível musical, sinto-me uma “outsider” para ser sincera.

E o teu público, agora que estás en tournée, já notaste quem são?
S: Eu acho que vai dos 8 aos 80 anos, porque vejo muitas crianças no público e depois avisto pessoas acima dos 50 anos. É um público muito abrangente, mas pelo que noto é muito mais dos 25 anos para cima.

Vamos falar sobre a tournée propriamente dita pela Europa, como foi a aceitação da tua música em termos do público estrangeiro?
S: Foi das melhores experiências que tive até agora, estava com um pouco de medo em relação as pessoas e se iam gostar ou não, mas no geral foi brutal. Sempre reagiram bem nos concertos, tivemos sempre salas compostas e os que foram entravam mesmo na atmosfera de cada concerto, acho que correu muito bem mesmo. Depois crescemos mais como artistas ao nível musical, como pessoas também e ganhámos muito com isso.

E os concertos ao nível nacional? Como estão a correr?
S: Os concertos fora são diferentes que cá dentro, porque são públicos diferentes., não sei. Mas, não me posso queixar, mesmo em Portugal a reação tem sido muito boa. Vai dar ao mesmo, tenho tido muito apoio das pessoas e do público que assiste aos concertos.

Já pensastes quando vais lançar este EP?
S: Sim o álbum esta previsto para setembro.

E tens um título previsto?
S: Tenho mais do que um, mas nenhum deles esta previsto para o disco. Não tenho um fixo.

quinta, 20 abril 2017 15:08

Feiticeiro da calheta

O filme de Luís Miguel Jardim é uma obra ficcionada sobre a vida de João Gomes de Sousa, reconhecido poeta popular madeirense que viveu na localidade da Calheta, na primeira metade do século XX. Esta longa-metragem é uma homenagem a esta personalidade, mas não só, é também um retrato sobre a vida rural da ilha da Madeira numa determinada época e as suas idiossincrasias. É um projecto cinematográfico desenvolvido e produzido por pura paixão, que contou com a participação de mais 400 pessoas e uma banda sonora original, do compositor madeirense João Augusto Abreu.

Como é que alguém que não tem nada a ver com cinema lhe ocorre fazer um filme sobre o “Feiticeiro da Calheta”?
Luís Miguel Jardim: Eu tenho como formação base direito, mas faço cinema já há alguns anos no Liceu Jaime Moniz, pelo menos nove anos. O “Feiticeiro da Calheta” não aparece do nada, existe um trabalho de experimentação que tem sido desenvolvido ao longo dos anos e creio que este filme é minha quinta longa-metragem, já fiz alguns documentários, o que o distingue é que é uma produção independente. Não acontece sem mais nem menos. A temática surge por um desafio lançado pela professora Eva Natália e pelo Eugénio Perregil, não resulta de uma nota biográfica, é filme de ficção quer das vivências do chamado “Feiticeiro da Calheta”, quer do João Gomes de Sousa.

Vamos falar deste argumento que não se limitou a abordar esta personalidade, mas que reflecte de certa forma um período específico da ilha da Madeira e há muitos regionalismo nas falas.
LMJ: Exactamente. O “Feiticeiro da Calheta” tem uma série de subtemas, um deles a colonia, que era um regime da exploração da terra assente numa relação manifestamente injusta entre o senhorio e o colono. É um traço histórico que nos marcou e que nos deve envergonhar, por isso, não deve ser esquecido, deve ser relembrado. Para além disso, há também a questão dos afectos, a relação entre pais os filhos e tive esse cuidado com as personagens do feiticeiro e da filha. Na prática não sei se terá sido assim ou não, no entanto, foi esta a linha principal que introduzi no guião da história e que para mim foi o traço mais marcante, esta relação de amor entre pai e filha.

O argumento também revela várias características de estratificação da sociedade madeirense naquela época.
LMJ: Além dessa estratificação que manifestamente passava pela questão da colonia, também tivemos a preocupação de ir buscar algumas profissões da época que entretanto foram abandonadas e tentámos salientar esses traços característicos quer no aspecto económico, quer no social.

O guião tem também muitos regionalismos que já não se utilizam, houve uma pesquisa nesse sentido?
LMJ: Houve um grande trabalho de pesquisa, feito pela Paula Trindade, que é uma das actrizes, pelo Francisco Faria e também um conjunto de pessoas que estiveram a trabalhar nessa área de recolha de informação sobre esses regionalismos. É um trabalho de pré-produção que é necessário fazer antes de começar a filmar.

Disseram-me que o filme demorou um ano a ser rodado. Isso inclui essa pré-produção?
LMJ: O filme demorou um ano e sete meses e isso inclui esse trabalho de pré e pós-produção.

Há planos maravilhosos da ilha, sobre as várias fases da vida rural madeirense. Foi filmando ao longo desse ano e sete meses essas diferentes épocas de colheita? Ou foi tudo encenado?
LMJ: Não, tudo o que vê é real, exceptuando alguns efeitos sonoros que são colocados nas pós-produção. O que acontece é que usámos color branding nas imagens.

O filme tem uma vertente muito cómica, mas também foca outra questão mais dramática que é o suicidio que era algo muito comum nessa época na Calheta?
LMJ: A questão do suícidio é transversal ao longo dos anos na ilha da Madeira, não apenas na Calheta. Acontecia com regularidade e eu penso que era um fenómeno que estava associado a situações de pobreza extrema, de endividamento, de vícios, nomeadamente, devido ao álcool.

Embora, seja um filme de ficção, é baseada numa personalidade real e há a célebre cena do cordão de ouro que pertence a filha do “Feiticeiro da Calheta”, Maria de Jesus.
LMJ: O cordão de ouro não pertence à Maria de Jesus. A nossa ideia inicial era usar o original, mas não foi possível pelas condições políticas na Venezuela. Utilizámos uma peça de ouro muito antiga que pertence a uma das actrizes, a Paula Trindade. Embora, o feiticeiro tenha o sonho de dar um colar de ouro, no guião em função da narrativa em vez de oferecer um, dá dois, um à sua filha e o outro à filha do amigo que faleceu.

Quanto as pessoas que participaram no filme, há muitas personalidades da sociedade madeirense, como é que foi esse convite, porque lhe ocorreu trazer essas pessoas para o filme?
LMJ: Muitas destas pessoas estão ligadas a vida política e não só da nossa terra, como é o caso do João Carlos Abreu que já participou em outras produções minhas, porque é uma personalidade sempre ligada à cultura e cada vez que o convido ele diz logo que sim. O Carlos Lélis também tem muita experiência ao nível da representação e teve uma companhia teatro. O Alberto João Jardim entra na filme através do pedido de uma das nossas actrizes, a Fátima Marques, que é muito amiga dele, ela fez-lhe esse desafio e ele aceitou, porque como já estava afastado da vida activa política, tinha mais disponibilidade e a ideia avançou, a sua única condição foi ver antes o guião com as suas falas. Eu tive mesmo a preocupação de pedir-lhe para deixar crescer a barba para ter um ar mais rude, mais campestre, algo que ele nunca tinha feito antes. Tivemos o representante da República, o Eríneo Barreto, que achou imensa graça ao convite e fez essa pequena participação e as filmagens são no palácio de São Lourenço. Todas estas personalidades aceitaram, porque gostaram da ideia do filme, abordar o modo vivendis da sociedade madeirense e das suas tradições. Porquê foram convidados? No caso do Alberto João Jardim houve dois motivos, a notoriedade que o filme alcançou teve outro impacto e não tenho dúvidas disso, porque tivemos tempos de antena em vários meios de comunicação social generalista do país. Foi também uma justa homenagem ao homem, eu estudo muito à história da Madeira, fiz um filme chamado “Águas” e agora o “Feiticeiro da Calheta” e o que se nota é que a ilha foi abandonada ao longo de muitos anos pelo poder central, e quando Alberto João Jardim chega as nossas reivindicações são ouvidas em Lisboa e mesmo em termos de condições de vida tudo melhorou muito, claro que houve coisas que não foram bem feitas, mas no filme houve um texto muito próprio para encaixar naquela pessoa, esse papel só podia ser dele.

Outra homenagem que fez e houve uma certa justiça em devolver ao “feiticeiro da Calheta” a origem do famoso bailinho da Madeira.
LMJ: O bailinho da Madeira, pela informação que tenho e é a opinião corrrente das pessoas da Calheta, é que provêm do Feiticeiro, as pessoas que o conheceram e a própria filha com quem falei também o confirmou, todos são unânimes, não há dúvida, a génese dessa letra e música é do João Gomes de Sousa. Como ele era amigo do Max acabou por mostrar-lhe o tema e há a história que se conta de que alguém ouviu na telefonia a versão do bailinho do Max contou ao feiticeiro e o João Gomes de Sousa foi até o Funchal esperar pela chegada do Max no barco e ele deu-lhe algum dinheiro, muito pouco pela canção. O que eu pretendo mostrar é que ele é o criador de um género, a letra que ele escreve não corresponde a versão actual. O actual bailinho da Madeira resulta dos arranjos que o Max fez e se este músico não tivesse entrado nisto estou convencido que este tema não teria tido a dimensão que possui actualmente. O Max conferiu-lhe uma musicalidade e uma projecção que de outra forma sinceramente não teria tido, é uma opinião muito pessoal. Eu acho que os dois estão de parabéns quer o “Feiticeiro da Calheta” quer o Max, porque foi um trabalho que se complementou, não vejo que o que fiz levante alguma celeuma, são duas figuras que olham, os dois cada um à sua maneira para um tema, com diferentes visões e expressões musicais.

Tem a ideia de passar este filme pelas comunidades madeirenses no exterior. Mas, mesmo que sejam mostrado o filme já considerou que terá de legendá-lo?
LMJ: É assim, para as comunidades madeirenses não há essa preocupação, a questão da legendagem coloca-se quando se pensa no mercado nacional, que não é o que mais me apaixona, o que tenho em mente é primeiro acabar o circuito regional. Vamos tentar prolongar esta mostra do filme até a vinda de emigrantes para à Madeira até Agosto. É claro que já tivemos contactos, há convites para mostrar o filme nos Açores e no Continente, mas serão pensados na devida altura, agora estámos muito focalizados no circuito regional.

quinta, 20 abril 2017 14:42

Recôncavo

 

Apresentação do livro e exposição de Fernanda Grigolim surge no âmbito do congresso internacional Herberto Helder, a vida inteira para fundar um poema.

A obra de Fernanda Grigolim não obecede aos parâmetros de outras entrevistas que realizei, limito-me a extrair uma parte da conversa da artista sobre a sua obra na galeria porta 33 e mostrar as várias formas de descobrir, sentir e fruir o seu trabalho.
“A minha relação com a fotografia sempre foi um acto de sobrevivência. Comecei a fotografar logo depois da morte do meu avô. Eu tinha dezenove anos e havia ganhado uma Pentax MX e resolvi entender o que era tudo aquilo que vinha nela. Lembro que o primeiro lugar que fotografei com a câmera foi Bariri, a cidade natal do meu avô Luiz Grigolin.
As fotos nunca foram reveladas, perdi o filme em casa ou no laboratório do Museu Lasar Segal, o lugar onde fiz meu primeiro curso de fotografia. Depois, na faculdade, enveredei por questões sociais e passei anos e anos da minha vida usando a fotografia para e com o meu ativismo.
"Retratos da Garoupa" é um livro lançado em 2010 que demorou três anos para ser realizado. É uma ficção que nasceu da necessidade de criar o contato com o passado, fazer presente a história de vida de meu pai, João José Moraes, morto aos 31 anos, quando eu tinha apenas sete meses.
João José Moraes, conhecido pelos amigos e familiares como Moraizinho, era catarinense, natural de Rio Negrinho, nascido em 16 de janeiro de 1949. Ele passou a primeira infância em um sítio em Congonhas, Camboriú, Santa Catarina. Aos dez, mudou para Porto Belo com a família.
"Retratos da Garoupa" é uma ficção, meu pai nada deixou escrito. Construí um narrador masculino que tinha um primeiro encontro com a escrita. Também era meu primeiro encontro como filha com meu pai e com minha escrita ficcional.
Meu pai era um homem de classe média baixa, que viveu no Brasil no final dos anos 1970 em plena ditadura militar. Ele é personagem e narrador, e é apresentado nas imagens e no texto. A história se desenrola entre os anos de 1978 e 1980. O livro tem 64 páginas, 20 x 20 (fechado). O narrador comenta sobre sua vida na cidade de São Paulo, em Curitiba. Contudo, suas digressões e flashbacks remetem sempre à Porto Belo, em Santa Catarina. O nome faz alusão ao primeiro nome da cidade, a enseada da Garoupa. E a Garoupa do livro é muito mais uma cidade imaginária à qual o narrador sempre recorre ao escrever suas memórias. "Retratos da Garoupa" não é um livro de literatura, apesar de haver texto, o livro parte do fotográfico".

 

 

Http://www.porta33.com/exposicoes/content_exposicoes/Fernanda_grigolin/fernanda_grigolin_filme.html

quinta, 20 abril 2017 13:58

Amazônia em perigo

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) a desflorestação na Amazónia, no período de Agosto de 2015 à Julho de 2016 foi de 7989 km², 29% maior que em idêntico período no ano anterior.

A destruição do chamado “pulmão do mundo” libertou para a atmosfera, segundo cálculos do INPE, 586 milhões de toneladas de carbono, o equivalente a oito anos de emissões de todos os automóveis que circulam no Brasil.
Com este comportamento o país distancia-se das metas estabelecidas pela última cimeira do clima patrocinada pela ONU e contraria a evolução que estava a ser seguida, no sentido de reduzir a desflorestação da Amazónia. Na verdade, é a primeira vez, em 12 anos, que a perda destas áreas florestais apresenta um aumento significativo, gerando quase 50% de gases com efeito estufa para a atmosfera global.

As perdas em termos de área de floresta tropical virgem tem dado lugar a terrenos agrícolas ou de pastagem. No entanto, quase metade do abate dessas zonas ocorre de forma ilegal. No Brasil este tipo de desflorestação tem como objectivo primordial à produção agrícola que resulta da crescente procura de carne, peles e os seus derivados impulsionados pelo crescimento global da população e pela expansão da classe média, particularmente do sudeste asiático. Embora, o país tenha tido um sucesso considerável em abrandar a taxa de perda de floresta tropical para terrenos agrícolas, se esta tendência se mantiver as consequências não serão sentidas apenas em termos de mudanças climatéricas, mas também numa perda irreparável em termos de diversidade florestal.

Segundo um estudo inédito, publicado recentemente, no “Journal of Sustainable Forestry”, a Botanical Gardens Conservation International (BGCI), com base nos dados de sua rede de 500 jardins botânicos ao redor do mundo, estima a perda de 60.065 espécies de árvores no mundo, das quais 14% são encontradas em território brasileiro. De acordo com esta organização não governamental o Brasil é assim o país com a maior biodiversidade de árvores do mundo, ou seja, há 8.715 espécies de arborícolas que apenas existem no seu território e que representam 14% das 60.065 que existem em todo o planeta. Em segundo lugar na lista esta a Colômbia, com 5.776 espécies, e a Indonésia, com 5.142. A expectativa é que a lista, elaborada a partir de 375,5 mil registros e ao longo de dois anos, seja usada para identificar espécies raras e ameaçadas e prevenir sua extinção, mas também vêm reforçar o papel importante que a selva Amazónica tem para o planeta.

http://www.inpe.br/

A 6ª edição do Madeira Film Festival (MFF) tem um programa ambicioso com estreias nacionais, celebridades, e novas parcerias com festivais de cinema internacionais.

A actriz Marina Albuquerque é uma das presenças confirmadas para o MFF'17 para apresentar o filme do realizador Edgar Pêra, “Delírio em Las Vedras”, no dia 23 de Abril pelas 18.30, no Teatro Baltazar Dias. Há duas décadas esta actriz é um dos rostos mais conhecidos da comédia em Portugal. Nascida em Lisboa, notabilizou-se com a participação em várias séries e novelas televisivas, como "Morangos com Açúcar", "Ana e os Sete", “Malucos do Riso" e mais recentemente na novela "A Única Mulher".
No cinema colaborou com Edgar Pêra em vários filmes "A Konspiração dos Mil Tímpanos", "Virados do Avesso" e "Sudwestern e O Barão". Trabalhou também com os realizadores Luis Galvão Teles, Michael Sturminger, Inês Oliveira, Jeanne Waltz, Raoul Ruiz, José Abreu, Leão Lopes e Manuel Mozos.
A longa-metragem “Delírio em Las Vedras”, estreou-se em Fevereiro deste ano, depois de uma antestreia em Torres Vedras e após dois anos de rodagem e pós-produção e chega à Madeira no âmbito da 6ª edição do Madeira Film Festival.
Para o realizador, Edgar Pêra, "Delírio em Las Vedras é um filme em 3D, sendo ao mesmo tempo ficção e documentário, e juntando a espontaneidade dos mascarados a um fio narrativo associado à comédia portuguesa". O filme foi rodado durante seis dias em pleno Carnaval de 2015, mais a noite do "enterro do osso” e dá a conhecer as suas vivências. Resumidamente, esta longa-metragem aborda “um grupo de repórteres inspirados nos diferentes estilos dos canais televisivos, dos canais pimba aos culturalistas, dos radicais aos musicais, dos radiais aos canais 3D, invade o Carnaval de Torres Vedras. O seu objectivo é garantir o máximo de audiência. E estão dispostos a tudo para isso. Os repórteres mascaram-se de forma a poderem misturar-se com a multidão, quebrando assim todas as barreiras e tornando-se parte da realidade do Carnaval".
O protagonista é Nuno Melo, sendo este o último filme da sua carreira de ator, onde faz dois papéis, "é o Ermelindo, o repórter de um canal institucional, e a Ermelinda, a matrafona à força. Está lá contrariado porque acha que este é um tema que não interessa às elites" esclarece o realizador. Os monólogos do ator têm, também eles, um "caráter autobiográfico e de pendor cómico", caraterísticos do ator, acrescentou. "Apontávamos a câmara para qualquer lado e tínhamos sempre motivos de interesse", contou o cineasta, adiantando que muitos dos entrevistados são "matrafonas'", máscaras típicas em que os homens se vestem de mulheres, mas afirmando a sexualidade masculina. Para Edgar Pêra, o filme, apoiado pelo município, pretende "ser também um veículo de promoção do carnaval de Torres Vedras, que atrai cerca de 350 mil visitantes durante os cinco dias". O filme, de 80 minutos, esteve no Festival Internacional de Cinema de Roterdão e junta-se aos quase 40 filmes já realizados pelo cineasta.
Nele contracenam os atores Nuno Melo, Marina Albuquerque, José Raposo, Sofia Ribeiro, Albano Jerónimo, José de Pina, Rui Melo, Miguel Borges, Marco Paiva, Jorge Prendas, Miguel Pereira, Miguel Partidário, João Sodré, Marlise Gaspar e os foliões torrienses.
Pela primeira vez o número de participantes ligados à indústria cinematográfica aumentou sem que o festival tivesse de oferecer os voos, ou acomodação. Um indicador positivo de que mais pessoas interessadas nestas áreas estão a escolher a semana do festival para virem conhecer à ilha da Madeira e conviver com realizadores, atores e produtores, numa semana repleta de filmes, palestras, conversas com celebridades e ainda um programa social internacional muito diversificado.

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