Um olhar sobre o mundo Português

A edição desta semana dá voz  aos insurrectos, os que saem fora da norma e seguem a sua própria voz, como os meus convidados. 

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Yvette Vieira

Yvette Vieira

quarta, 01 março 2017 16:51

Notícias do bloqueio

Aproveito a tua neutralidade,
o teu rosto oval,
a tua beleza clara,
para enviar notícias do bloqueio
aos que no continente esperam ansiosos.

Tu lhes dirás do coração o que sofremos
os dias que embranquecem os cabelos…
Tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos – contrabando – aos teus cabelos.

Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
sustentando a defesa à nossa volta
– único acolchoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.

Tua neutralidade passará
por sobre a barreira alfandegária
e a tua mala levará fotografias,
um mapa, duas cartas, uma lágrima…

Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos de silêncio duro e violento.

Vai pois e noticia com um archote
aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.

Vai pois e conta nos jornais diários
ou escreve com ácido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos já esperados.

Mas diz-lhes que se mantém indevassável
o segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro.

Diz-lhes que se resiste na cidade
desfigurada por feridas de granadas
e enquanto a água e os víveres escasseiam
aumenta a raiva e a esperança reproduz-se.

Egito Gonçalves não é um dos nomes que nos salta à memória quando se fala de poesia em português, mas cabe-me abordar este autor por dois motivos, o primeiro prende-se pelo poder das suas palavras, a sua capacidade de moldar o pensamento, de transformar os seus versos em hinos à liberdade, ou a falta dela, de tentar impedir o entorpecimento de uma sociedade fechada sobre si mesma através dos seus poemas e nada melhor para ilustrar essa ideia do que, “Notícias do bloqueio”. Editado a partir dos anos 50, este é um dos fascículos de uma série de nove que foram publicados no Porto, entre 1957 e 1961, sob a direção deste poeta, de Daniel Filipe, Papiniano Carlos, Luís Veiga Leitão, Ernâni Melo Viana e António Rebordão Navarro e que surgem num Portugal onde a ditadura se fazia sentir no rasurar dos textos pelos censores e pela constante pressão exercida sobre os intelectuais desta época e este autor é porventura um dos rostos menos reconhecidos de uma geração de escritores que não se remeteram ao silêncio cúmplice de um sistema político opressor. Foi acima de tudo um homem dedicado à cultura, tendo-se destacado para além da poesia, na área da edição e tradução de textos, daí o destaque desta obra e eis o meu segundo motivo, este livro aborda uma poesia que reflecte à sua época, são poemas de resistência, do combate ao silêncio imposto pelo Estado e que aludem o cerco sombrio que a polícia política impunha as vozes mais críticas deste período e isso reflecte-se na poesia de Egito Gonçalves. Boa leitura.

quarta, 01 março 2017 16:45

2084

É uma curta-metragem premiada do jovem cineasta, Nuno Sá Pessoa e que já esteve presente em 46 festivais internacionais. O filme de ficção científica aborda um encontro inesperado que expõem as fragilidades dos cidadãos e das políticas que os governam.

Nuno Sá Pessoa criou um universo paralelo que aborda uma sociedade internacional controlada pela União dos Mundos, que resulta do colapso dos países desenvolvidas em todo o planeta e que procura controlar todos os possíveis “elementos subversivos” que se desviem da nova ordem geo-política e social. Segundo o cineasta, esta curta-metragem que foi filmada em 2014 serviu como veículo para mostrar “a minha opinião em relação à situação económica de Portugal e do mundo em geral”. A curta-metragem reforça a ideia de um Estado opressor primeiro porque é filmado a preto e branco, ou seja, um mundo com poucas opções, raras liberdades e muitas obrigações. Depois há o enredo que sublinha a ideia do medo de emitir uma opinião, de ser diferente, estar fora das normas, não por ser perigoso, apenas fora da leis da dita normalidade, ser desempregado, incapaz de produzir sem parar. É uma alusão, ao meu ver, ao livro “1984” de George Orwell que nunca esteve tão actual como hoje em dia, e o titulo do filme remete-nos para isso, mesmo se tratando de um género como a ficção científica, coloca uma questão pertinente sobre como facilmente aceitámos e nos submetemos a certas ideias, ou regras para (sobre)viver em sociedade como dogmas e não questionámos o seu porquê?

http://www.nunosapessoa.com/videos

 

quarta, 01 março 2017 16:39

Escolhas

 

A exposição da artista cénica, Margarida Menezes surge como a conclusão do processo de "site-specífic" de procurar o espaço físico ou cenográfico do livro de fotografia e texto "Escolhas" de Miguel Leitão Jardim, no qual se baseou a construção de uma instalação com o mesmo título em exposição no Salão Nobre do Teatro Municipal Baltasar Dias. A performance baseou-se no mesmo método e propos a exploração em site numa das áreas da instalação. O tempo e a luz, a casa e as palavras foram as ferramentas através das quais se desenvolveu o tema das "não escolhas", ou seja, aquilo que foi não foi seleccionado para integrar o livro e a instalação é articulada no tema das escolhas como um rebuscar de material fotográfico intríseco ao processo criativo.

Como surge esta instalação artística intitulada “escolhas”?
Margarida Menezes: A instalação resulta do lançamento do livro do Miguel Leitão Jardim. Ele falou-me da exposição de fotográfias e eu desafiei-o com o projecto como uma forma de divulgar os conteúdos, porquê não tentar o espaço físico dessa obra? E foi o que fizemos. Basicamente, estudámos o livro já no final e procurámos o espaço e objecto físicos, o tempo e as dinâmicas das imagens, ou seja, a relação entre o texto e a fotográfia e isto proporcionou-nos um labirinto, um espaço com várias estructuras e uma instalação quase literária, fotográfica e plástica.

Miguel Leitão Jardim: O ponto de partida foi uma série de viagens minhas em espaços museológicos. Especialmente Serralves, no Porto e as Mudas, na Madeira e ao contrário de outros trabalhos este surgiu de algumas dessas fotográfias que fiz e que me motivaram a continuar uma série que percebi que tinha, aumentá-la e dar-lhe vida. O enquadramento que surgiu resulta dos vários autores que foram convidados para escreverem sobre as várias imagens que estavam aliadas a este projecto.

Foi uma ideia inicial para a obra fotográfica convidar autores? Ou foi em conjunto?
MLJ: A ideia inicial foi minha e convidei vários autores para este projecto. No livro não há apenas prosa, existe também poesia.

Margarida, porquê um labirinto?
MM: O labirinto tem a ver com algumas fotográfias do livro e o que se faz é dar as pessoas a escolha do percurso, como os trajectos de vida, as nossas escolhas e esse foi o nosso tema para à instalação. Com base nisso também há uma performance, baseada na escolha e não escolha. As imagens que não foram seleccionadas para esta exposição serão depois aproveitadas, as páginas 32 e 33 que não existem na obra e que neste caso tem a ver com as nossas escolhas, daquilo que se deixa de fora e será isso que vou aproveitar para a performance que vou fazer.

Qual foi o fio condutor em termos de imagens?
MM: Isso foram escolhas do Miguel, ou seja, o trabalho dele foi seleccionar uma série fotográfica e convidar autores a escrever directamente para cada fotográfia. O meu trabalho foi, agora, buscar todas as coisas que ele não aproveitou para analisar para a performance.

Porquê consideraste este espaço do teatro Baltazar Dias que nada tem a ver com as imagens e a tua instalação?
MM: Esta sala é um espaço lindíssimo e nós assumimos o clássico como neutro, ou seja, toda a estructura do teatro, como as paredes, decidimos não usá-las para à instalação. Portanto, o projecto limita-se aos paineís e ao interior do labirinto que foi criado por nós. A questão mais relevante é como é que o espaço influenciou? Como decidimos que o espaço não é uma escolha? As suas características também não o são, por isso, a performance que irei fazer chamada página 32 e 33, incide sobre isso, sobre o tempo do espaço, a luz, a ressonância, então será uma interpretação numa área específica, de não luz, foi uma zona não escolhida e portanto a performance será efectuada de forma a que todas as características do espaço sejam assimiladas.

Muitas das instalações são quase toscas.
MM: Sim, o objectivo da instalação é conseguir mostrar um produto artístico com o mínimo de recursos possíveis e então entra a ideia do “low budget”, tentámos próprios criar todas peças da instalação, tudo o que pudesse ser construído por nós, seria, em vez de ser mandado fazer através de um designer gráfico. O objectivo é cativar a sensibilidade à arte e incentivar a criação artística, porquê? Porque a minha área é mais cénica, é o palco, então a minha visão de uma instalação é a criação de um cenário que o livro me sugere. Isso é a minha perspectiva como performer. Como não sou artista plástica, a ideia era combinar as fotográfias e os textos, mas materializando-as no espaço. Para mim é mais uma construção de um cenário, é uma instalação, porque não se trata de um espectáculo, ou uma peça de teatro, sendo, que a performance não terá cenário, é o próprio espaço.

E os blocos de cimento?
MM: Estão aí por dois motivos, simbolizam os alicerces e a força que uma casa tem advém disso, dos tijolos. O livro faz essa referência da casa, do espaço, daí a forma da obra ser quadrada. A casa é construída com tijolos e isso representa-nos, o nosso impeto artístico que coloca os blocos e que os mantém unidos. Essas peças são de um puzzle, ou de um labirinto, portanto, o tijolo representa a construção de alicerces que estão na base do ímpeto artístico, mas também representam o escolher ficar, ser um objecto imóvel, pesado e rústico.

Procuraste também criar com este labirinto muita interactividade com o público?
MM: A intenção é exactamente essa, envolver o público na arte de criação. As pessoas podem tocar nos alfinetes e correrem o risco de se magoarem. Quererem, ou não, entrar numa sala escura que é iluminada com um flash intermitente. Podem cheirar ou até morder uma cadeira feita de maças, mas, eventualmente tem de se aproximar e cheirá-las para conseguirem ler o texto, o objectivo é que usem o olfacto. Têm que girar, ou dançar em torno de uma coluna para ler o poema sobre o infinito, porque é essa minha ideia do eterno. Há várias peças que tem ser tocadas, afastadas para permitir a sensibilidade sobre uma fotográfia e é necessário até usar o espelho para ler um texto. O objectivo é criar uma ligação mais próxima com o público, eu enquanto artista cénica tenho dificuldade em criar esse elo, porque quando estámos em palco e mesmo que seja no meio de uma audiência há barreiras difíceis de ultrapassar, a presença de um actor, de um bailarino, ou performer, ao mesmo tempo restringe, ou constringe uma certa ligação com o público. Esta instalação permite um visitante entrelaçado com o objecto artístico, para que toque, que sinta, que entre no espaço, no cenário e isso, por norma, não são coisas acessíveis.

quarta, 01 março 2017 16:33

Alameda dos freixos em perigo

 

  

Queixas à Quercus sobre o abate de árvores geraram polémica junto das populações e autarcas de Portalegre.

Em comunicado, a associação ambiental, Quercus esclarece que “foi alertada para um corte de árvores que se estava a realizar na Estrada Nacional 246-1, junto à localidade da Portagem, concelho de Marvão, distrito de Portalegre, mais em concreto num local conhecido como “Túnel das árvores” ou “Alameda dos Freixos”. Tendo-se deslocado ao local, verificou que apesar dos trabalhos de corte se encontrarem interrompidos devido aos protestos dos populares e da Autarquia de Marvão, tinham já sido cortados pela empresa pública, Infraestruturas de Portugal, sete freixos (Fraxinus angustifólia Vahl) adultos de grande porte, com a justificação que se encontrariam em mau estado de conservação. Verificou também que era intenção inicial da empresa cortar mais alguns exemplares desta espécie, já sinalizados previamente.

O local onde decorreu este abate está integrado no Parque Natural da Serra de São Mamede e devido à sua singularidade paisagística, é um autêntico cartão de visita da região, constituindo-se como um património natural e cultural que tem sido conservado pelas populações ao longo dos anos. Os cerca de 300 freixos centenários foram inclusivamente classificados como árvores de interesse público, pela sua dimensão e conjunto, que segundo a ficha de caracterização oficial, forma uma “magnífica alameda de altos e frondosos freixos”.

Face ao sucedido à associação ambiental refere que “estamos na presença de operações de duvidosa legalidade e oportunidade, a Quercus solicitou de imediato esclarecimentos à Infraestruturas de Portugal, tendo em vista o apuramento de responsabilidades decorrente deste abate de árvores. Dado que, segundo foi possível verificar no local, algumas das árvores abatidas, e outras sinalizadas para abate, não apresentavam quaisquer sinais de má conservação ou perigo para a segurança pública, a Quercus exige que sejam divulgados os pareceres técnicos que levaram à intervenção realizada. Uma vez que infelizmente são recorrentes as situações em que árvores junto às vias públicas são abatidas sem justificação ou segundo critérios muito duvidosos, a Quercus vem exigir ao Governo, e em especial ao Ministério do Planeamento e das Infraestruturas que tutela a empresaInfraestruturas de Portugal, uma atuação mais firme e responsável, de modo a que árvores saudáveis não sejam abatidas sem razões válidas e sem a ponderação de outras alternativas mais adequadas".

Em baixo aparece link com descrição da importância destas árvores para o Insitituto de Conservação para a Natureza.

http://www.icnf.pt/portal/florestas/ArvoresFicha?Processo=KNJ3/025&Concelho=&Freguesia=&Distrito

quarta, 01 fevereiro 2017 16:54

Não sou imune ao teu charme

Os Anaquim surgem em 2010, na cidade de Coimbra, com um álbum de estreia, “ As vidas dos outros”, que os catapultou de imediato para a fama nacional, mas cujo sucesso já atravessou fronteiras graças à sua sonoridade peculiar fruto de uma fusão de sons do mundo, com um toque muito português. Este ano lançaram o seu terceiro trabalho discográfico, muito mais calmo e bucólico como o define o fundador, cantautor da banda, José Rebola.

Em termos dos Anaquim, no terceiro álbum “um dia destes” notas uma evolução em termos dos restantes dois trabalhos discográficos que já lançaram como banda?
José Rebola: Eu acho que neste álbum há sempre uma evolução e uma dinâmica muito própria, tentámos que cada disco transmita um certo sentimento e foi isso que mudou em relação os restantes dois álbums, porque “um dia destes” tem um fio condutor. O nosso primeiro trabalho discográfico era uma espécie de colecção de crónicas, o segundo era um álbum mais social, centrado mais nas problemáticas da sociedade e do eu. Este terceiro trabalho é diferente porque toca nos afectos, no amor, no desamor, no encontro e desencontro das pessoas. Portanto, é um disco mais contemplativo, mais calmo, mais bucólico, a ideia foi sempre o minimalismo das canções, um certo diminuir da quantidade de letra e da velocidade de algumas coisas, foi basicamente isso que mudou.

Este é um trabalho ainda voyeurista, porque os vossos temas focam os outros e tudo o que ocorre em volta e afirmou que este disco é mais contemplativo e bucólico.
JR: Eu acho que quando olhámos ao que esta à nossa volta e para os outros, também vemos o que há de nós nessa circunstância, na sociedade que nos rodeia e o contrário. Acho que olhar para dentro não é só olhar para dentro e olhar para fora nunca é só olhar para fora, o que acontece quando escrevo letras para o Anaquim é esta conjugação dos pontos de encontros que encontrámos entre eu e os outros, o interior e o exterior e nesse sentido acho que continua e continuará a acontecer.

Abordando as letras das músicas, acabaste de referir que estão mais contidas, mais concisas, nostaste uma evolução da tua escrita neste álbum em relação aos restantes?
JR: Quando estava a referir-me que eram mais contidas, estava a abordar a quantidade total de letras e o que é debitado por segundo. Numa canção mais reivindicativa, mais interventiva, nos queremos dizer muita coisa e muito depressa, quando se fala de amor e solidão acho que é natural haver um certo respirar, uma certa pausa e isso é o que sinto nestas canções. O que não diminui a intensidade das letras e o que elas transportam, é que não importa só o que se diz, nem como se o diz e neste álbum as coisas são ditas de uma maneira mais suave, mais pausada que vai ao encontro da natureza das mensagens que são passadas.

Há algum tema que seja a súmula de tudo isso? Que seja emblemático de “um dia destes”?
JR: Eu acho que a canção que passa mais essa mensagem e que consegue abordar quase todos os outros temas do álbum talvez seja “a estrada” e lá esta não é uma letra muito contida, é a maior de todas, mas como é uma espécie de viagem consegue abordar e ser o mote dos restantes temas do disco.

Algumas vezes os Anaquim estreiam músicas nos concertos que depois inserem nos álbuns, aconteceu o mesmo em “um dia destes”?
JR: Aconteceu com um ou dois temas, mas não mais do que isso. Até porque só no processo de gravação é que os temas sofrem uma metamorfose e acabam por ser diferentes do que tínhamos em mente. Portanto, esse apresentar as canções antes da apresentação só aconteceu uma ou duas vezes.

Em relação as melodias, vocês incorporam muitos genéros, que não são de uma sonoridade dita portuguesa, são muito díspares. Onde fostes buscar influências desde o klezmer judeu, ao bluegrass e a rembetika grego que não são musicalidades muito conhecidas do público português?
JR: É verdade, mas eu sempre ouvi muita música diferente. O Anaquim surge quando eu estava em outra banda de rock, mais virado para o punk rock e comecei a ter ideias que não se enquadravam naquele universo, então foi gravando e escrevendo. Como era uma composição tão espaçada as canções eram muito diferentes, o que não significava que não houvesse alguns pontos de contactos, através de ritmos bastantes fortes e marcados. O que acontece é o que vemos com a sonoridade de bastantes músicos que pegam na música tradicional portuguesa e mostram que ela tem um lugar no mundo, nós fazemos um processo contrário trazemos a música do mundo e provamos que ela se enquadra em Portugal. Os temas que escrevemos em português e a nossa maneira de fazer música, também podem ser em bluegrass, como com ritmos bálcanicos, ou judeus, ou gregos, pode ter isso tudo. O que pretendemos é não só mostrar que Portugal tem lugar no mundo, como também mostrar que todo o caldeirão do mundo têm lugar no nosso país e com um sentimento português.

Não ouviram já críticas nesse sentido dos ditos puristas musicais portugueses?
JR: Por acaso não acontece muito, porque o modo de estar de uma banda, não é só a melodia ou a música que fazem, são as letras, a atitude, os temas abordados, a postura e acho que nisso somos muito portugueses e vamos buscar muitas coisas portuguesas. De resto tudo acaba por ser um círculo vicioso em que todos os genéros de musicais vão beber uns nos outros, o fado tem muito contacto com a música árabe, há outros que acham que tem uma forte componente napolitana. No fundo vamos todos buscar coisas uns aos outros e adaptamó-las à nossa maneira. Nesse sentido tentámos mostrar que tudo pode ser música portuguesa, talvez não nos cânones mais tradicionais, mas não sentimos muito essa crítica.

Acham que a música portuguesa gosta de si e o público é reflexo disso? Ou ainda há um percurso por fazer?
JR: Eu acho que a música portuguesa e mais em particular a que é feita em português beneficiou de uma mudança de atitude dos média e do público em geral, em relação a si própria. Nós temos vindo a constatar nos últimos 10 anos que as pessoas abordam a música portuguesa com outros ouvidos e que já não é tão “foleira” e isso felizmente já desapareceu, ou esta bastante minimizado. Temos a noção que o público tem mais atenção as letras, uma maior abertura e um preconceito menor em relação aos projectos musicais portugueses nos palcos nacionais. Agora, o nosso país não permite um fluxo gigante de musicalidades como uma nação como os EUA, isso não acontece, infelizmente. Mas, sentimos que as bandas portuguesas tem conquistado muito público no seu mercado interno.

E a vossa projecção como banda? Notam que são mais reconhecidos fora de Coimbra?
JR: Nós temos tido a sorte de tocar, ganhar fãs e amigos em todo o lado onde vamos tocar. E notámos que essas pessoas actuam como “agentes de promoção da banda”, porque apesar de tudo ainda se vive muito desse passa-palavra e sentimos que a nossa base de apoio vai-se alargando e até mais do que isso, já tivemos a sorte de fazer uma tournée pela África Austral, fomos tocar ao Zimbábue, a Namíbia e a África do Sul e em Março vamos à Lion. Sentimos que estámos a cumprir um além-fronteiras onde a nossa música é bem aceite.

quarta, 01 fevereiro 2017 16:46

Aqueça o seu inverno com luxo

Mais tendências para este Outono-Inverno'17 que estiveram em destaque nos desfiles do Portugal Fashion.

Pedro Neto, um dos nomes a reter que saíram da secção Bloom, dos novos talentos nacionais, tem como tema da colecção a análise pessoal de uma figura feminina, Lady Godiva e os veludos foram um dos elementos chaves dos seus coordenados. Como refere o jovem designer de moda, “ esta protagonista viveu no séc. XI e foi uma referência para um quadro de John Collier. No entanto, é com este quadro que advêm as referências equestres para se fundirem com o conceito desta coleção, que pretende ilustrar uma mulher ingénua, mas simultaneamente determinada e muito forte nas suas convicções e na sua presença. Paralelamente a esta introspeção pretende-se transmitir o luxo utópico e a sumptuosidade através dos tecidos escolhidos como os veludos devoré e as lãs com acabamentos detalhados. Com a escolha do quadro de Lady Godiva, a ideia é submergir no mundo sumptuoso onde vive esta imagem com detalhes utópicos de luxo".

Outros Pedros desta feita “Pedro Pedro" destacaram um novo tipo de xadrez, que é uma das tendências deste inverno, sobre a sua colecção questionam, “uma imagem continuará a valer mil palavras quando vivemos asfixiados pelas imagens? And if the glamour is dead? Brutalismo. Desleixo. Proteção urbana. Um manifesto anti-glam. A roupa como casulo. A forma como liberdade do corpo. O corpo como interioridade. Silhuetas agigantadas, volumetrias generosas, cortes assimétricos, sobreposições de peças e bizarrias. Influência do vestuário masculino/ militar nos sobretudos e blusões. Malhas femininas de decotes generosos. Calças largas de linhas sport. Comprimentos exagerados. Materiais de agasalho e confortáveis. Lãs, feltros, acolchoados encerados e gabardines encerados que se conjugam com algodões e linhos rudes. Tricots grossos e jerseys de lã. Vichys e axadrezados marcam os motivos da coleção. Cores invernosas, terra e sóbrias. Do cinza ao beije e ao camel, passando pelo preto, caqui, verde, verdes néon e oliva".

Alexandra Moura apresenta uma colecção que se debruça sobre o masculino/feminino e também lança o debate, “género, pronome, indivíduo!? Uma reflexão sobre o impacto do feminino no masculino e vice-versa porque "em todo o indivíduo vive uma guerra misógina". A personagem e a espiritualidade de Anohni (F.K.A. Antony Hegarty), inundadas de sensibilidade, são o ponto de partida da coleção que nasceu dos seus esboços, recortes, colagens, da sua carga dramática e teatral, revelando-se de uma fragilidade que pede conforto. Os detalhes são trazidos de tempos antigos, das peças de roupa interior de ambos os géneros que se fundem para o futuro. A silhueta clássica é desconstruída e torna-se contemporânea. O peso dos materiais revela a imagem do conforto de um cobertor que protege de uma "falsa identidade". A sofisticação das texturas e padrões trazem às peças o romantismo e a plasticidade de outra época. A coleção liberta-se numa mistura de características femininas e masculinas num único ser, espírito e energia?."

A concreto de Hélder Baptista, apresenta coordenados onde "são predominantes os jacquards com figuras de animais em tons de preto e branco, com apontamentos de prata. Para simbolizar a proteção desta floresta as silhuetas são apresentadas em forma de tubo, justas, muito compridas com uma ou outra peça ampla e grossa a contrastar, mas curta. Todas elas são trabalhadas com relevos e texturas 3D, nos quais se representa a magnifica irregularidade das florestas, bem como as rendas e as suas transparências. Tudo isto é constituído por matérias-primas como lã e algodão, nos tons de preto, branco e cinza com apontamentos de bordeaux e prata que representam esta silver forest”.

quarta, 01 fevereiro 2017 16:44

A selva

É uma clássico da literatura portuguesa do aclamado Ferreira de Castro, um dos autores do neo-realismo.

“A Selva” é segundo o seu próprio autor uma epopeia assombrosa sobre a luta dos cearenses e maranhenses na floresta amazónica, mas ao terminar de ler este livro não consegui concordar com o escritor, muito pelo contrário e fui à procura de um antônimo que achava eu seria mais adequado para esta ode à miséria, exploração e martírio humano e a única palavra que consegui encontrar foi epigrama que não me soou também nada adequada, porque não traduz efizcamente o conceito de “sofrimento dos humildes”, como descreve o próprio Ferreira de Castro. Daí à minha própria descrição, uma viagem colectiva ao inferno mais profundo do Amazonas em busca de uma quimera que termina da forma mais bárbara e cruel que possam imaginar e que expõem o lado mais negro da alma humana. No Pórtico, e não epílogo, porque à minha edição é de 1957, o próprio Ferreira de Castro explica o porquê dessa sua estadia na praga verde ardente...a busca pela “lendária fortuna onde os homens se enclausuravam do mundo numa labuta de martírio para a conquista do oiro negro” e não, não estámos a falar de petróleo, ao contrário do que possam pensar, mas sim de borracha!Um produto de elevado valor comercial, ao nível internacional, no primeiro quartel do século XX, porque era usado nas rodas da maior inovação tecnológica desta época, o automóvel. O tal líquido precioso que ia tornar ricos os pobres endividados vindos de Portugal, dos vários cantos do Brasil e do mundo, mas vez disso, a selva tinha o poder de dizimar esse sonho da forma mais implacável e dolorosa possível. Não chegarei ao ponto de dizer que é totalmente auto-briográfico, mas tenho a certeza que o Alberto da nossa história vai “beber” muita da própria experiência pessoal de Ferreira de Castro, como emigrante, quando também ele procurou fazer fortuna no seringal do Paraíso, nas margens do rio Madeira e pelos vistos também não a encontrou. Em vez disso, trouxe a experiência vívida de uma existência precária e quase maldita de uma selva que não o matou por sorte, mas que assombrou a sua vida como um pesadelo. Não é uma leitura “simpática”, dígamos assim, mas é uma pérola literária de um autor, por vezes, esquecido, por isso recomendo-a. Boa leitura.

quarta, 01 fevereiro 2017 16:18

Veados voltam à serra da lousã

Como em outros países europeus, o nosso país tem experimentado um aumento no número e distribuição de ungulados selvagens nas últimas décadas.

Actualmente cerca de três mil veados-vermelhos (cervus elaphus) no centro de Portugal tudo graças ao programa de reintrodução da espécie, sendo que um dos mais emblemáticos aconteceu na Serra da Lousã, segundo um estudo intitulado de “the success of species reintroductions: a case study of red deer in Portugal two decades after reintroduction” de Ana Valente, Jorge Valente, Carlos Fonseca e Rita Torres.

A espécie que tinha deixado de ser avistada há quase século e meio no território nacional, devido principalmente à pressão da caça e fragmentação e destruição do habitat, foi alvo do plano global de gestão para a população de ungulados selvagens, que visou aumentar e restaurar a biodiversidade herbívora da região, bem como, teve a finalidade de permitir no futuro a caça controlada.
O projecto científico, que teve lugar entre 1995 e 1999, promovido pelo Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca, em parceria com a Universidade de Aveiro, colocou um total de 96 indivíduos, 25 machos, 56 fêmeas e 15 cervos, de outras zonas do sul de Portugal, nomeadamente, das zonas de caça em Vila Viçosa e Herdade da Contenda, numa área com o total de 92.053ha, entre Figueiró dos Vinhos, Penela, Miranda do Corvo, Góis, Castanheira de Pêra e Pampilhosa da Serra..

Entre Março de 2013 a Junho de 2014, os autores do estudo referem que “foram contados grupos de veado-vermelho em parcelas de amostragem colocadas ao longo de um total de 61 transectos distribuídos aleatoriamente, cada um com 1000m de comprimento, para estimar a abundância destes ungulados selvagens usando o método de amostragem de distância baseado em paletes (grupos com mais do que seis animais), para estimar a corrente densidade e distribuição de populações desta espécie na Serra da Lousã, duas décadas após sua reintrodução. Os resultados demonstram que, o projeto de reintrodução de veados-vermelhos nas montanhas da Lousã foi um sucesso, à medida que a população aumentava em número e se expandia para novos territórios".

Outra das conclusões realça que “políticas de gestão apropriadas devem beneficiar das informações geradas a partir desses estudos e alcançar um equilíbrio entre os diferentes interesses envolvidos, com uma compreensão abrangente da dinâmica populacional. Considerando o potencial ecológico e social do veado-vermelho, os futuros programas de monitoramento devem continuar a ser desenvolvidos, para dar conta de possíveis ameaças, bem como para identificar e minimizar possíveis situações de conflito".

http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/21513732.2016.1277265

sexta, 13 janeiro 2017 20:23

O orquestrofone

Trata-se de um trabalho em CD com direcção de Teresa Pais, directora do museu da Quinta das Cruzes e coordenação do musicólogo Vítor Sardinha e inclui um conjunto de 27 temas musicais daquele instrumento musical mecânico.

O Orquestrofone número de série 3151, da fábrica Limonaire Frères, é demonstrativo da relação estreita entre a história da ciência, da arte e do entretenimento. Tratavam-se de instrumentos que estiveram desde sempre vocacionados para a exibição pública em amplos espaços, como cinemas, feiras, salões de baile e tiveram uma manufactura largamente divulgada na Europa a partir de finais do século XIX e início do XX.
A sua complexidade mecânica, bem como a sua potência sonora, encobertas por uma enorme estrutura em madeira, com fachada sumptuosamente esculpida e policromada, justificaram o seu uso como instrumento de exploração comercial da música, animando bailes e festas ao ritmo de polkas, valsas, entre outras músicas, constituindo por si só, a atracção principal.
Fabricados, entre outros, pela firma Limonaire Frères, fundada em Paris em 1840, os orquestrofones permitiam uma execução musical inalterável, podendo substituir vantajosamente os músicos, factor bastante publicitado pelas firmas construtoras na época. A curta popularidade dos Orquestrofones chegou ao fim ainda no 1.º quartel do século XX, com a mudança dos hábitos sociais e com o aparecimento do fonógrafo, que alterou profundamente o modo como o público consumia música.

O instrumento mecanizado que integra as colecções do Museu Quinta das Cruzes é constituído por um corpo principal em madeira, profusamente decorado, e possui na face posterior um sistema mecânico de leitura de cartões perfurados, accionável por manivela com adaptação a motor eléctrico, que emite o sinal para os diversos instrumentos, permitindo a reprodução da música. Esta é hoje uma peça de grande interesse patrimonial, não só por constituir uma raridade no mundo dos instrumentos musicais mecânicos, como também por documentar uma época exuberante, presente nas suas decorações neo-barrocas, nos seus bonecos mecânicos, autómatos, e nas suas músicas arrancadas aos salões e teatros.
Este complexo instrumento, comprado pelo 1º visconde de Cacongo, João José Rodrigues Leitão, na Exposição Universal de Paris, em 1900, encontrava-se na Quinta de Nossa Senhora Mãe dos Homens, quando foi adquirido em 1978 pelo Governo Regional, por iniciativa da direcção do museu, ao herdeiro da família, senhor Ricardo Nascimento Jardim. Com esta aquisição foram também entregues diversos cartões de músicas que incluem valsas, polkas, rapsódias, marchas militares, hinos, bem como outras músicas clássicas e populares, perfazendo um total de 167 exemplares, destacando-se algumas pelo seu carácter inédito, como a versão d’“A Portuguesa” de Alfredo Keil de 1904, diversos Hymnos dedicados aos reis D. Carlos e D. Amélia, bem como os Hymnos Português (1900), Nacional (1904) e da Ilha da Madeira (1905).
O Orquestrofone, ainda hoje, cumpre com a sua função original de instrumento de diversão e divulgação musical, exposto ao público nos jardins do Museu Quinta das Cruzes.

http://mqc.gov-madeira.pt/

sexta, 13 janeiro 2017 20:18

Moda em alta, temperatura em baixa

Venha conhecer algumas das tendências que marcam esta época de baixas temperaturas.

Para este outono-inverno 2016-17 nada melhor para aquecer o corpo de uma forma muto fashion temos as capas, apresentadas na colecção dos Storytaylors, no Portugal Fashion sob, o lema ex-contos de fadas, como eles próprios referem, “quem disse que os contos têm que ser sempre de fadas, e ter todos bruxas, príncipes e princesas? Quem disse que os contos têm que começar com "era uma vez” e passar-se numa época remota e num local distante? Quem disse que a vida é ditada a uma dimensão? Quem disse que as estações só duram três meses. Subo as escadas para a Caminhada da Viúva Branca. Gosto deste ritual…” JD é contrabandista de criatividade. E é o mote de "The White Widow’s Walk”, o primeiro capítulo da história Alextimia.
Começamos em New Bedford USA pelos olhos de JD, na varanda que contorna todo o primeiro andar da casa que pertenceu a um capitão de baleeiros português. A estas varandas chama-se "Widow’s Walk – a caminhada da viúva”, por terem sido o posto de vigia das mulheres de marinheiros a aguardar o regresso dos maridos, que às vezes o mar não devolvia. Abrigado por um grande agasalho com capuz, JD olha para o céu e o mar, e pensa na viagem que vai fazer no dia seguinte rumo a Portugal; a sua mente tece uma espiral de imagens que vai trocar no seu local de destino. Qualquer coisa lhe sugere tudo, desde a vista que observa, ao livro que está a ler – "A Divina Comédia” de Dante. Neste despontar de primavera, falamo-vos de países onde a imaginação passou a ser taxada por oposição a outros onde criar ainda é livre. Falamo-vos de um tempo em que o ser humano oscila ao longo da sua vida entre ser homem e ser mulher. Falamo-vos de JD, um híper imaginativo que aprende a sentir através da partilha da sua criatividade e das emoções que desperta nos outros. Esse vício leva-o a trocar as suas sinfonias de imagens mentais por emoções, com quem não pode criar as suas próprias imagens sem pagar uma taxa. "E é assim que me torno contrabandista de criatividade”. E falamo-vos de moda e de peças de vestuário, de formas inconvencionais de criá-las e de construir visuais, de transformabilidade, de liberdade criativa e interpretativa, de emoções, de expressão e partilha. Propomos padrões e materiais que podem despertar uma multiplicidade de ideias e sensações. Propomos sobreposições de camadas que transformam a silhueta. Lãs, o burel da Burel Factory, pêlos, veludos, cetim, georgette, algodão, fibra. Texturas, cortes e motivos aplicados que sugerem conchas, espirais e escamas. Matérias-primas tradicionais portuguesas e materiais e acabamentos tecnológicos.

Os visuais são acessorizados com três modelos de sapatos Dkode personalizados especialmente para a coleção e por óculos Paulino Spectacles. Quanto às cores, os brancos de luz, de sonho e de gelo, e os pretos do desconhecido, do mistério, da proteção, no paradoxo de serem todas as cores e simultaneamente nenhuma, cinzas, azuis, reflexos molhados, motivos e símbolos delicados. Palavras-chave e express? oceano/céu/terra; imaginação/emoções; viagem/fantasia; sobreposições; sonhar/sentir; arte e ciência de mãos dadas; raciocínio/intuição; desafiar a convenção; contrabandista/mistério; delicadeza/força; descobrir(-se). Propomos hoje estas peças para amanhã e para depois, e depois, e depois. Sem limites! Desafiamo-vos a acompanhar-nos nesta viagem e a deixarem-se entusiasmar!

Já o “Pé de chumbo” aprensenta uma série de coordenados lindíssimos em lã numa "mistura entre jogos grossos de fios de lã e a delicadeza de rendilhados finos e transparentes, com contrastes de cor entre rosas e beges suaves até aos cinzas e pretos com pormenores de vermelho. A coleção Pé de Chumbo para o inverno 2016/17 tem uma leve inspiração étnica. As franjas e as cores em patchwork levam-nos a outras culturas. É uma mistura entre o rude e o delicado, uma mistura de dois sentimentos, dois estados. Estas propostas são diferenciadoras na medida em que o próprio tecido é desenvolvido pela marca através de um processo criado e aperfeiçoado conforme as coleções, quase manual na fabricação dos tecidos. Baseadas em técnicas artesanais, as peças são desenhadas e construídas uma a uma e fio a fio quase sem costuras, numa mistura de tecelagem e tricô que lhe confere um aspeto único e exclusivo. Esta coleção é o reflexo do principal conceito e motivo distintivo da marca Pé de Chumbo: as texturas".

Os brilhos e plissados marcaram a coleção de Alves/Gonçalves que “representa vários confrontos: oversize vs longilíneo, dialeto feminino vs masculino, simplicidade vs austeridade vs urbano, ordem vs desordem e baço vs brilho. Este é um trabalho onde é possível observar a leveza de matérias mais etéreas, conjugadas com outras mais espessas e de toque quente e macio. Detalhes técnicos nos acabamentos, fibras naturais vs fibras com superfícies artificiais, películas foil, all over, verniz, iridescente,. sobre veludos, rendas, crepes, e lãs. Plissados e estampados de inspiração nos tapetes persas. Os tons em evidência são preto, cinza, vermelho e azul profundo. Um look feminino, íntimo e irreverente, mas interpretando os novos códigos dos tempos de agora. Neste processo o clássico serviu de inspiração para a proposta, tornando-a mais emotiva e moderna".

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