Um olhar sobre o mundo Português

A edição desta semana dá voz  aos insurrectos, os que saem fora da norma e seguem a sua própria voz, como os meus convidados. 

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A outsider musical

Escrito por 

O nome surma quer dizer deixar a sua marca no mundo, esta associada a originalidade, ousadia, espírito competitivo, independência e a força de vontade, tudo sinónimos que se adequam na perfeição ao alter-ego de Débora Umbelino, a mente criativa por detrás deste projecto musical único e estranho como que ela própria se define.

Fala-me um pouco sobre o teu processo criativo para criar uma melodia? Utilizas samples de vários tipos e queria que me fizesses uma resenha de como isso funciona?
Surma: É um bocado em cima da hora, até porque num dia qualquer gravo um som no meu telemóvel e às vezes trabalho a partir disso para uma melodia. Outras, agarro no sintetizador quando estou em casa. Também acordo durante a noite quando tenho ideias na cabeça, levanto-me às quatro da manhã, vou trabalha-los ao longo da madrugada e depois volto para a cama de manhã. É o que me lembro na altura e começo logo a trabalhar esse som.

Depois dessas secções sonoras, essas ideias que vais tendo ao longo dos dias e depois juntas isso tudo que gravas para um tema?
S: Eu não tenho uma estructura muito definida, como por exemplo na música pop, onde há uma refrão, verso e melodia. Eu tento ligar os ritmos uns com os outros, vou trabalhando com o sintetizador por cima, meto a voz para complementar, é como se fosse uma construção por camadas. Como trabalho muito com loops a música acontece nessa base e depois vou contruindo a partir daí.

Estiveste em tournée e nesse períplo tens escritos temas para o teu próximo EP?
S: Sim, tenho gravado alguns temas com uma banda da Omnicord records também e estámos quase a acabar a pré-produção do álbum. Ainda faltam umas melodias, tenho trabalhado durante o dia para complementar algumas músicas do disco, também desenvolvo algumas letras, mas ainda falta muito trabalho por fazer.

E quando lançares este álbum qual é a ideia geral? Em termos de alma o que vai ser?
S: A ideia geral é que vai ser muito genuíno, porque é tudo feito na hora. Depois vou para o estúdio e trabalho muito na música. Tenho um tema onde batemos umas castanholas uma na outra e trabalhámos sobre esse som, ou então a sonoridade emitida por uma caneta a fechar. É um pouco virado para a ciência, não sei explicar muito bem esse conceito, é feito na base de pormenores e ruídos.

És muito diferente mesmo em termos de imagem, única em termos musicais também, como é que te encaixas no cenário nacional português?
S: Eu não sei bem, é uma pergunta que me fazem várias vezes, até me questionam sobre o género com o qual me identifico e eu não sei responder, porque nem eu mesma sei onde me encaixo na cena musical nacional. Eu sou experimental e estranha ao nível musical, sinto-me uma “outsider” para ser sincera.

E o teu público, agora que estás en tournée, já notaste quem são?
S: Eu acho que vai dos 8 aos 80 anos, porque vejo muitas crianças no público e depois avisto pessoas acima dos 50 anos. É um público muito abrangente, mas pelo que noto é muito mais dos 25 anos para cima.

Vamos falar sobre a tournée propriamente dita pela Europa, como foi a aceitação da tua música em termos do público estrangeiro?
S: Foi das melhores experiências que tive até agora, estava com um pouco de medo em relação as pessoas e se iam gostar ou não, mas no geral foi brutal. Sempre reagiram bem nos concertos, tivemos sempre salas compostas e os que foram entravam mesmo na atmosfera de cada concerto, acho que correu muito bem mesmo. Depois crescemos mais como artistas ao nível musical, como pessoas também e ganhámos muito com isso.

E os concertos ao nível nacional? Como estão a correr?
S: Os concertos fora são diferentes que cá dentro, porque são públicos diferentes., não sei. Mas, não me posso queixar, mesmo em Portugal a reação tem sido muito boa. Vai dar ao mesmo, tenho tido muito apoio das pessoas e do público que assiste aos concertos.

Já pensastes quando vais lançar este EP?
S: Sim o álbum esta previsto para setembro.

E tens um título previsto?
S: Tenho mais do que um, mas nenhum deles esta previsto para o disco. Não tenho um fixo.

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