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Em dia de aniversário, desta vez o sexto, nada melhor do que muitas mulheres maravilhosas e poderosas no seu dia especial. 

                        

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As lapinhas da ilha

Escrito por  yvette vieira fts nuno medeiros

 

Nuno Medeiros começou por esculpir a pedra por gosto, como um passatempo, as primeiras peças foram réplicas das casas e Igrejas de São Miguel para o seu presépio e depois disso nunca mais parou.

Armar o presépio ou mais correntemente, armar a lapinha, foi sempre uma tradição das ilhas, em São Miguel, nos Açores, tudo começa no século XVI, através das freiras que aproveitando o seu tempo livre construíam cenas da natividade utilizando cera, elementos disponíveis na natureza como conchas, musgos e flores secas para criaram presépios em campânulas ou caixas de vidro que eram autênticas obras de arte conventual. Com o passar do tempo foram sendo adicionadas peças feitas em basalto e pedra-pomes e hoje em dia, não há casa açoriana que não tenha o seu presépio, quer seja o mais tradicional ou não, como é o caso do artesão Nuno Medeiros, cuja paixão por estes cenários natalícios “começou há seis anos, porque queria fazer algo diferente do que estavámos habituados a ver, decidi construir um presépio com casinhas iluminadas, animadas, queria que chamasse à atenção das pessoas e fiz um que esteve aberto ao público na minha própria casa e há 3 anos que faço a “lapinha” na junta de Freguesia dos Arrifes”.

A paixão por executar peças em pedras nasceu de forma natural, é um auto-didacta, “não tenho ninguém na família que fizesse esculturas, queria construir réplicas de casas e igrejas típicas da ilha que são feitas de pedra, comecei por reproduzi-las e as pessoas gostavam”, como refere. As peças que compõem o seu presépio são feitas de pedra de basalto da Ribeira Grande, mais conhecida como pedra de lavoura e da ilha de Santa Maria que obtém de particulares, “compro de certas pessoas que tem esse tipo de rocha, levo a pedra em bruto e depois eu vou a uma serragem onde a cortam como eu quero”, a execução das peças não é difícil, ao seu ver, “desde que se tenha as ferramentas certas”.

Depois do sucesso da primeira versão animada do seu presépio, os pedidos não pararam de chegar, Nuno Medeiros, sublinha mesmo, “perguntavam-me o preço, mas eu ao princípio não queria vender”. Actualmente, nos seus tempos livres, executa peças minuciosas que vende para particulares em toda a ilha e uma das réplicas que lhe mais pedem para construir são os moinhos típicos da ilha, em tamanho pequeno, mas não recebe muitas encomendas do exterior, dos emigrantes, porque “são peças muito pesadas. Tive uma encomenda de uma coroa de pedra para o Santa Cristo, para os EUA, mas o transporte foi mais caro, que o valor das próprias peças”. O seu sonho é poder um dia viver desta arte, mas até lá,vai construíndo o presépio mais original a cada ano que passa. Bom Natal!

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