A Look at the Portuguese World

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360º de Aragão

Written by  yvette vieira fts yvette vieira

 

No ano que se comemora o seu centenário a ideia subjacente por detrás deste texto é fazer um pequeno grande trajecto pelas várias facetas do homem e do artista pela ilha e pelo imaginário da obra.

António Aragão deixou para a posterioridade um legado hercúleo que requer um conjunto de especialistas de várias áreas do conhecimento só para o compreenderem e estudarem. A sua insaciável curiosidade, a sua fome pelo saber e o modo como olhava o mundo fora da caixa, o ajudaram a extrapolar diferentes vertentes da sua personalidade inquieta e um tanto quanto excêntrica, através da arte e literatura. Apesar de ter um vasto trabalho como arquivista, historiador e até arqueologo, é na poesia que o seu nome é mais citado, como um dos pioneiros da poesia experimental portuguesa. 

Evocações, no “Mudas.Museu”, expõe um conjunto de dez fotografias que integraram a instalação a “Poesia Urro” apresentadas inicialmente na “PoEx80” que teve lugar na Galeria Nacional de Arte Moderna, em Lisboa e que contou com a curadia do também poeta Ernesto Melo e Castro.

O “Poema Urro” surge na segunda metade do século XX, de acordo com o estudo intitulado “Poesia Experimental Portuguesa e a recriação da poesia canônica de Lueny Amanda Oliveira França, Mailson de Moraes Soares e Izabel Guimarães Guerra Leal”, “Segundo Melo e Castro (1981) esse movimento inicia-se na década de 60, e teve como marco a publicação de uma revista denominada Poesia Experimental, que possui dois números: o primeiro, publicado em 1964 e, o segundo, em 1966, ambos organizados por António de Aragão e Herberto Helder. Nesse período, Portugal viveu um dos momentos mais sombrios de sua história, a ditadura imposta por António de Oliveira Salazar, presidente do Conselho de Ministros, do que resultaria a expressão “salazarismo”, que foi uma das mais longevas ditaduras vivenciadas na Europa Ocidental.
Nesse contexto de crise, opressora, tradicionalista e violenta surge a Poesia Experimental Portuguesa, como uma linha de fuga em relação à tradição literária lusitana, ao regime ditatorial e a aspectos obsoletos da sociedade portuguesa. A Poesia Experimental (doravante PO-EX) nasce como signo de uma época em que a linguagem, não apenas em Portugal, mas em boa parte do mundo, tornava-se um problema de ordem histórica. Melo e Castro (1981) esclarece que esse movimento literário busca a experimentação da linguagem, exploração das possibilidades visuais e o abandono da sintaxe convencional, ou seja, uma ruptura com a estética tradicional. A PO-EX eclode, portanto, como parte de um processo histórico mais amplo, internacional e intercontinental, propondo uma abertura para a produção criativa em contexto histórico opressor. Conforme Melo e Castro (1981), Portugal estava atravessando um período histórico de coerção. Com efeito, a PO-EX encontrou na linguagem a maneira mais enérgica de resistir à ditadura do Estado Novo. Uma linguagem desconstrutora, transgressora, intempestiva e descompromissada com a tradição, à procura de expressar novas verdades. Desse modo, a linguagem ia de encontro à estética tradicional, permitindo uma dimensão ampla e performática, distanciando a escrita do imediatismo representativo”.

Poesia Urro

Finalmente a poesia URRO!
Dez retratos sonoros da família Capela Gomes
Dez poemas, dez urros ou dez módulos áudio visuais dum comportamento poético familiar.

As dez personagens da família Capela Gomes atuam autonomamente e, por outro lado, permanecem ligados entre si pelos mesmos laços eltro-familiares. O denominador comum é o urro.

Finalmente poesia URRO!


1-VÍTIMA DE INVEJA
2-MENTIROSA COMPULSIVA
3-ASSASSINADO
4-NA INTIMIDADE “DAMA DAS VIRTUDES”
5-PENOSAMENTE SOLTEIRA FOI ADOPTADA
6-FUGIU DE CASA PARA CASAR COM POBRE
7-ALGUÉM QUE SE IMPUNHA DEMASIADO
8-MILIONÁRIO
9-VOZ DE ROUXINOL.OCUPAVA-SE DOS TRABALHOS DOMÉSTICOS
10-FOI ESTUDANTE DE COIMBRA VÍTIMA DE AMOR NÃO CORRESPONDIDO

user94822052 · Urro por António Aragão

  

A Casa da Cultura de Santa Cruz evocou, por outro lado, o mundo como era visto pelo olhar peculiar do artista, através dos seus trabalhos de poesia, com a da curadoria de Bruno Ministro, “Um desejo inconcebível de abrir portas” expõe o que, “São marcas de multiplicidade na obra que são marcas da multiplicidade de géneros literários e artísticos praticados pelo autor…”

  
                                                                                           A poesia começa onde o ar acaba
 
 
 
 
  

Na pintura e escultura há diversos exemplos do seu trabalho em colecções particulares, museus e  edifícios públicos em vários pontos da ilha, sobre esta matéria, no livro de Rui Carita, professor da Universidade da Madeira, intitulado “António Aragão:Pintura e escultura”, o também historiador define o artista como “o Homem de espírito irrequieto e inconformado, era capaz de fazer a ponte entre diversas áreas da criação, o que lhe conferia a capacidade de constituir um convívio apaixonante, juntando sempre uma excepcional e contagiante criatividade. Oscilando constantemente entre o trabalho criativo individual e solitário, e o de grupo mais ou menos selectivo de que se rodeava, conseguia transmitir aos que com ele trabalhavam uma especial dinâmica, ultrapassando sempre os parâmetros inicialmente equacionados. Capaz de transmutar infinitamente as palavras através do seu contexto morfológico e significativo, estético e visual, conseguia sempre chegar a resultados perfeitamente inesperados, tornando-se o seu convívio um verdadeiro privilégio”.

SANTA CRUZ ( MERCADO MUNICIPAL)

 

FUNCHAL (LICEU FRANCISCO FRANCO)

 

SANTANA (CÂMARA MUNICIPAL)

 

Para mais informações

Aragão.org

 

 

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