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Quinta do revoredo abre de cara lavada

Written by  Yvette Vieira fts Yvette Vieira, Vicentes

  

A Casa da Cultura de Santa Cruz (CCSC) reabriu as suas portas ao público, após uma intervenção profunda quer no interior, quer no exterior do imóvel, que culminou com a inauguração de uma exposição com 20 artistas madeirenses.

Setembro 2020. No caminho do Rei, número 35 ergue-se orgulhosa, arejada e engalanada a “nova” Casa da Cultura de Santa Cruz, a Quinta do Revoredo, que inaugura uma nova etapa da sua existência como equipamento cultural e municipal, após uma profunda reabilitação que devolveu ao edifício e os seus jardins circundantes uma nova face.
Segundo o coordenador desta instituição cultural, Emanuel Gaspar, a restauração era essencial, porque, “A CCSC estava muito degradada e agora passa a ter outra dignidade para receber todas as manifestações artísticas, não só as artes plásticas, mas também as restantes artes, como a música, quer as atividades mais eruditas, ou populares, A Quinta do Revoredo tem, agora, outras condições, trata-se de um imóvel que é património histórico, para além de ser um equipamento cultural que ganhou com estas obras outra dimensão”.
Para comemorar este feito, foi inaugurada uma exposição coletiva com 20 artistas regionais, que de acordo com o responsável cultural, “foram selecionados os artistas que por aqui passaram em exposições individuais, desde que sou coordenador desta Casa, por isso, era mais que justo que chamasse os mesmos artistas e fizéssemos uma festa. Foram 20 exposições individuais, 20 artistas e que agora se juntaram nesta coletiva de trabalhos artísticos”.

 

Ao iniciar um períplo pelo espaço exterior, deparamo-nos com as várias intervenções artísticas nos bancos ao longo dos muros da Quinta do Revoredo que foram também assinadas por vários artistas madeirenses que trabalham com a cerâmica, desde Patrícia Sumares, António Rodrigues, Helena Sousa, Trindade Vieira, Andorinha e Silvio Cró como refere Emanuel Gaspar, “houve toda uma liberdade criativa para cada artista criasse o que entendesse, não houve nenhum espartilho. É importante sublinhar que, os bancos, em particular, são um projeto que tem vindo a ser desenvolvido desde 2015 em parceria com a Escola Básica e Secundária de Santa Cruz, com a coordenação da professora Lucilina de Freitas que integra os serviços educativos deste espaço cultural e que se cumpriu na integra com todos os bancos deste jardim a serem cobertos de azulejos, retomando a tradição do azulejar português, mas com uma representação contemporânea”.

Uma dessas artistas convidadas para intervir num dos bancos foi Alexandra Carvalho que referiu sobre o seu trabalho intitulado “Família”, “eu já desenvolvia esta técnica de representação, através da cerâmica, há alguns anos. O meu banco destaca o que eu represento nos meus trabalhos artísticos, neste caso foi a família, digamos que são da minha bicharada e esses elementos representam os meus familiares mais próximos, quem esta junto de mim e com quem eu posso contar, são os sete do coração”. Quando questionada se tratou-se de desafio difícil numa estrutura pré-existente, a artista responde que não, “foi desafiadora até, também foi curioso dispor já de um suporte com determinadas dimensões, tratou-se de uma intervenção muito interessante”.

 

Outro dos bancos alvo de uma intervenção artística tem a autoria de Renato Nóbrega, sob o título “Mudéjar”, sobre o seu projeto elucidou que, “para além de artista, sou também professor e desenvolvo um projeto, através do Museu da Polícia Judiciária em Lisboa, que no fundo, valoriza os azulejos antigos. O meu banco é uma recriação de um azulejo hispano-mourisco com um padrão mudéjar. Desde 2017 no dia nacional do azulejo, procuro fazer uma intervenção na minha zona, neste momento estou destacado no centro de atividades ocupacionais de Santana, e desde 2015 temos vindo a desenvolver projetos educacionais com várias escolas onde damos a conhecer os azulejos locais. Este banco tem um desenho mourisco, porque em vez de ter as linhas em relevo é pintado ao contrário, os fundos são pintados com uma cor e como se trata de uma recriação pintei-os de azul cobalto, como trabalho a história do azulejo com as crianças quis trazer isto para aqui. Outra vertente desta intervenção em azulejo é o conceito de rotação. Temos um módulo e o padrão é o conjunto das quatro peças e ao fazer o módulo de forma rotativa no sentido dos ponteiros do relógio vai-nos mostrando, neste caso, uma flor. O que pretendo, é que embora o observador consiga ver sempre em rotação, trata-se de uma ilusão, mas o desenho esta sempre cá”.

Quando penetrámos no espaço interior da Casa, deparámo-nos com as obras artísticas dos restantes convidados, Tiago Perestrelo, Eurico Santos, Lucília Monteiro, Teresa Jardim, Mafalda Gonçalvés, Graça Berimbau, Rafaela Rodrigues, a obra arquitectónica de Paulo David, Alice Sousa, Martinho Mendes, Evangelina Sousa, Ângela Franco, Helena Sousa, Sérgio Benedito, e Freda Espiga Pinto, ao longo dos dois pisos do imóvel renovado, um deles é Paulo Sérgio Bejú, que sobre os seus dois quadros de pequeno formato, refere que “foram todos feitos de propósito para esta exposição, no fundo é uma revisão de tudo o que já fiz. Um chama-se “Crenças” e o outro “Preces” estão muito enraizados na geografia, nas crenças populares e, para esse efeito, regressei a um sitio que foi ao Geres para construir este trabalho. Quanto ao caracter espiritual que atravessa todo o seu trabalho, o artista sublinha que, “estes trabalhos, porventura, são onde se evidencia mais essa espiritualidade. Onde vou à natureza buscar uma erva especifica, que é a erva andorinha, também conhecida por erva betadine, porque liberta um liquido cicatrizante de cor amarela que utilizo como um principio do meu trabalho especifico, onde vou bordar e vou falar dos círculos, onde abordo essas questões da religião e da espiritualidade, é uma mistura de todo o mundo”. Outra interpretação destes dois trabalhos artísticos passa pela dualidade das duas áreas montanhosas, a Madeira e o Geres que “é um sitio, para mim, muito místico, alias, que conheço muito bem, com achados arqueológicos impressionantes dos nossos antepassados muitos longínquos e quis trazer tudo isso para o trabalho, toda essa mística, quis abordar todas essas sensações quando se utiliza uma planta que se imprime sobre o papel, cuja seiva eu uso no papel e que a partir daí se constrói uma narrativa”.

Outro dos artistas que se podem apreciar na Quinta do Revoredo é uma obra em pintura, de técnica mista, da autoria de Nelson Henriques, “este trabalho não foi feito de propósito para esta exposição, a pintura tem a ver com aspetos da minha vida, vivências que recriei e pintei aquele quadro em que as pessoas são convidadas a entrar e imaginar as relações entre as personagens e as histórias. São episódios que vivi que poderão ser interpretados de formas diferentes. É engraçado, já estou a obter algum feedback das pessoas que sentiram alguma coisa em contraponto com o que originou esse episódio e uma coisa não coincide com a outra”.

No piso superior, Dina Pimenta, remete-nos para o seu trabalho em mosaico, “esta obra esta inserida no meu percurso artístico, esta assinado em abril de 2020, eu já tinha feito outros trabalhos mais “dramáticos” e neste tentei sair desse drama e tinha necessidade em acreditar em algo positivo. Foi a pandemia que inspirou esta obra e também porque tenho uma grande ligação com as pedras, em particular, os mosaicos, dei aulas no Rio Grande do Sul, lecionava essa cadeira e é um tema que me entusiasma muito. Tem também a ver com a minha infância, quando era muito nova meu pai dizia que me tinha encontrado entre as pedrinhas do liceu”.

No final, ao questionar o coordenador da CCSC sobre a nova programação, adaptada à pandemia, o responsável respondeu, “a programação vai continuar a ser criteriosa como até agora tem sido, só que a Quinta do Revoredo tem outra dignidade para receber estas exposições, ou manifestações culturais. Tanto ao nível de arte erudita, como popular. Nós apostámos nos artistas madeirenses, nos emergentes e nos mais consagrados, mas também pretendemos ter uma abrangência mais universal, que inclua os artistas nacionais dentro das regras já impostas pela pandemia”.

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