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Photobook Club Madeira- O último jardim

Pensar o que é a morte corresponde, deste modo, a abraçar o que a vida é.
É sabido como, no seu “Cântico das Criaturas”, São Francisco de Assis apelida de irmãos e irmãs o sol e as estrelas, o vento e as nuvens, a água ou o fogo. Mas apenas por duas vezes nessa composição se usa o possessivo para dizer não irmã mas “nossa irmã”. A primeira é quando Francisco se refere à terra. A segunda vez é quando fala da morte: “Louvado sejas, meu Senhor,/ pela nossa irmã, a morte corporal,/ da qual homem algum pode escapar.” A terra e a morte são, de facto, duas experiências que substancialmente definem o âmago da nossa humanidade. Somos criaturas terrenas e seres destinados a realizar a experiência da morte.
Pensar o que é a morte corresponde, deste modo, a abraçar o que a vida é. A morte está conosco desde sempre e, mesmo se não nos damos conta, acompanha-nos.

É realmente impossível viver sem os outros. A ausência daqueles que amamos continuará a doer-nos até ao fim. E continuaremos, até ao fim, a trabalhar interiormente esse vazio, que depois se descobre não ser só vazio mas também excedência, também companhia, pois a memória dos nossos mortos é uma pátria sagrada que não nos larga. A ela vamos buscar a força, o entendimento de nós mesmos, a palavra que nos disseram, o gesto com que nos surpreenderam, o rastro do coração que neles bateu tão forte e do qual nos sentimos para sempre herdeiros.

Penso muitas vezes que Herberto Helder perdeu a mãe aos 8 anos de idade e que, quase 25 anos depois, escreveu talvez o mais belo poema da nossa literatura sobre a figura da mãe. O tempo do afastamento surge transformado em tempo para uma presença que perdura. O poema de Herberto conclui-se assim: “…o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,/ e através dele a mãe mexe aqui e ali,/ nas chávenas e nos garfos./ E através da mãe o filho pensa/ que nenhuma morte é possível e as águas/ estão ligadas entre si/ por meio da mão dele que toca a cara louca/ da mãe que toca a mão pressentida do filho./ E por dentro do amor, até somente ser possível/ amar tudo,/ e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.”
Cardeal D. José Tolentino Mendonça

“O último Jardim” é o resultado de recolha fotográfica nos vários espaços fúnebres, leia-se cemitérios, das Freguesias da Idanha-a-Nova, um trabalho que através da objetiva, projeta na tela fotográfica, leituras diversas, rituais de memória eterna e lugares de culto terreno.

Exposição com imagens dos 21 Cemitérios das Freguesias da Idanha-a-Nova até final de Novembro

Com referências ao cemitério como
“O Último Jardim” as flores ao redor dos túmulos.
"Aqueles que cuidam de nós" Imaginário de Santos, Virgens...
Textos de “frases de recordação” em homenagem ao falecido.
"Os retratos" fotografias do falecido.
“O Jardim do olvido” um Jardim se não for cuidado se degrada e perde a memória.

Mapa com localização dos 21 Cemitérios das Freguesias da Idanha-a-Nova com código QR de identificação e link para fotografias do cemitério

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