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Era uma vez o natal

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Siga-nos ao longo dos corredores da Casa Museu Frederico de Freitas pela história do Natal, através dos presépios e meninos Jesus de vários tempos idos. Um períplo apresentado pela diretora deste espaço museológico, Margarida Araújo Camacho, e cujo espólio, inclui também peças cedidas pelo Museu da Quinta das Cruzes.

Começámos a visita com uma peça do século final do XVIII- XIX é uma caixa muito bonita com todas as estruturas em miniatura, como a maioria dos presépios portugueses tem a adoração dos pastores e ao nível de cenas religiosas tem o roteiro dos Reis Magos e na ponta a fuga para o Egipto, todo o resto é uma série de camponeses e de figuras populares nos seus diversos afazeres, de um lado as lavadeiras, do outro o corso.
O presépio, por norma, era apresentado num torrão de três diferentes maneiras, num altar, numa sala, ou numa caixa-oratório, aqui temos este exemplo de uma caixa-presépio, como se designa na Madeira que no Continente são apelidadas de maquinetas de presépio.


A maioria dos exemplares que possuímos são em escultura e possuem diversos tipos de suportes, neste caso temos o presépio pintado num prato de porcelana chinesa, chamada de porcelana de encomenda é feita, por norma, na China para o mercado europeu. Esta é uma peça datada no século XVIII, 1745-50, no reinado do imperador Qinlong, o presépio esta no centro e este tipo de serviços eram encomendados exclusivamente para ornamentação das casas.


Para quem desconhece a palavra presépio vem do latim presepio que quer dizer manjedoura, depois este termo alarga-se e expande-se até os nossos dias, porque não se refere apenas ao menino, mas a toda a sagrada família, Outro facto interessante que é referido por um dos grandes especialista, o Alexandre Nobre Castro que tem vários livros publicados nesta matéria em Portugal é que ao contrário da restante Europa o que predomina no cenário é a adoração dos pastores. Aqui na Madeira o que noto é que há mais cenas da adoração dos Reis Magos, portanto, eu não sei se há uma especificidade da ilha ou não. Mas, o que sei é que temos várias peças soltas e nelas temas sempre a mesma temática representada, no Museu da Quinta das Cruzes eu encontrei pelo menos três cenas deste tipo, penso que muitos privados também possuem a adoração dos Reis Magos e todas as que aqui estão são do século XVIII, são muito bonitas, muito barrocas, e cheias de expressão, porque o que é interessante é que os presépios apenas aparecem como culto com São Francisco de Assis, a partir do século XIII e começam com cenas um pouco teatrais.

Depois o tempo foi evoluindo e os presépios são encenados com as figuras presas as paredes dos altares, são grandes peças de escultura, a virgem Maria, São José e o menino Jesus que na altura do Natal são retiradas para encenar o presépio. As referências mais antigas que temos desta temática são do século XVI e XVII e em Portugal o que vemos mais é a encomenda de caras, mãos e pés para figuras de presépio o que pressupõe que seriam figuras de roca, o que faz algum sentido, porque o espaço é muito maior e sendo de roca podiam ser adaptadas para uma posição de uma certa teatralidade, o que faz sentido porque este tipo de cena não só conta a história, como aproxima as pessoas da religião e da mensagem dos evangelhos.
Quando os conventos e as Igrejas se começam a aproximar cada vez mais das pessoas, o que acontece? Os presépios diminuem de tamanho e cada qual passa a querer ter o seu e gradualmente são presépios de encomenda, são para uma elite com formação, são encomendas reais, conventuais e para famílias de certas posses, porque estas peças raramente são executadas por apenas uma mão, o que as torna caras. Temos uma nossa senhora com o São José e o menino e possivelmente há representações de anjos ou pastores, depois três Reis Magos e um Deus Pai em cima. Nesta peça temos uma representação dos três Reis Magos a caminho de Belém, em Jerusalém primeiro e depois com o menino.


Até século XIV nos presépios os Reis Magos apareciam todos representados com o mesmo detalhe, porque nos Evangelhos não esta especificado o número, a raça ou proveniência destes homens sábios. A partir desta data passaram a ser designados de Reis porque eram seguidos por um grande séquito e as suas ofertas eram ricas, daí o estatuto real e seriam respetivamente o Rei da Pérsia, o Rei da Arábia e o Rei da Índia. Depois passarem também a ter 3 categorias diferentes de representividade do homem, o jovem, o adulto e o sénior. A raça passa a ser apresentada nesta época, os europeus, os asiáticos e os negros e finalmente estão representados os três continentes, a Europa, África e Ásia e assim chegaram até nossos dias estas figuras dos Reis Magos.
Esta casa-presépio, é uma peça da Casa Museu Frederico de Freitas, é a mais chamativa da coleção, é de origem portuguesa, decorada com trabalho de prata dourada e as pedras são feitas de vidro para dar no fundo algum colorido. O interior são figuras do século XVII em barro cromado. Estas caixas mostram já devoções um pouco mais privadas e tem a ver com muitas freiras que entram para os conventos e trazem as suas caixas e algumas são encomendas. As decorações interiores eram feitas individualmente pelas irmãs nos conventos. É engraçado que se nota na construção dos presépios não só a criatividade, como o engenho na sua construção, mas também a rivalidades entre as pessoas para construir a peça mais bonita e isso nota-se nas caixas natalícias e um das coisas mais bonitas que não sei se notaram, todas as águas são pedaços de espelhos e há pinturas a representar as paisagens que ajudam a mostrar estas várias fases da vida de Jesus.

 

Este presépio é feito em madeira pintada e dourada e por dentro as figuras são lindas, um menino Jesus e um João Baptista Evangelista em gesso cromado em dourado, é um trabalho do século XIX.

O menino Jesus em escadinha, típico da Madeira, mas não só também no Algarve, é o presépio mais fácil de construir e acessível para as camadas mais humildes da população, quase toda a gente o tinha na sua casa. Só se necessita de transportar a imagem e depois construir o trono, no fundo é uma saudação ao menino que se encontra entronizado. Desde as escadas mais elaboradas, como é o caso, forradas com rendas as mais humildes, as caixas, por norma, eram de cereais em vários tamanhos que se forravam com papel e de resto o que há para oferecer ao menino? As dádivas que se pedem, por isso, é que aparecem as frutas, as searinhas e os pãezinhos que eram cozidos e guardados para os próximos anos. Esta peça é do século XVII em madeira cromada em dourado e os pastores este ano os que se encontram aqui representados são do Porto Santo, são feitos de um barro seco ao sol, que escurece com o tempo e tem facilidade em se desfazer, em termos de conservação esta confraria do Santíssimo só é exposta em ocasiões muito especiais, porque é muito frágil.

Este menino Jesus por norma, está guardado numa maquineta, mas temo-lo em escadinha. É uma peça linda, de madeira policromada, tem os olhos de vidro, é do século XIX e tem um fato. Esta peça de vestuário foi bordada pelas irmãs dé um convento.. Este menino, tem pulseiras, colares e as peças são em prata.


A descida da cruz que expomos poderia pertencer a um presépio, porque nas antigas encenações se poderia encenar toda a infância, a vida adulta até a ressurreição e possivelmente esta peça seria parte de um conjunto.

 

Temos aqui peças feitas para portugueses no oriente, indo-portuguesas, ou sino-portuguesas, eram feitas por artistas locais, os que provinham das Filipinas eram feitas por artistas chineses, imagens essas que eram muito importantes na evangelização e da difusão da fé cristã. Este menino era apresentado deitado numa cama, ou berço e foi trabalhado em barro.

  
Este lindíssimo presépio em rochinha mostra as várias fases da vida de Jesus, é constituído por várias peças que escolhi de ambos museus, aqui na Madeira, havia o hábito de ser ver os presépios nos conventos e igrejas, mas também em casas particulares.
Um dos mais conhecidos é o presépio do Bertoldo, que entrou para a coleção de César Gomes, que depois foi encaminhado para o Museu da Quinta das Cruzes. Tentámos aqui recriar várias cenas, desde o casamento da virgem Maria até um massacre dos inocentes muito autêntico, do século XVIII, a chegada à Belém, a adoração dos Reis Magos, o nascimento de Jesus, a anunciação dos pastores e depois a cena da circuncisão do menino, que é feita após oito dias de vida e que na tradição judaica significava a entrega do nome, é um ritual muito semelhante ao batismo e ao avançar no tempo temos a apresentação do menino no templo. Este tipo de cenas aparece muito em obras encomendadas pelos jesuítas, porque a sua sigla é IHS, são devotos de Cristo e assim terminámos com desejos a todos de um feliz natal.

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