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40 anos/40 jornais

Escrito por  yvette vieira fts Bárbara Fernandes

 

O Museu da imprensa, em Câmara de Lobos, efectou uma retrospectiva dos jornais da autonomia madeirense. Uma exposição que visa assinalar o 40º aniversário da autonomia da Madeira em que aparecem todos os jornais publicados desde 1976 até a presente data, como nos explica o seu director Lourenço Freitas.

Quais são as particularidades da imprensa madeirense nos últimos 40 anos?
Lourenço Freitas: Tem particularidades interessantes. O primeiro jornal imprenso na Madeira chamava-se o “patriotra madeirense” foi em 1821 e foi o primeiro jornal insular de Portugal e fora do continente português. Os Açores só começaram a imprimir jornais dez anos depois, numa altura em que a Madeira já tinha 9 títulos.

E já tinham subjacente essa ideia da autonomia na linha editorial?
LF: Sim, já. Podemos dizer que o edital do patriota madeirense, o editor que era o Nicolau Pita tem um editoral em que afirma essa consciência política insular já é realçada nessa altura. Depois disso todos os jornais, não todos de uma forma linear, “vestem” a camisola da autonomia durante todo o século XIX, até que no princípio do século XX, o jornal da Madeira, em 1923, promoveu um inquérito sobre a automia com diversas personalidades locais. Esta defesa de uma consciência insular é promovida e construída durante todo esse tempo.

Depois tivemos a ditadura onde havia semanários e jornais e que possuim linhas editoriais que fugiam da censura por causa da distância.
LF: Isso vai acontecer quase só com o Comércio do Funchal

Porquê? O que acontece com as restantes publicações?
LF: As restantes publicações digamos que se adaptaram as circunstâncias do tempo. O Comércio do Funchal vai ser dinamizado, a partir de 1967 por um grupo de jovens, a cabeça com Vicente Jorge Silva e é tipo uma pedra no charco, é um jornal interventivo, com essa consciência insular, política e depois vai crescer e deixa de ser uma publicação regional para ter uma dimensão nacional, foi o jornal madeirense de maior projecção na imprensa da Madeira. Há um fase em 1972, 1973 em que o Comércio do Funchal era vendido em oito estabelecimentos comciais na ilha e só em Lisboa era em 40 e depois tinha a outras cidades desde Coimbra, Porto e Guimarães e também nos países de acolhimento de portugueses.

Então voltando um pouco atrás, achas que esta necessidade de ler jornais aparece por causa do isolamento, devido ao sermos ilha?
LF: Não, nessa fase há como que um entusiasmo nacional pela imprensa, pelas publicações. Até as invasões francesas Portugal não publicou muitos jornais, quando a corte portuguesa vai para o Brasil depois há uma necessidade de reagir ao invasor e essa urgência surge através da imprensa. Os portugueses imprimiam os períodicos fora do país, na emigração, nomeadamente na Inglaterra e as ideias liberais trazidas pela revolução francesa vão levar também a isto na publicação de jornais. Os Açores também acompanham esta onda, só que a Madeira teve a felicidade de ser mais cedo, mas também tem a ver com essa necesssidade de “quebrar” algum isolamento.

Após o 25 de Abril quais são as linhas editoriais dos jornais? Porque durante este período qualquer pessoa podia fundar um jornal.
LF: Até o 25 de Abril havia a censura e constragimentos ao nível do aparecimento de empresas jornalísticas. Com a revolução dos cravos aparecem os novos jornais publicados a partir de 1976 até aos anos 80, nessa altura muito politizados, não todos, mas alguns, eram muito à esquerda, alguns independentistas, também surgem jornais de movimentos católicos, mas nessa fase são marcados por muita intervenção política. Depois a partir dos anos 80 há uma derivar para uma linha editorial mais de informação geral, ainda que com algumas nuances políticas de reacção ao governo regional, que é maioritário, surgem mesmo jornais de oposição ao governo da altura. Só na década de 90 temos jornais novos desapaixonados das ideologias e projectos políticos, estou a lembrar-me do Notícias da Madeira publicado em 1993, era uma jornal de informação geral completamente plural e objectivo, depois disso surgiram muitos nessa linha informativa sem marcações partidárias.

Temos que falar do percurso de um jornais ainda marcantes da realidade regional que é o Diário de Notícias.
LF: Sim, o Diário de Notícias não entra nesta exposição, porque se trata de jornais nascidos com a autonomia e o DN atravessa e esta presente nesta mostra porque atravessa este período, este ano faz 140 anos e continua a ser um jornal de referência plural e que depois do 25 de Abril vai tornar-se popular e activo na sua acutilância informativa e vai ser o mais lido na Madeira. Segundo os estudos do próprio diário tinham uma tiragem 20 mil exemplares, mas era lido por 100 mil pessoas.

Depois desta retrospectiva destes 40 anos, olhando para a actualidade a imprensa escrita passa por uma crise motivada em grande parte pelas novas tecnologias, nomeadamente, a internet, mas as novas gerações não leem jornais imprensos, não vão buscar informação nos canais mais tradicionais.
LF: Isso é verdade e é uma questão nova, é um contexto que tem de ser tido em conta pelos jornais ainda existentes. As publicações tradicionais se quisserem subsistir vão ter de se adaptar aos novos tempos. Vão ter de ser publicados online e de ir ao encontro aos gostos das novas gerações, os jornais não vão deixar de existir, porque nem toda a gente tem internet, estudos publicados recentemente em Portugal apontam para a penetração da internet em cerca de 66%, existem 34% que não possuem essa tecnologia nem que seja por estes as pessoas vão continuar de fora dos novos media. Os jornais vão ter de se adaptar e ir ao encontro de novos suportes e eu acredito nos jornais, porque são instituições que fizeram um percurso em que os leitores acreditam nessas publicações, os que enveredarem pelo formato online os leitores vão atrás, o que as empresas jornalísticas tem de fazer é modernizar-se e adaptar-se aos novos meios de divulgação de informação.

Destes títulos expostos qual é que achaste mais curioso em termos de produção editorial
LF: Essa é uma pergunta interessante e não posso responder com apenas uma referência, porque esta exposição é composta por 40 jornais e se me permites posso nomear três, um jornal engraçado é intitulado “semilha”, é um jornal humorístico que só se publicou um número, depois temos o “nhau nhau” que é sarcástico e interventivo que foi uma redição de um jornal que existiu durante décadas ele é relançado desde 1996 até 1998. Dos jornais de informação geral realço o “Noticias da Madeira” que veio lançar um novo produto na comunicação social madeirense que fez com que toda a restante comunicação social se moderniza-se, foi um jornal que obrigou a introduzir a cor, obrigou as redações a se modernizarem em termos informáticos e pagou mais aos jornalistas e fotográfos, veio mexer com o sector.

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