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Devagar

Escrito por  yvette vieira fts bárbara fernandes

 

A exposição de Marta Ubach esta patente até o dia 27 de novembro, na teia, do Teatro Baltazar Dias. Uma proposta artística recheada de bichos encantados e cenários bucólicos, que deve ser comtemplado com vagareza.

O que esta exposição “Devagar” acrescenta ao teu trabalho ao longo destes anos?
Marta Ubach: Em todas as exposições há sempre uma necessidade do artista de melhorar o seu trabalho. Ir conseguindo estar mais próximo daquilo que será o melhor do seu trabalho. A metodologia é sempre a mesma ter um tentar que o trabalho fique melhor.

O teu trabalho incide muito sobre um certo tipo de personagens, animais, há todo um cenário quase que fantástico. O que te inspira para criar estes seres nos teus desenhos?
MU: Isso da inspiração não sei, não faço ideia. Mas, realmente são elementos que estão presentes, que são comunicativos e quase sempre aparecem na tela é um facto.

Mas, da tua parte há muita contemplação da natureza?
MU: Sim, isso é realmente bem visto, acho que sou contemplativa.

E as personagens surgem de livros que lê?
MU: Não, surgem na tela. Não faço ideia, é um conjunto enorme de memórias, desde à infância, os livros que li, ou das pessoas que conheci.

Quando pinta uma tela existe uma história por detrás da tela quando o termina?
MU: Não, o quadro nasce sozinho naquele momento.

Falemos das cores, tem uma paleta muito restricta, quase monocromática. Qual é porquê dessa escolha?
MU: Não é uma paleta muito pensada, são as cores de que aproximo e com as quais vou lidando, mas também não é um processo muito racional.

Mas, há uns com tons mais claros e outros mais obscuros, quase como se estivéssemos numa floresta mais encantada. Os últimos reflectem períodos da tua vida mais introspectivos?
MU: Talvez, é muito difícil de saber, o trabalho é algo muito genuíno, vai mais à frente do que nós. Não sei bem, às vezes, os quadros reflectem um período em que estava com os astros mais alinhados.

Em termos de método só vai para o atelier em determinado momento do dia, ou apenas trabalha quando esta inspirada?
MU: Vou mesmo por obrigação, como quando vamos para o trabalho. Eu sei que tenho de trabalhar e depois começo pouco a pouco.

E não há dias em que nada saí?
MU: Claro que sim, como qualquer um de nós quando esta a trabalhar há períodos em que não o estamos a fazer bem, acontece com todos.

Nesta série do “Devagar” tem algum preferido por algum motivo, ou que esta mais bem conseguido?
MU: Isso seria injusto com os outros (risos). Claro, que existem três que já estavam expostos em Lisboa, os restantes foram realizados para esta exposição. Acho que levaria para casa o primeiro de todos, mas gosto de todos.

 

O que te atraiu no trabalho da Marta Ubach para a teres como artista residente na galeria das Salgadeiras e seres a curadora desta exposição “Devagar”?
Ana Matos: A Marta Ubach é a artista com quem eu trabalho há mais tempo. Esta é a terceira exposição, a primeira foi na galeria em 2003, temos uma relação de grande cumplicidade. Trazê-la à Madeira resulta da parceria que temos com o Teatro Municipal Baltazar Dias e foi muito natural, porque ela gosta de vir até à ilha, como as questões da natureza é algo que esta muito presente nesta exposição e um certo estado de espirito de calma e sossego daí o nome “Devagar” que tem a ver também com a sua maneira de ser e estar.

Mas, do que é que gostas no seu trabalho?
AM: Gosto da figuração da Marta, é misteriosa, por vezes, tem um lado mais obscuro nas criaturas que nos traz e é uma pintura que me interessa pelo seu monocromatismo. A pintura dela esta mais próxima do desenho, pela sua composição e foram essas duas características que me interessaram no seu trabalho.

Acabaste de dizer que tens uma parceria com à Camara do Funchal, mas já tens um projecto aprovado?
AM: Quando fizemos essa proposta à Câmara e ao TMBD propus duas exposições, porque não fazia sentido de outra forma. Já fiz quatro exposições com artistas cá na Madeira, na Casa das Mudas, e agora, nesta parceria apresentei uma ideia já em projecto. No fundo são duas exposições, esta em novembro e uma segunda da Joana Latka, no próximo ano, que é uma artista polaca que reside em Portugal desde 2002. O seu trabalho incide sobre gravura e desenho, ela é uma pessoa observadora, não tanto da natureza como nos cenários bucólicos do trabalho da Marta Ubach, mas é mais um registo do dia-a-dia, do quotidiano. Para já são estas duas e também de haver interesse de ambas as partes, por isso, vamos a ver o que acontece a seguir, a intenção é que haja essa continuidade.

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