Um olhar sobre o mundo Português

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Habitat

Escrito por  yvette vieira fts josé syberchema

 

“O olhar de um animal, o que nele sem palavras deflagra, pode interrogar-nos de uma forma tão profunda que acorda em nós graus de verdade que maior parte do tempo nos escapam”, é com este paragráfo introdutório que o poeta José Tolentino Mendonça dá o mote para a nova exposição da artista plástica Alexandra Carvalho, patente até dia 11 de Março na Casa da Cultura de Santa Cruz.

A exposição tem uma como título Habitat, porquê?
Alexandra Carvalho: Nasceu da ideia de criar um espaço não físico, mas sim, imaginário, que coabitasse no fundo com a minha bicharada. É também a relação que existe com à nossa realidade, os habitats que temos à nossa volta, também com bichos que são reais.

São seres de um imaginário?
AC: Sim de um imaginário, no entanto, tem referências de animais que existem no nosso planeta. Há pessoas que me dizem que parecem um dinossauros, ou ratos. No fundo vou buscar certas características dos bichos, ou animais como as pessoas ligadas a ciência dizem, tenho várias características no ponto de vista formal e crio vários bichos a partir daí.

Muitos destes seres estão enrolados, parecem quase que estão a hibernar, são muito redondinhos, há algum significado por detrás de toda essa dinâmica?
AC: Exactamente, a linha curva é mais serena, mais tranquila e carinhosa. No fundo, a linha não recta que utilizo tem essa referência, mais quentinho e harmonioso, quase mais aconchegante.

E as cores, são muito fortes, são quadros coloridos.
AC: Embora eu use muito o negro mesmo no meu dia-a-dia, através do vestuário e as pessoas pensem que sou negra, não sou. Adoro utilizar nos meus trabalhos cores muito fortes e vivas e em todos os meus quadros há essa característica dominante, ao nível cromático, cores fortes, vibrantes e contrastantes.

Como é que surgiu o contacto com o poeta José Tolentino Mendonça?
AC: O Tolentino faz parte da minha adolescência, conhecemo-nos antes dele sair da ilha e tenho uma grande estima por ele e pelo trabalho que tem editado. Daí que ele participasse numa exposição minha, porque já tinha essa ideia há algum tempo, surgiu esta oportunidade através do Emanuel Gaspar, que é um amigo comum, fez o convite, ele aceitou e eu fiquei rendondamente satisfeita.

Como é que isso funcionou, envio-lhe trabalhos já prontos?
AC: Enviei imagens das obras já acabadas, um grande conjunto, não estavam todas realizadas, ele observou e daí a escrita do texto que acompanha a exposição.

Já não realizava uma exposição individual há algum tempo e decidiu dedicá-la ao seu marido e filho, porquê?
AC: Não foi bem assim, eu de facto não tenho exposto há algum tempo, tenho participado em exposições colectivas e esta surguiu através de um convite do responsável pela Casa da Cultura de Santa Cruz. Pensei sobre a temática, o espaço e nos quadros e depois decidi não vender os trabalhos, porque pretendia homenagear o meu filho e o meu marido que de certa forma habitam o meu habitat diário. Eles mereciam esta exposição, estes trabalhos e foi isso que em realidade aconteceu e no dia da inauguração eu revelei isso, porque era uma surpresa.

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