
Francisco Maya compõe diversos dialógos artísticos que aparentemente são opostos, mas no final complementam-se. São mundos paralelos que pretendem abordar não só o universo, como o mundo que o rodeia.
Na sua obra existem várias dialécticas. Há uma parte de pintura e outra de fotografia.
Francisco Maya: E outra ainda que é uma mistura de tudo. Existe o desenho que é por onde comecei, porque acho que qualquer artista deve saber desenhar para aprender a “esgalhar”. Há uma outra fase que é a pintura e no final apaixonei-me pela fotografia, contudo faltava-me qualquer coisa e é aí que entra o design. Acho que um artista é uma mente inquieta e considero-me como tal, por isso, tenho uma necessidade de experimentar, fazer coisas novas e consegui a conjugar estas três componentes artísticas.
Mundos paralelos porquê?
FM: Porque acho que não estámos sós neste universo tão grande, há tanto para desbravar. A minha pintura tem um pouco a ver com essa componente cósmica. Por outro lado, são expressões de artes paralelas.
As suas obras quer na pintura, quer na fotografia são a preto e branco, com apontamentos de cinzento e de alguma cor. Foi esse o fio condutor pelas várias obras?
FM: Eu sempre gostei muito do preto e branco. Mesmo no desenho sempre usei estas duas cores, na pintura e na fotografia já tive uma fase de cor, mas sempre estive muito agarrado ao preto e branco, são cores que me fascinam, conseguimos tonalidades de cinzas com contrastes brutais.
Há uma terceira componente nesta exposição que é a manipulação fotográfica de algumas das obras. É o artista gráfico que esta por detrás desses trabalhos?
FM: Sim, bastante. Aliás, a base da maior parte destas obras são desenhos, depois fotografo esses esboços, misturo com a fotografia, imprimo em tela ou num outro suporte que eu achar que é o mais adequado e aplico a pintura por cima.
Esta é uma nova fase que pretende desenvolver por mais tempo?
FM: Sim, claro que sim. Não sei se a seguir vem outra, acho que a arte é isso mesmo experimentar e dar largas à nossa imaginação.
Porquê estes mundos paralelos só agora?
FM: Porque ando há vários anos, pelo menos quatro, a trabalhar muito nesta nova fase. O artista muitas vezes fecha-se para poder criar, estámos no nosso mundo e estive nesse período a trabalhar intensamente e creio que chegou o momento de mostrar ao público o que estou a fazer.




