Um olhar sobre o mundo Português

 

                                                                           

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O corpo electrico

Escrito por  yvette vieira

Trata-se de um documentário que aborda o quotidiano de um grupo de dança inclusivo. Um tema sobre a diferença que levanta algumas questões sobre os limites do ser humano. Uma abordagem da Die4films que nos "oferece" um mundo não assim tão diferente do nosso.

Porquê da escolha de "dançar com a diferença" para o vosso primeiro documentário?
Filipe Ferraz: Estamos a começar a empresa, e precisávamos de um trabalho com uma grande visibilidade. Um mais documental, não tanto os vídeos institucionais que estávamos fazendo. Foi o nosso risco na produção de "dançar com a diferença", foi um certo egoísmo, dada a visibilidade que eles tinham também., que é um projecto que não é exclusivamente regional mas uma abrangência, mundial, global. E isso permitia que o documentário tivesse interesse que não só para os madeirenses.
Marta León: Nós achamos que era um projecto relevante, que não era regional, é feito aqui na Madeira, mas podia ser em qualquer sítio.

Como abordaram o tema, que procuraram dar mais ênfase ao grupo de dança?
ML: Nós tivemos nove meses em filmagens, formos descobrindo aos poucos que queríamos dar mais ênfase. E não foi imediato. Em princípio era a dança, e era as dificuldades que enfrentam e aí tornou-se algo completamente diferente.
FF: depois tornou-se...deixou de ser sobre a deficiência e passou a ser sobre o que as pessoas fazem, o que querem fazer independentemente dos seus handicaps, e no fundo é que é a grande mais-valia do grupo faz, é tornar as nossos defeitos em qualidades. A partir do momento em que uma pessoa com uma perna só começa a dançar, a dança não é prior ou melhor, por só haver uma perna é outra coisa. E então tornou-se uma espécie de teoria geral do mundo de como se deve fazer as coisas, tendo em conta as nossas qualidades e os nossos defeitos.

Usaram alguma técnica diferente em termos de imagem?
FF: Arranjamos uma câmara sem foco (risos). A câmara avariou-se a meio, e então é uma técnica em que o foco faz com que a pele fique lisa.
ML: A técnica do Low budget. (risos)

O que faltou para captar a essência do sujeito do vosso documentário? Acham que ficou algo por filmar, ou por dizer?
FF: sim, acho que devíamos ter começado as entrevistas mais cedo, porque teríamos criado uma maior proximidade com eles.

Mas, era importante essa proximidade?
FF: Sem dúvida porque as pessoas só falam o que tem dentro quando estão confortáveis com quem pega na câmara e faz as perguntas. E aí podíamos ter rentabilizado melhor o tempo. Pô-los a falar. Nós no início estávamos focados na dança.
ML: Concordo com o Filipe. Falamos da questão do handicap, mas sem a vertente deficiência. Mas, com as pessoas que tinham a deficiência física conseguimos ter esse diálogo, mas as pessoas sem limitações físicas tiveram muita dificuldade em falar das suas limitações. Todos nós as temos. Tirando algumas pessoas do grupo que abertamente falaram, outros houve que não. E isso foi o que faltou. Todos nós temos limitações.

Referes-te a dificuldades físicas, ou apenas psicológicas?
ML: Físicas também, nós também temos limitações, há coisas que o teu corpo não tem elasticidade suficiente para fazer. Toda a gente tem limitações. Mais visíveis, menos visíveis, mas estão lá.

Qual é a parte que gostastes mais do documentário?
ML: gostei de fazer tudo, mas sobretudo das questões que me levantou. Ou seja, há dias em que as coisas parecem mais difíceis, quando vemos pessoas com uma força fantástica, quer dizer que é uma lição de vida. Encararem os seus problemas, e mais do que encarar passar á frente, não estar sempre a pensar no mesmo. E há gente ali com imensa força. Aquilo faz parte deles. Seja invisual, não ter uma perna é algo com que já nasceram, como eu ter cinco dedos, agora vamos o que se pode fazer para além disso. E isso é importante, lembrar.
FF: gostei muito, uma vez que fomos jantar depois de umas filmagens, e o Toninho que estava de cadeira de rodas, pediu uma cerveja e o empregado perguntou-me, mas ele também bebe? E para ele foi normal, nós é que ficamos chocadíssimos. E isso para ilustrar o que ela disse. Ele já sabe que é assim, é o seu quotidiano. Para nós isto foi chocante, mas faz-nos crescer e perceber que há outras maneiras de andar no mundo que não a nossa.

http//vimeo.com/9780060
www.die4films.com
www.facebook.com/pages/die4films/327625292756

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