Um olhar sobre o mundo Português

 

                                                                           

h facebook h twitter h pinterest

As marionetistas afrodisíacas

Escrito por  yvette vieira fts edgar tavares

 

O teatro e marionetas de mandrágora foi fundado em 2002 e na sua génese artística esta a simbiose de uma linguagem simbólica, que conjuga o património, o legado tradicional, o pensamento e o universo contemporâneo, nem sempre pacífico onde surge um elemento fundamental, a marioneta.

A companhia possui uma componente de itinerância ao nível nacional, mas também internacional. Foi desde sempre uma escolha inicial?
Clara Ribeiro: Para já apostámos nesse vertente internacional, porque queremos mostrar o nosso trabalho pelo mundo. Depois há a própria linguagem da companhia o percurso que nos temos vindo a desenvolver fala muito sobre a tradição e identidade portuguesa. Nós queremos de alguma forma mostrar o que de melhor temos no nosso país, este lado da raíz do tradicional, do folclore e trabalhámos muito esse lado e também porque de alguma forma queremos conhecer o mundo e dessa forma viajar em trabalho. Temos algumas peças que construímos especificamente para digressão inernacional e que são muito portáteis como esta da “adormecida”, é um espectáculo de 2012 e foi construído de propósito para a capital da cultura em Guimarães, cabe em duas malas, mas depois transforma-se e fica relativamente grande até porque não tem practicamente texto.

Sublinhaste o facto de que este espectáculo cabe em duas malas e tem raízes portuguesas, foi desde sempre a ideia de adicionar uma componente nacional as temáticas abordadas?
CR: A companhia tem apenas 13 anos e inicialmente estavámos em busca da linguagem até fomos buscar uma lenda romena, chamada “o moínho de Califar”, mas depois fomos encontrando pontos muito parecidos com as lendas tradicionais portuguesas, em especial as trasmontanas que falam de pactos com o demónio, também há um moleiro e fomos encontrando muitas outras coisas em comum. Em 2008, achámos na “lenheiras de cuca macuca” uma linguagem que vai ao encontro do que são as lendas portuguesas ligando esta vertente tradicional com o contemporâneo, mas sempre com esta cariz muito portuguesa.

Então como efectuam essa pesquisa? Como é que decorre todo esse processo criativo?
CR: Bem, no núcleo da companhia temos eu, a Clara Ribeiro, a Filipa Mesquita que somos as directoras artísticas e a direcção plástica que é de enVide neFelibata, de alguma forma enquanto directoras temos algumas necessidades de poder trabalhar um tema, algo em específico e vamos propondo essas ideias, nem que não sejam logo desenvolvidas, mas passados alguns anos depois é realizados. Os projectos do teatro vão sendo dirigidos por mim, ou pela Filipa e é assim que desta forma vamos dirigindo a linguagem da companhia. A Filipa tem mais este lado da raíz e trabalhar as tradições. Eu gosto também de trabalhar este tema, tem alturas em que sim, mas também gosto de abordar a sociedade em que vivemos de pessoas indivíduais, tenho mesmo um projecto que fala sobre a violência doméstica e aprecio buscar esse lado social nos meus trabalhos.

É curioso que menciones esse facto, porque na pesquisa que efectuei verifiquei que esta não é uma companhia que produz teatro infantil.
CR: Não, de facto.

É um teatro para todos.
CR: Exactamente. Claro, que a marioneta é associada as crianças e nós não fugímos muitas vezes a essa característica, porque não somos uma companhia subsídiada e a maioria do nosso público pelo menos em Portugal são as crianças, mas também espectáculos só dirigidos a um público adulto. A “adormecida”, por exemplo, é para todas as idades, as crianças conseguem tirar daqui a história e os adultos tiram outras coisas, nós aqui falámos das fiandeiras que os mais pequenos não sabem o que é, mas vamos buscar isso as memórias dos adultos que se calhar conheceram as avós que fiavam e que as crianças não chegaram a conviver com essa realidade.

Como é que o público estrangeiro olha para os vossos espectáculos, com esses temas tão portugueses? Qual é o feedback?
CR: Eu acho que de alguma forma as pessoas ficam surpreendidas, para já, porque temos um trabalho em que sempre há uma relação entre o actor e a marioneta, para além da temática que as pessoas identificam como algo muito português, apresentámos várias técnicas muito distintas, misturamo-las, este espectáculo, por exemplo, temos umas bolas que afinal são árvores, temos fantoches e temos uma marioneta gigante que surge com o mecanismo de olhos, que é muito realista, ou seja, as pessoas vão-se surpreendendo com a própria variedade e estética dos espectáculos e não apenas pelo tema, mas toda a linguagem plástica dos espéctaculos.

Ainda continua ser dificil para uma companhia como a vossa não poder dispôr de qualquer apoio estatal?
CR: Sim, para nós é difícil, mas somos uma companhia com um trabalho constante ao longo de 13 anos e de alguma forma fazemos muita digressão e sentimos que temos algum reconheicmento, nem governamental, nem estatal, até agora tivemos apoios pontuais para a internacional, mas não temos um apoio anual, ou bianual. Nós vivemos, ou seja, a companhia subsiste fruto do nosso trabalho, mas, por exemplo, sentimos o reconhecimento do público, sentir esse calor e reconhecer as marionetas mandrágora. Aliás, temos várias pessoas que não acreditam como não temos ningun apoio do Estado tendo em conta o nosso trabalho regular, em média nos estreámos três espectáculos, ou quatro produções anuais, mais as exposições, as formações e o serviço educativo e com a comunidade, onde desenvolvemos um trabalho muito forte.

Qual é então o próximo passo, após estes 13 anos, em termos do teatro da mandrágora?
CR: Nós queremos continuar com esta linha de trabalho que encontrámos e identificámos. E ainda, queremos construir espectáculos com linguagens distintas, apostar sempre neste lado da internacionalização, porque por incrível que pareça a “adormecida” depois do seu percurso internacional, ao nível nacional fizemos mais de 50 apresentações, o que demonstra que o reconhecimento exterior, infelizmente, ainda é muito importante no nosso país (risos). A nós interessa manter a nossa cultura e manté-la, ir buscar as raízes aquilo que somos na realidade.

http://www.marionetasmandragora.com/

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.

FaLang translation system by Faboba

Eventos