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O acordar da cidade

Escrito por  yvette vieira fts ana alvim, adriano oliveira e luís barbosa

O programa Manobras é um complemento à reabilitação urbana em curso e à emergência da animação nocturna que já distinguem positivamente o centro do Porto. É um “grande evento” ao estender-se no tempo ao longo de dois anos consecutivos, cujo território preferencial é a cidade do Porto radiada a partir do seu centro histórico. O programa de 2012 estabeleceu quatro grandes áreas para a participação colectiva que se estima envolvam cerca de 2000 pessoas, através de uma grande variedade de projectos artísticos e não só visíveis nas ruas, até o dia 10 de Outubro.

O que esteve na génese da ideia das manobras?

Ana Pedrosa: A ideia das manobras surge com a missão de actuármos no centro histórico do Porto, que é uma área carregada de valor, mas simultaneamente vivia à margem da cidade e com a ajuda de artistas, activistas e voluntários queríamos trabalhar em conjunto, produzir colectivamente , pensar e mudar essas zonas.

Este evento colectivo surge na sequência do boom que se verificou na zona das galerias de Paris, no coração do Porto?

AP: A verdade é que a zona a que se refere cresceu exponencialmente graças a vida nocturna, para nós é uma área que se encontra na periferia das zonas onde pretendemos actuar, que são, a Sé, a Ribeira, a Victória e Miragaia, embora estejam muito próximas dessa agitação, estão um pouco à parte e tem outro tipo de caracter, de função. Estamos a falar de projectos que transformem as rotinas e as perspectivas dessas pessoas e não se trata de ser divertimento pelo divertimento.

As manobras têm várias vertentes que variam consoante a zona, como se juntaram todas essas sinergias, foi por acidente? Ou as pessoas, ou grupos foram-se juntando consoante iam decorrendo os eventos?

AP: Em relação ao ano passado, em 2012 fizemos uma clara distinção de quatro territórios onde actuámos e temos maior ligação, que são a Sé,  no Miradouro, que foi um espaço de encontro a volta do qual realizámos as nossas actividades, o miradouro da Victória, as Virtudes e  Miragaia de baixo. Por cada uma dessas zonas foi criado um projecto âncora que era responsável por criar uma grande dinâmica em torno desse espaço público. Depois havia uma série de projectos que tinham uma ligação tão estreita, porque eram ambulantes, ou seja, apresentavam-se nas diversas áreas. As propostas vão seguindo à medida que os parceiros as propõem e em todas elas procura-se que haja uma participação pública e aberta que varia consoante as pessoas. Pode ser participando como intérprete numa peça de teatro, pode ser num café local ajude a angariar mais participantes.

Qual foi a grande aposta das Manobras este ano?

AP: Como já referi houve esta grande aposta nas localidades âncora, porque trabalhámos de Maio a Dezembro e a altura de maior visibilidade deste movimento, de maior projecção é agora em Outubro, porque percebemos atrás das oficinas diárias que levámos a cabo desde o ano passado, que havia um desfasamento entre este trabalho processual e o momento de apresentação no espaço público, porque ninguém estava à espera que isto acontecesse. A grande aposta é esta, existir um projecto que vai ser apresentado nesse espaço público  e que também para outros projectos que se ergam e de certo modo junto do projecto anfitrião, como é o exemplo, na Sé, tivemos a “Sincope” da Marta Bernardes, Peregrinações, do grupo Pele, que dinamizou os estudantes até os habitantes da Victoria, nas Virtudes, onde estivemos mais concentrados este fim-de-semana, com projecto “da minha janela vê-se o rio” de José António Cunha e Miguel Rosas e em Miragaia, através do grupo musical de Miragaia, que pretende a reactivação do rancho tradicional típico desta zona.

Onde se insere a participação da Fundação de Serralves neste vosso projecto?

AP: A participação de Serralves  é um processo que já decorreu e que certa forma esta encerrada.  Na Serralves em festa um conjunto de projectos foram articulados com as Manobras, ou seja, o território de trabalho foi o espaço público da zona histórica, através da apresentação do Baile de Aldara Bizarro, na Sé. Foram desenvolvidos dois projectos no âmbito da música, um do Alvin Curran, com uma orquestra  de sopros com 200 músicos, e outro de música experimental de Nuno Rebelo. E ainda, criou-se um monopólio gigante que se jogava na cidade, nomeadamente junto do Centro de fotografia da cidade e em Serralves. Neste momento não há nenhum projecto activo ou a ser apresentado.

Já equacionaram o programa para o próximo ano?

AP: Não. O Manobras basa enquadra-se num fundo comunitário que previu a uma programação de dois anos, desde ano passado e que termina em 2012. Estamos a colocar a questão em termos colectivos de que forma podemos dar continuidade ao trabalho desenvolvido, tal como esta não vai continuar, por isso não temos um programa, temos de repensar todo o projecto das Manobras.

Mas, há vontade em continuar com este projecto?

AP: Sim, é a vontade de todos continuar. Muitos dos nossos parceiros andam a procura de alternativas para os seus próprios projectos, a dificuldade reside em manter uma estrutura única, mas era também a vontade do Manobras que estas equipas encontrassem o seu caminho, a sua autonomia. Um dos objectivos foi criar condições para instituições, organizações e artistas poderem desenvolver actividades junto das populações e isso está a acontecer.

http://manobrasnoporto.com/

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