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Solidões de memória

Escrito por  yvette vieira fts maria fernandes

O livro de poemas de Dalila Teles Veras, segundo Ana Salgueiro que apresentou a obra em Portugal, “é um roteiro para os leitores, não é uma viagem de alguém que chega à ilha, mas é ambígua, porque não percorre os caminhos, ficam em aberto. É um modelo epistemológico de uma angústia nostálgica, de uma inquietação para congelar no tempo as memórias de um local, de um conjunto de momentos, de imagens que constituem um tecido irregular, é uma triologia das raízes”.

"Solidões de memórias” é uma viagem ao passado?
Dalila Teles Veras: Eu acho que a escrita é uma espécie de viagem, seja ela, de retorno ou do presente. Esta é literalmente um períplo em todos os sentidos, a génese desse livro é madeirense, nasceu aqui. Eu venho com alguma regularidade à ilha, estive cá em 2012 e 2014 e faço recolhas do que vejo, mas tenho no Brasil a minha vida toda. É uma dualidade, nunca sei exactamente se sou brasileira, ou madeirense, mas neste momento sou da ilha, as raízes ficam muito presentes.

A ilha é sempre interior?
DTV: Também, ela fica.
Fica expressa na escrita?
DTV: Eu acho que sim, o ser insular é muito marcante no ilhéu. Acaba-se reflectindo, mas talvez eu não seja a melhor pessoa a falar sobre isso, mas os críticos literários já o disseram.
É também um acto solitário o ser poeta?
DTV: É sim, um acto completamente solitário, porque não há quem nos possa ajudar naquele momento, é um embate, eu com a palavra, é obrigatoriamente solitário.

É preciso ser-se triste para se expressar através dos poemas?
DTV: Não, o poema pode falar de qualquer coisa, é preciso ter olhos para ver, sentir e alguma habilidade com a linguagem, porque eu acho que a poesia é muito mais do que se diz, é também como se diz, eu me preocupo como digo as coisas, com a linguagem que utilizo.

E existe um embate com o português do Brasil e de Portugal?
DTV: Sim, são quase duas línguas, a sintaxe não é a mesma. Eu não escrevo como uma portuguesa. Eu sempre digo que sou uma escritora brasileira que nasceu na Madeira e não sou uma poeta portuguesa, porque a minha linguagem não é portuguesa.

Em relação à sua carreira profissional, tem uma uma livraria e uma editora que é uma referência em São Paulo, “a alpharrabio” há muitas diferenças entre este e o outro lado do mundo em termos de produção literária?
DV: Não, eu acho que as realidades são muito parecidas, as dificuldades são as mesmas, porque a literatura não é para massas, as dificuldades são de toda a ordem. Hoje no Brasil, nos temos um fenónemo que são as pequenas editoras que tentam resistir por outros caminhos, porque pelos trajectos comerciais é practicamente impossível.

E o Brasil é um país de poetas?
DV: Também, temos uma poesia muito vibrante no Brasil, mas poucos aparecem, porque a grande imprensa não dá espaço para os poetas. E há grandes escritores, mas há outras formas de se mostrarem, em debates, feiras dos livros, há uma vida intensa na literatura.

E a poesia portuguesa chega lá?
DV: Muito pouco, só chega poesia portuguesa aos realmente interessados, que buscam o que esta a acontecer no outro lado e o inverso também é verdadeiro.

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