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A sara de todos os dias

Escrito por 

 

Sara Osório criou um alter-ego chamada sara-a-dias, uma tira de banda-desenhada, que reflecte sobre o quotidiano de uma forma bem-humorada e com muita ironia. Trata-se de uma rapariga que gosta da sua família, mas que se vê confrontada diariamente com os desafios da sua inusitada juventude. Por isso, venha daí conhecer a sua criadora.

Quem é esta rapariga a sara-a-dias?
Sara Osório: Essa rapariga já existe há 26 anos e o seu alter-ego só surgiu a um ano, em Março de 2012. No fundo acaba por ser um confessionário, é um espaço onde eu conto as minhas peripécias todas, os momentos que tive, o contacto com outras pessoas no dia-a-dia, é como uma batedora onde se mete todos os sumos e no final temos um batido. É uma explosão de criatividade onde pelo meio aparecem as coisas que me acontecem.
A sara-a-dias tem um certo humor corrosivo e negro, isso foi sempre a ideia inicial?
SO: Sendo um pouco autobiográfico acaba por ser um bocadinho uma extensão de mim própria. Eu sempre foi assim e por isso não é algo que faço de propósito, apenas surge espontaneamente.
Quando te surgiu a ideia de criar esta personagem, porque logo em banda desenhada? É pouco comum haver desenhadoras no sexo feminino.
SO: Eu sempre fui mais ligada as artes, apesar de não ter seguido essa área. Sempre desenhei desde pequenina, só que cheguei a um ponto que esse meu lado artístico adormeceu e já não fazia tantos desenhos e por acaso senti falta disso. Mais tarde, quis seguir a área do design, mas quando me candidatei à universidade apercebi-me que não tinha as disciplinas necessárias para seguir o curso que queria. Foi abafando o meu desejo e quando saí da faculdade e entrei no mundo do trabalho, acho que fundo foi o meu lado criativo a chamar por mim. Sou muito comunicativa e partilhei sempre as minhas histórias com os meus amigos e houve um dia, já era um hábito meu, que decidi partilhar com o resto do mundo e o bichinho começou por aí. Depois comecei a ter cada vez mais seguidores e foi curioso aperceber-me do feedback das pessoas que se sentiram identificadas com algumas situações que acho caricatas e que acabam por puxar pelo diálogo e assim a sara-a-dias torna-se mais interactiva.
Tens alguma percepção quanto aos teus fans? Se são mais do sexo feminino ou masculino?
SO: Eventualmente serão mais do sexo feminino. Por acaso, digo feminino, mas não tenho ideia, os temas que abordo estão mais associadas ao universo feminino, mas não sei precisar.

 

 

Recentemente lançaste uma colecção de postais para o dia dos namorados, com textos mais provocantes, não no sentido de sexy, mas mais divertidos e irónicos. Sei que estavas farta dos ursinhos e dos "I love you" mas, o que te levou a abordar esse tema dessa forma?
SO: Não sei, às vezes, na minha cabeça há uma brainstorming tão grande, que acabo por pensar fora da caixa, sair um pouco do normal e chocar algumas mentes. Eu sabia à partida que a parte humorística da sara-a-dias acaba por ser um pouco provocadora. Fiz os postais porque se trata de um dos dias mais piroso do ano e não o festejo e por essa razão. Dei-me a liberdade a mim própria de fazer piadas mais picantes. E isso acaba por remeter-nos para o outro lado, mais humorístico e acho que oferecer este tipo de postais as pessoas é pela graça e se calhar poderá ser um veículo para conquistar alguém pela piada. Bem, pelo menos espero que sim, que tenham tido sorte com o meu trabalho. (risos)
Alguma das fontes de inspiração é a tua avó?
SO: Falo muito da minha família é verdade. Sendo um livro aberto, acabo por me esquecer que os meus desenhos podem ser vistos por muita gente.
É que citas em inúmeras ocasiões a tua avó, nota-se que é uma pessoa importante na tua vida.
SO: Toda a minha família o é. Mas, sim, porque tenho a sorte de apesar de não viver com os meus pais, ter uma óptima relação com eles e acabámos por manter o contacto todos os dias. Tenho uns avós que acham piada que uma neta faça só bonecos e contam aos amigos. Como os meus episódios da sara-a-dias reflectem cenas muitas caricatas que se passam no dia-a-dia com a família, as avós acabam por dizer sempre pérolas que são preciosas.
A sara-a-dias não é apenas um desenho neste momento, para além dos postais já criastes sacos e outros produtos. Foi sempre este um dos teus objectivos quando começastes este projecto?
SO: Não, isto tem tudo surgido de repente. Desde o primeiro que fiz, nunca pensei que a sara-a-dias fosse tão longe e penso que ainda vem por aí mais. A verdade é que quando fiz os sacos e os postais foi com o objectivo de ter algum merchandising. Portanto, tento criar produtos que sejam únicos e uso os meus sacos como forma de publicidade.
Gostavas de ter uma tira de banda desenhada da sara-a-dias diariamente num jornal?
OS: Claro que sim, tendo em conta a actualidade, gostava de ter uma sara-a-dias semanal. Eu procuro ter baixas expectativas para poder ser surpreendida, é a minha filosofia de vida.
Qual é o próximo passo para a sara?
SO: Vamos ver, eu não penso parar. Diariamente coloco-me novos desafios, isto tudo, porque faço isto pós-laboralmente já que tenho um trabalho a tempo inteiro. A verdade é que já não consigo estar parada. É muito estranho sentar-me para ver um filme no sofá, é uma coisa que não acontece há já algum tempo.
Como jovem designer como é que encaras o futuro nesta área no nosso país?
SO: Acho péssimo, porque neste caso, chegámos a um ponto de que somos tantos, que alguns fazem os trabalhos até de graça e assim nunca haverá o retorno para os bons, cria mais uma procura do mais barato, ou ao preço zero. Sinceramente não sei onde isto vai parar. É por isso, que não faço isto a tempo inteiro, porque as coisas são como são. Tento trabalhar desta maneira, enquanto conseguir conciliar as duas coisas, óptimo. Só tenho pena de não conseguir viver das áreas de que gosto, mas é o país que temos, que é o mais natural de se dizer. (risos)
http://sara-a-dias.tumblr.com/

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