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A animadora do pensamento

Escrito por 

Margarida Madeira é o cérebro criativo por detrás da produtora pickles films e de várias animações premiadas em festivais nacionais e internacionais, entre elas, “Os prisioneiros” e a famosa “Dona Fúnfia”.

Como é que surge a animação na tua vida?
Margarida Madeira: Eu estava estudar design de comunicação na Faculdade de Belas Artes do Porto e fui fazer Erasmos na Pólonia. Como a animação neste país é muito importante, então decidir ter umas aulas, apercebi-me que era o que gostava mais, depois quando voltei para Portugal apostei nessa vertente.

Começaste a trabalhar numa produtora na América do Sul, na “Hierroanimación”, e como foste parar à Colombia depois do curso, ou não foi assim este percurso?
MM: Não foi bem assim esse percurso, depois de terminar o curso fui fazer um mestrado em Barcelona. Tinha um grupo de amigos que elaborou um projecto que se tornou uma série, como tinham o apoio de um canal de televisão colombiano e precisavam de mão-de-obra, pessoas formadas em animação e que soubessem utilizar o software que tinha sido usado na curta-metragem, convidaram-me a mim e outras pessoas e fui trabalhar para lá.

Depois tivestes outra oportunidade no México?
MM: Sim, quando acabou à produção da série estava a pensar o que iria fazer, esse mesmo grupo de amigos decidiu ir até o México e eu resolvi procurar trabalhar lá e estive uns meses numa agência de publicidade.

Depois voltastes para Portugal e criaste uma curta-metragem bastante premiada que é “Os prisioneiros”. Como é que surge este projecto?
MM: “Os prisioneiros” surge quando ainda estava no México, falaram-me de um livro “As prisioneiras:Mães atrás das grades ” de Isabel Mery, escritora e jornalista, eu não sabia que as mães podiam ficar com as crianças na cadeia e fiquei chocada, porque achava que não era muito ético e até mau para elas. Depois de ler o livro à minha opinião não ficou assim tão clara, fiquei com sérias dúvidas sobre aquilo que achava antes e pensei que era um bom tema para desenvolver numa animação. Por outro lado, achei que seria bom para à divulgação do tema do livro e que seria um óptimo veículo para fazer chegar essa mensagem a outros públicos.

E foi nessa altura que decidiste criar à tu produtora a pickles films?
MM: Isso foi um pouco por necessidade, porque como consegui um apoio do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual) para desenvolver esse projecto era necessário uma produtora e achei que era boa ideia para começar a desenvolver esta e outras animações.

E qual foi o feedback do público em relação a esta curta-metragem?
MM: As pessoas gostaram muito e como eu havia muita gente que não sabia que as crianças podiam estar com as mães na cadeia. Acho que cumpri os meus objectivos com esta animação que foi fazer as pessoas pensar, dar conta que a realidade não é preto e branco e que existem vários tons e que é preciso pensar duas vezes sobre as coisas. As pessoas ficaram sensibilizadas e mesmo com os prémios foi bom perceber que, ao nível internacional, fazia sentido a mensagem que queria transmitir.

Como aparece à “Dona Fúnfia, volta a Portugal em bicicleta”?
MM: Foi uma ideia que já tinha há algum tempo, uns bons anos, mas que não nunca tinha posto em práctica. Era sobre uma senhora que nunca tinha andado de calças e era sobre uma realidade que eu conhecia. Surge enquanto aguardava para saber se tinha apoio ou não para desenvolver “Os prisioneiros” . Peguei em coisas antigas que já tinha e num mês fiz essa curta-metragem. “Dona Fúnfia” foi feita nos meus tempos livres, mas depois acabou por resultar muito bem, porque foi bem aceite pelas pessoas, participou em alguns festivais e até deu origem a um primeiro episódio de uma série.

Sim, mas vais continuar este projecto, porque tens previsto levar à “Dona Fúnfia” por outras localidades de Portugal.
MM: Pois, eu fiz esse primeiro episódio que é sobre uma volta por Portugal e a localidade é Vila Real. Estava à procura de financiamento para fazer os restantes capítulos, a ideia é fazer 20, entretanto, surgiram outras animações e também não consegui as verbas necessárias para dar-lhe continuidade, por isso, é um projecto que esta em stand by.

E tens uma parceria com “a música portuguesa a gostar de si própria”. Como é que isso surgiu?
MM: Uma das ideias iniciais da “Dona Fúnfia” é apoiar-se muito na música tradicional portuguesa e em todos os aspectos culturais que isso envolve. Sempre gostei desse projecto do Tiago Pereira, então, resolvi perguntar se podia usar as músicas e inspirar-me nas imagens do filme que ele grava para desenvolver personagens e completar os episódios da animação. Ele achou óptima ideia, peguei nos vídeos e nas pessoas de alguns deles para fazer à Dona Fúnfia” pela sua volta à Portugal.

E a voz da dona Fúnfia, como seleccionaste a pessoa para essa personagem?
MM: Isso foi muito fácil, a primeira “Dona Fúnfia”, a original da curta-metragem que fiz num mês, a única pessoa que me ocorreu para a voz foi à minha avó, então, decidi continuar, porque ela tem bastante empatia e jeito para narrar histórias.

E o aspecto físico do personagem foi baseado na tua avó?
MM: Não, a “Dona Fúnfia” não é a minha avó, o aspecto físico da personagem é baseado nas senhoras que via diariamente em Canas de Senhorim, que faziam parte do meu imaginário, que nunca usavam calças e andavam sempre vestidas com batas.

E qual foi à reação em relação a esta animação?
MM: Tem sido muito boa, mesmo ao nível internacional, já ganhou bastantes prémios e eu até pensava que era uma realidade bastante portuguesa, mas afinal notei que também existe em outros países e as pessoas gostam de alguns aspectos que desenvolvo nesta curta-metragem.

Estas a desenvolver outros projectos?
MM: Sim, estou a desenvolver uma curta-metragem chamada “Ensaio sobre a morte”, baseada no livro da mesma escritora de “Os prisioneiros”, da Isabel Mery, é sobre a morte e eu queria explorar esse tema, porque me faz pensar.

E vais apresentá-la ainda este ano?
MM: A ideia é essa, mas será lá para o final do ano, quando terminar à produção.

http://www.pickle-films.pt/

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