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De mim...para ti

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Carlos Melim é um jovem cineasta português que se estreou com "de mim". Uma curta-metragem que já arrebanhou uma série de prémios, tendo até sido seleccionada para o Festival de cinema de Cannes. Foca o eu interior coroada de imagens e paisagens que nos remetem para a solidão e a instrospecção. A sua segunda obra cinematográfica, "remissão completa" chegará em breve as salas de cinema.

Terias escrito "de mim" se não fosses madeirense? Se não fosses ilhéu?
Carlos Melim: A Madeira foi o "cenário" principal porque foi onde nasci, onde tenho as minhas raízes, a minha família, os meus primeiros amores... O filme é sobre solidão e dor, e parte desse sentimento de perda teve muito a ver com o facto de ter deixado a Madeira e estar longe daquilo que conhecia (da minha zona de conforto). A maior parte do filme foi filmado na ilha porque foi "no regresso a casa" onde voltei a reencontrar-me...Mas se tivesse nascido noutro lugar e se tivesse deixado esse local e a minha família para seguir um sonho, teria escrito na mesma, o cenário seria outro. Acho que a insularidade da Madeira reforça a carga emocional do filme. O facto de estarmos isolados reforça a carga dramática...

É uma missiva de despedida ou de amor?
CM: É um pouco da duas.. O filme pode ser uma carta de despedida, se acharem que eu morro no fim... ou pode ser uma carta de amor... ou uma mensagem de vida... depende como cada um sentir o filme. Para mim, foi uma terapia. Foi uma forma de me reencontrar. Foi preciso estar triste e sentir-me sozinho para avançar, e é essa a mensagem que gostava que ficasse do filme. Todos temos uma fase na vida em que pensamos em desistir, mas é em nós que está a força de continuar, e não nos outros.

Foi difícil expôr desta forma os teus sentimentos? É de certa forma uma catarse?
CM:Nunca vi o "de mim" como uma exposição. Estava a fazer o filme para mim. Há pessoas que escrevem cartas, eu faço filmes...Só quando o mostrei a uma amiga e ela me incentivou a divulgá-lo, é que pensei pela primeira vez em partilhá-lo com o público em geral. Se o filme ajudar uma pessoa que esteja a pensar em desistir da vida, então, todas as sessões a que assisti envergonhado, enfiado numa cadeira, já valeram a pena!

O que sentes quando revês este teu primeiro filme? Haveria algo que gostarias de alterar, ou melhorar? Senão porquê?
CM: Hoje já não consigo sentir o que sentia na altura, mas não mudava nada. Gosto cada vez mais do filme. O mais importante é que é genuíno, e era o que sentia na altura. Acho que é por ser genuíno que pode tocar as pessoas...

Remissão Completa é uma outra curta-metragem intimista?
CM: A "Remissão Completa" é ficção. De qualquer forma, considero que diz muito de mim como cineasta... É sobre os temas que eu gosto de abordar, as pessoas, a sociedade, as emoções...as relações.

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