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O observador da natureza

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O Daniel Pinheiro é um jovem fotógrafo e cineasta da vida selvagem. Recentemente destacou-se por um filme intitulado “Portugal Selvagem” que mostrava imagens captadas em território nacional que correram mundo e que fizeram as delícias dos portugueses que na sua grande maioria desconhecia a riqueza das suas áreas naturais.

A pergunta mais óbvia é porque fizeste o vídeo com a compilação dos teus trabalhos?
Daniel Pimenta: Este trabalho é o resume dos meus quatro anos de trabalho, dígamos que tem imagens de três filmes que fiz para tv e outros trabalhos em curso que tenho até agora. É um portefólio.

Porquê o fizeste agora? Existe um motivo em particular ou não?
DP: Todos os anos o faço o “show real” e vou acumulando. Este vídeo tem imagens de quatro anos e esta mais completo em relação a outros que fiz em anos anteriores.

O facto de teres sido destacado pelo “vímeo” trouxe algum reconhecimento ao teu trabalho? Alguma projecção ou não?

DP: Penso que sim, é uma plataforma bastante boa, não tanto como o “youtube”, mas é um site mais para pequenos produtores ou empresas do audiovisual e claro que dá alguma visibilidade este reconhecimento.

Queria agora falar sobre o teu trabalho, fazes fotografia e filmes documentais sobre a natureza, reparei que há imagens que aceleras. Como se prepara um trabalho destes?

DP: Essa é uma componente técnica, mas tem filmagens na sua maioria normais que são aceleradas dígamos. O “timelapse” é um cenário mais nítido tem as nuvens a passar, ou visualizas a via láctea, ou estrelas, seja o que for, é um componente cénico que o filme leva e que é feito na sua grande parte com imagens tanto dos animais, como das paisagens. Resumindo em poucas palavras faço documentários sobre o meio natural, tenho os meus projectos pessoais, procuro outros e vejo se há parcerias possíveis com as universidades, com os grupos de investigação ligados à natureza, e trabalho sempre com eles. Se é possível e tem sido com os filmes que fiz até agora o “Mondego”, “entre o céu e a terra” e o “Alentejo-o canto da terra” foram parcerias locais com o Instituto de Conservação da Natureza, com organizações não-governamentais e as universidades, essa é a primeira fase. Depois faço uma pesquisa do potencial de um determinado local, se tem animais ou espécies suficientes para fazer a história, depois avançámos para a parte do financiamento e só mais tarde filmámos.

Mas, por exemplo, “Alentejo-o canto da terra”, as filmagens foram feitas com câmaras que colocas no local?

DP: Também, mas estou sempre lá, as câmaras nunca estão só a gravar sozinhas.

Como te preparas?

DP: Depende. Primeiro há um estudo sobre os animais e os sítios, normalmente faço um reconhecimento nessas zonas e passo lá muito tempo. Em cada um destes projectos despendo um ano, passando pelas várias estações do ano, para tentar obter o maior número de animais, poder gravar o seu comportamento durante essas etapas, a sua evolução e tornar a história mais rica. Mas, é um trabalho um pouco solitário, tenho que passar muitas horas a observar animais e os fenómenos naturais para poder obter essas imagens.

Acampas nestes locais com frequência?

DP: Também, mas por norma tenho a logística por perto, por exemplo, para fazer as filmagens nocturnas tenho que estar nesses locais.

Em termos técnicos necessitas de câmaras especiais para fazer as imagens?

DP: Não, neste momento as câmaras de vídeo e fotográficas fazem qualquer plano desse filme, excepto “slow motion” que necessita de uma máquina específica. A tecnologia evoluiu muito e câmaras até amadoras conseguem fazer um bom trabalho.

Então onde encontras os maiores desafios nestes filmes?

DP: Há bastantes desafios. Para filmar o mundo natural estámos sempre dependentes da natureza, os meus actores dígamos nem sempre aparecem. (risos) Tenho que estudar tudo muito bem para conseguir filmá-los. Existe uma taxa de insucesso muito grande, aliás, quando elaborámos o guião fazemos um resumo das espécies que queremos filmar e depois no terreno vemos como é tudo possível. Mas, consegue-se uma taxa razoável de sucesso filmar o mundo selvagem, mas com muito trabalho no terreno. Para os animais mais difíceis de encontrar, esse é o principal obstáculo, tenho sempre a ajuda de biólogos e de pessoas especialistas para cada uma das espécies.

Porquê escolheste esta área da natureza?

DP: Eu tenho uma formação em audiovisuais, em rádio e estive na Fundação Calouste de Gulbenkian, mas sempre gostei da natureza. Vi que chegou a altura certa nesta área para apostar na natureza, achei que podia juntar as duas coisas que gosto mais de fazer, podia estar a filmar e gravar som e aplicar tudo isso no mundo natural, em filmes mais convencionais. Faço o que gosto, foi juntar o útil ao agradável.

E notas que há um mercado ao nível nacional, ou tem de ser apenas internacional para este tipo de documentários sobre a natureza?

DP: O mercado internacional há décadas que existe em muitos países com grandes audiências em qualquer canal generalista e por cabo em canais mais específicos. Em Portugal esta a ser criado o mercado, existem várias pessoas a trabalhar nesta área nos últimos anos, é uma indústria que antes não existia no nosso país de forma genérica. Eu penso que o público se começa a aperceber que existem produções feitas em Portugal, porque cria-se a procura, ao mesmo tempo valorizámos o nosso património natural que no geral é desconhecido do grande público.

E fala-me do feedback que recebeste desse filme. Eu vi imagens que desconhecia sobre o território natural em Portugal.

DP: Sim, é precisamente isso. Eu trabalho com pessoas da área da biologia e da natureza que tem esse conhecimento profundo, gostam na mesma de ver esse tipo de imagens, mas não se admiram tanto. É fascinante ver as reacções do público em geral, porque dizem-me que não faziam a ideia de termos estes animais todos e nestas paisagens, é uma das mais-valias destes trabalhos. Não é necessário ir para áreas remotas para encontrar espécies interessantes. É verdade que há países mais identificados com a natureza, somos um país pequenino, mas bastante diverso. É uma questão de explorar. Contudo, não queria passar a mensagem que no nosso território existe assim sem nenhum problema, não, este “Portugal selvagem” existe em muitos poucos sítios, a maioria já não é muito natural, também queria passar a ideia que é necessário conservar estas zonas e se possível apoiá-las em termos de turismo da natureza. É só as pessoas quererem explorar, cada um na sua área, mas penso que é um projecto com futuro.

E neste momento qual é o projecto em que estas a trabalhar?

DP: Estou a gravar um filme promocional, com um cariz mais profissional, de história natural e convencional, sobre observação de aves, temos um grande potencial nessa área. Temos aves únicas na Europa, possuímos muitas espécies a residir no nosso país, somos até bastantes ricos em termos de espécies, nós e a Espanha que faz muito nesse sentido, mas Portugal esta mais atrasada. Temos quase o mesmo potencial que os nossos vizinhos, só precisámos de comunicá-lo da forma mais correcta. Há um público muito grande, na Grã-Bretanha e nos países nórdicos, mas também temos turistas americanos e canadianos a visitar-nos.

http://danielpinheirofilms.com/daniel_pinheiro_bio.html

 Wild Portugal By Daniel Pinheiro

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