Um olhar sobre o mundo Português

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A diva

Escrito por 

Maria de Madeiros não é apenas uma actriz multifacetada, é uma artista do mundo que se move pelas várias valências das artes, desde a representação, à realização de filmes até à música, ela assume tudo com uma enorme maturidade e desejo de alcançar ainda mais, sem limites.


Só passados tantos anos é que decide encetar por uma carreira musical. Porquê só agora?
Maria de Medeiros: Eu penso que por um lado foi óptimo crescer rodeada de tanta música, por outro foi um factor inibidor, porque na minha família se faz música de forma muito séria. Sempre estive rodeada de grandes instrumentistas, grandes compositores, então me atrevia e isso levou tempo. E também para entender que podia mesmo assim fazer algo muito mais simples, compor canções que não são sinfonias e que agora de alguma forma como tudo na vida, os encontros fizeram que as coisas de repente se realizassem.


Porquê bossa nova e Jazz?
MM: Sempre adorei música brasileira, mpb (música popular brasileira), bossa nova e o jazz. São os meus géneros, além da música clássica, que me seduzem e agora também recentemente virei sambista.


Por causa da sua passagem pelo Brasil.

MM: Sim, tenho ido muito ao Brasil, fiz um filme como realizadora para a comissão de amnistia e reparação que está a fazer um trabalho muito importante por parte do estado brasileiro, que é pedir desculpas as vítimas da ditadura militar e ainda tenho uma peça de teatro. E agora vários amigos me têm estado a formar no samba, que é maravilhoso, é uma fonte musical e de sabedoria extremamente popular.


Cantou também música portuguesa.
MM: Cantei quase apenas música portuguesa composta por mim, ou do Legendary Tigerman e duas canções italianas, mas no álbum de facto só existem dois temas que são covers, do Ivan Lins e de Adriano Celentano, o 24 mila baci, tudo o resto é original, porque sou portuguesa. E ainda compus um fado.

O que a inspirou?
MM: Creio que foram os encontros. Comparo este disco quando nos oferecem a nossa primeira camara para fazer fotografias, que é um brinquedo, então como decidi escrever canções, dígamos que tinha este brinquedo nas mãos e no fundo "fotografei" tudo o que nos influencia ou impressiona. As canções acontecerem assim, dedicadas à bossa nova, ao flamengo, ao fado, visitei vários estilos, é como apontar a câmara em várias direcções.


Então desses géneros todos qual foi o mais difícil de dominar?
MM: Dominar eu não domino nenhum. São todos sui generis. Estão todos revisitados no fundo da minha perspectiva.
É uma artista que se move por várias valências, foi actriz, realizou diversos filmes, entre eles portugueses. Como vê o actual cinema português?
MM: Eu sempre foi muito fan do cinema português. Acho que está recheado de grandes criadores, mas é evidente que olho para o momento que estamos a atravessar com preocupação, porque o cinema tem estado parado basicamente e as ajudas foram suspensas até agora e isso é motivo de grande inquietação. Por exemplo, um filme como o Tabu enche-me de alegria, é um grande filme, que encontra o seu público no mundo inteiro, é um grande incentivo para continuar a acreditar no cinema português.


Então vai continuar nesta fase como realizadora?
MM: Sim, aliás, vou agora para Paris para mostrar esse filme num festival de cinema brasileiro e fico muito feliz de realizar outras cinematografias. Neste caso é um documentário.


Tem neste momento outros projectos?
MM: Sim, antes de ir agora de fazer uma peça de teatro para o Brasil, estive em Monreal, no set de filmagens de um filme chamado "encontros com um jovem poeta" é uma ficção construída em torno da figura de Samuel Beckett.

 

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