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A transformadora cultural

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Taciana Gouveia, é actual produtora cultural da Casa da Cultura de Santa Cruz, na Madeira. Através do projecto fénix, iniciado em Abril de 2014, ela pretende revitalizar a programação cultural de um espaço que já foi uma referência ao nível regional.

Em que âmbito surge o projecto fénix?
Taciana Gouveia: Eu vim morar novamente para a Madeira e através de um convite da Câmara Municipal de Santa Cruz, foi uma espécie de mútuo acordo, vim trabalhar na área de produção, gestão e medição cultural na Quinta do Revoredo. Daí surge o projecto fénix que foi pensado para esta casa, um local que conheço desde que tinha 9 anos de idade, foi aqui que comecei a pintar com a professora Rita Rodrigues, e dei-lhe esse nome, porque apesar de à partida poder parecer um lugar comum, o que se pretende implementar aqui é uma mudança, é o renascer de toda uma actividade cultural saudável, constante, com validade estética e qualidade. Sendo, que a Casa de Cultura de Santa Cruz nos anos 80 e 90 foi um grande pólo de referência, nomeadamente, sob a direcção de António Rodrigues e José Baptista Fernandes, o projecto surge com esse intuito de desenvolver uma linha de curadoria, com a criação de uma logomarca para a casa da cultura e de uma linha visual gráfica e identitária da Quinta do Revoredo. Para esse efeito foi feito um trabalho exaustivo nesse sentido em parceria com duas designers, a Luísa Oliveira e Luísa Vieira, porque os projectos por melhor que sejam escritos e desenvolvidos se não forem bem comunicados não chegam as pessoas.

Mas, quais são os objectivos principais?
TG: A Casa da Cultura pretende ser um espaço vivo, com uma programação contínua e assídua, mas aberta para a comunidade. A Fénix visa também, partindo desta premissa, o restabelecer as sinergias protocolares com as instituições locais e não só, sabemos efectivamente das dificuldades financeiras da edilidade e quão difícil é trabalhar sem dinheiro, mesmo assim, eu sou apologista de que com criatividade e boa vontade se pode fazer muito e assim foi. Começou-se por fazer obras de reestructuração do edifício, profundas mesmo, recuperam-se fachadas e as paredes que estavam repletas de humidade, devido à proximidade do mar, arrumou-se e organizou-se o espólio, no sentido de tornar os espaços mais amplos e funcionais para que efectivamente se começasse a efectivar toda a programação que temos prevista.

Fala-me um pouco dessa programação que abarca vários pólos.
TG: Sim, tem vários pontos. As exposições cíclicas podem ser das mais variadas manifestações artísticas desde a escultura até a pintura, aqui há espaço para tudo, desde que as obras tenham validade e qualidade estética, o artistas são mais do que bem-vindos e estamos receptivos a novos projectos. Não temos preconceitos em trabalhar com novos artistas desde que o seu trabalho seja bom, até gostámos de promover quem ainda não tem livre acesso aos espaços culturais, essa é uma das valências, é um trabalho que estou a desenvolver ao nível da curadoria. A vertente do serviço educativo é outro dos pólos, é fundamental fazer a tal aproximação da obra de arte/fruidor/espectador. Nesse âmbito, estamos a desenvolver uma série de oficinas criativas, recebemos neste momento dois grupos de crianças, de dois ATL distintos, onde disponibilizámos várias horas semanais para cada grupo e críamos várias actividades nesse sentido. Depois dispomos deste espaço, temos um magnífico jardim, um belissímo anfiteatro ao ar livre, isto sem falar da casa propriamente dita que dispõem de 3 pisos para serem experimentados e vivenciados. O programação abrange alguns projectos musicais e queremos trabalhar com mais, ajudámos a organizar festivais ciclicos, através de co-produção de sugestões que nos queiram fazer e acrescentámos os nossos serviços, desde que se coadune com a missão da casa da cultura. Já foi o caso, tivemos dois concertos ao ar livre, um deles foi um evento solidário, organizado por três docentes do ensino especial do concelho, com o intuito de obter fundos para equipamentos, trata-se de uma área com muitas carências, já que são crianças com necessidades especiais que necessitam de materiais específico e contámos com a presença de muitas pessoas.

Quando assumiste a direcção artística da casa da cultura notaste que havia uma divórcio entre o público e o espaço?
TG: Sim, este renascer de toda uma dinâmica cultural saudável, não desfazendo o trabalho anterior com os fracos recursos que tiveram ao longo destes anos, eu notei isso, exceptuando os eventos pontuais organizados pela escola secundária local. Tomei consciência também, obviamente, que a Quinta do Revoredo já não era uma referência e portanto o projecto fénix tem como missão derradeira reverter essa ideia, atrair cada vez mais artistas e pessoas, queremos trabalhar com a comunidade e estamos com as portas escancaradas nesse sentido.

 

 

Sim, que outros eventos estão agendados?
TG: Actualmente, temos uma exposição do Dio David, trata-se de um autor com imensa qualidade estética, é uma referência e é um artista emergente. No outro piso, temos a instalação da arquitecta Joelene de Freitas, intitulada "up in the mountains, i'll find my peace, i promise" é um trabalho muito interessante, é sustentável, já que foi construído todo em cartão, é uma estructura que sugere um trajecto até a luz, até o mar, a artista lança um desafio, uma reflexão e é uma obra que é necessita que as pessoas venham experienciar. Esta instalação é interactiva, ela deixou uma série de post-it e as pessoas podem escrever o que sentem naquele momento depois de fazerem todo aquele trajecto.
Em Setembro teremos a exposição de uma fotojornalista reconhecida, que é Lucília Monteiro, a inauguração desta mostra vai ser agraciada pelo Roberto Moniz, porque tem a ver com esse ideário, é uma abordagem contemporânea a uma vertente tradicional, daí que achei interessante este "casamento". Ainda neste mês, no dia 12 teremos o lançamento de um álbum, "Broken dreams" do Ricardo Teixeira Alves e vamos ter ainda, um outro evento muito interessante, um workshop de construção de cervejas, integrado no Madeira Beer festival. No dia 13, haverá o lançamento de um livro, do José Vieira, "estranhas coincidências", é uma autora que escreve sob pseudónimo e posso adiantar que em Fevereiro de 2015 teremos um artista com uma reconhecida carreira nacional e internacional que respeito imenso, já que possui um trabalho muito válido, mas para já não quero adiantar o nome.

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