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52 anos de história

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A biblioteca Municipal de Santa Cruz comemorou o seu aniversário. Uma efeméride que serviu de mote para um períplo de memória.

Um dos meus grandes amores são os livros e nem sempre ao longo da minha vida à minha família teve disponibilidade financeira para adquiri-los, mas graças à Fundação Calouste de Gulbenkian tive acesso as maiores obras e clássicos da literatura nacional e internacional, atlas, banda desenhada, livros de ficção científica e outro tipo de publicações que inundaram o meu imaginário e foram fonte não só conhecimento, como de deslumbramento. Tudo isto para falar de quê? Dos 52 de existência da biblioteca municipal de Santa Cruz, o meu local de eleição. Um aniversário singelo que serviu não só para assinalar a efeméride, como também para recordar um pouco a história deste espaço que foi inaugurado no dia 16 de Julho de 1964 com alguma pompa e circunstância, já que era a segunda biblioteca ao nível regional. Se antes do 25 de Abril de 1974 a afluência era escassa devido a um elevado analfabetismo da população, no pós-revolução tudo mudou como conta uma das suas ex-funcionárias, Maria Belita Abreu, que esteve ao serviço desta biblioteca durante 42 anos e recorda, “ no pós 25 de Abril começámos a ter uma influência incrível, houve uma grande necessidade por parte das pessoas de ler, era uma dificuldade encontrar lugar numa das três salas, estavam sempre cheias e as pessoas esperavam pela sua vez. Por vezes queríamos senta-las e os lugares já estavam todos ocupados, pediam todo o tipo de livros para sentar-se, tirar apontamentos e para estudar, era algo diferente”.
Ao longo do tempo a biblioteca foi ganhando o seu espaço, graças a uma outra revolução que se deu no ensino escolar, como sublinha a ex-bibliotecária “algumas professoras da escola primárias tinham o cuidado de quando começava o ano lectivo de apresentar a biblioteca aos seus alunos. Até nos intervalos das aulas, como as escolas eram próximas havia alunos que depois vinham levantar livros, com o passar do tempo os establecimentos de ensino foram ficando mais distantes e os hábitos mudaram”.
No ano 2000 há uma novo marco quando à Fundação Calouste de Gulbenkian decidiu doar todas as suas bibliotecas e os livros as autarquias portuguesas, nessa década, como sublinha “o fluxo de leitores foi decrescendo, primeiro porque as escolas abriram as suas próprias bibliotecas e posteriormente, os jovens começaram a estar mais ligados à informática e usavam mais os computadores para pesquisa e aí notou-se uma quebra”.
Mas, o que se lia há vinte anos? Maria Belita Abreu refere que “os mais pequenos liam a literatura mais tradicional, como o “Capuchimho Vermelho”, “Os três porquinhos”, mas também autores mais contemporâneos como “a Ana Maria Magalhães e a Isabel Alçada já que sempre tivemos os livros dessas autoras e elas sempre tiveram o cuidado no final do livro de abordar a questão histórica e isso prendia os leitores que queriam ver outro livro. Depois passou a ser uma leitura mais selectiva, porque passou a haver obras obrigatórias lidas pelos alunos nas escolas. Por parte dos adultos havia alguns que vinham procurar os filosófos, mas a maioria escolhia os escritores portugueses e estrangeiros, a partir de uma certa altura notou-se que as pessoas tinham uma sede de literatura que não só os clássicos. Liam uma citação e vinham procurar a obra, despois sugeríamos e até encaminhavámos esses leitores para outro autor, ou leitura. Um dos autores mais requisitados foi desde sempre “o Eça de Queirós, que passou a ser mais tarde a ser obrigatório nos estabelecimentos de ensino, através da sua obra, “Os Maias” que ainda o é hoje em dia. O nobel de José Saramago entusiasmou as pessoas para quem não o conhecia e isso também trouxe leitores”.
Em 2016, há um entusiasmo renovado pela biblioteca municipal de Santa Cruz, através de uma agenda de eventos cujo objectivo é tentar atrair mais jovens leitores a este espaço, contudo, o futuro das bibliotecas necessita de ser repensado, já que com advento das novas tecnologias, dos gadgets que permintem o download de várias obras literárias em poucos minutos e das consultas de informação especializada disponíveis online, a existência destas instituições guardiãs do conhecimento humano e da sua capacidade ilimitada de imaginação poderá ter os seus dias contados.

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