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Os arquipélagos do atlântico e a liberdade

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São 3 volumes didácticos lançados pela escritora Zita Cardoso que pretendem mostrar os símbolos da autonomia e independência dos arquipélagos da Madeira, Açores e Cabo Verde.

Um dos livros que escreveste aborda os 42 de independência de Cabo Verde?
Zita Cardoso: Exactamente, são 42 anos de mudança de regime político de uma ditadura para um modelo autonómico, mas curiosamente trata-se de um fenómeno transversal que se juntou e transformou num sistema administrativo paralelo, com mais ou menos conquistas. Cabo Verde teve uma etapa que queria ser autonómica como as regiões autónomas portuguesas, mas com a formação do partido PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde) que é um dissidente do partido PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde da Guiné Bissau) ao separar-se pretende ser um país independente. É preciso contextualizar esta questão o Cabo Verde e a Guiné Bissau ambas eram colónias e a Madeira e os Açores não.
No caso da autonomia açoriana o livro foca que aspectos?
ZC: É um livro pedagógico e didáctico, é patriótico e pretende aproximar as pessoas das instituições democráticas. É também uma obra sobre cidadania e é um fundamentalmente educativo. Este é um dos livros que aborda os três arquipélagos no Atlântico. Já tenho a primeira edição que se debruça sobre a Madeira, vou agora, recomeçar em breve uma segunda publicação. Sobre os Açores já é também uma segunda edição e a terceira obra é sobre a independência do Cabo Verde que é uma situação diferente, porque é uma ex-colónia africana.
Para o livro de Cabo Verde tivestes de fazer um levantamento exaustivo?
ZC: Sim, tive que me deslocar a este arquipélago e falar com as autoridades, fiz investigação no local e desloquei-me a todas as ilhas do arquipélago, percorrias de lés a lés, tirei fotografias e achei que a autonomia neste caso significa uma transformação positiva da sociedade e tinha de estar representado no livro. No caso dos Açores as obras são sobretudo na costa, a aposta açoriana foi mais no sentido de criar infraestruturas marítimas, enquanto que na Madeira as intervenções foram mais em terra, os túneis, por exemplo.
Em relação ao Cabo Verde quais são os principais símbolos da sua independência?
ZC:. Conheci a família de Amílcar Cabral, em particular a esposa e também o companheiro na independência que é o comandante Honório Chantres, que vive na ilha de Santo Antão e foi ele que me incentivou a fazer este trabalho. Ele forneceu-me todos os dados e apesar dos seus 76 anos é uma pessoa perfeitamente lúcida e o seu depoimento que esta no livro aborda os sinais da independência. Acompanhou a separação do partido da Guiné-Bissau e Cabo Verde. Eu conheci à raiz da independência de Cabo Verde e este testemunho têm de ser passado para as novas gerações e para as escolas, porque a sociedade tem de saber como a democracia chegou aos países onde vivem.
Então como são os símbolos da independência de Cabo Verde?
ZC: Os escritores que através da sua escrita questionavam à independência do seu país, depois abordo os diferentes ministros de cada ilha, a assembleia como esta elaborada e as várias alterações que teve ao longo do tempo. A ilha de São Vicente, por exemplo, foi o palco de diversos comícios políticos para a liberdade de Cabo Verde. É acima de tudo um trabalho político e libertário.
E a educação é outro grande símbolo?
ZC: Muito e também os dois partidos no poder e que se tem revezado nos diferentes governos e tenho que dizer que Cabo Verde é um país virado para a modernidade. Aproxima-se muito à cultura europeia.

Então ao contrário das autonomias atlânticas cujos símbolos de autonomia são as obras, em Cabo Verde, são as pessoas?
ZC: Sim, são as pessoas que fizeram o país. As obras não são tão expressivas como nas regiões autonómicas. Também há outro factor, existiam correntes que defendiam apenas a autonomia de Cabo Verde, mas como era uma colónia portuguesa africana e a Madeira e os Açores não o eram, não aconteceu. Existe um organismo europeu para as regiões ultraperiféricas, como é o caso das Caraíbas, Guadalupe e Martinica que foram colonatos franceses, ainda são colónias “autonómicas” francesas, depois temos a ilha de Reunião e Guiana Francesa que que são francesas, não obtiveram a independência, mas são regiões autonómicas, nunca se desligaram do cordão umbilical que é o país mãe. Depois temos as ilhas Canárias, Madeira e Açores, contudo o Cabo Verde é apenas um país observador, não esta integrado no conceito de região ultraperiférica.

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