Tudo é e não é

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É um livro de prosa pelo também escritor Manuel Alegre.

Nunca um título reflectiu tão bem o conteúdo do livro, “Tudo é e não é” mostra um estilo muito próprio de escrita e narrativa em que nada é o que parece. Foi um livro que me prendeu e confundiu ao mesmo tempo, quando o terminei questione-me a mim própria, tratou-se de uma história sobre um personagem, António Valadares, que tem um sonho recorrente, ou é a história de um sonho obsessivo do próprio narrador, Manuel Alegre? Abstenho-me de responder simplesmente, porque me apetece. Se tiver curiosidade leia e decida por si mesmo, o que posso adiantar sobre este livro e voltando um pouco atrás é que os conceitos de espaço e tempo e de ficção e realidade são subvertidos, dualidades essas que tornam a leitura ainda mais acutilante e compulsiva. Depois, ainda há espaço para diversas discussões epistemológicas politicas que nos remetem para o próprio percurso real do autor. Em conclusão, gostei no geral narrativa criativa do escritor, diria mesmo até que é inusitada quando se tem em conta que Manuel Alegre é um dos nomes incontornáveis da poesia portuguesa e que ao contrário do que se pensa nem sempre um poeta maior consegue ser ao mesmo tempo um grande escritor ou vice-versa, no caso concreto deste autor diria que é 60/40. Ficou-me assim o gosto pela leitura de mais prosa surpreendente deste autor e posso acrescentar para os mais cépticos que a escrita é acessível e não se trata de um calhamaço de 400 páginas. Lê-se e relê-se com muito à vontade. Boa leitura.

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