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A artista das mãos

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Irene Quintal sempre teve uma grande apetência pelas artes plásticas, que cultivou ao longo dos anos através de vários cursos de formação. A sua licenciatura em artes, aliás, uma aula de história da arte, deu-lhe a ideia de criar colecções de acessórios em cortiça que tem comercializado com grande sucesso em feiras todos os fins-de-semana, cidade do Funchal.

Fala-me um pouco do teu projecto, como surgiu a ideia de criar acessórios de moda com cortiça.
Irene Quintal: Bem foi assim, quando estava a fazer o meu curso na universidade, a minha professora de história da arte em Portugal abordou o trabalho de diversos artistas portugueses que já estavam a usar a cortiça, que é um produto português. Eu achei tudo muito interessante, mas como na altura tinha muitos trabalhos não pude ir investigar. Assim que terminei o curso a primeira coisa que fiz foi ir para internet à procura de informação sobre este material, andei em busca de fornecedores que encontrei, fiz uma pequena encomenda e depois trouxe as primeiras peças feitas por mim para a feira. Foram 4 malas grandes e outra mais pequena para aproveitar os pedaços de cortiça mais pequenos que me sobraram. Num instante vendi tudo e apercebi-me que tinha de continuar com este conceito, por essa altura também trabalhava com tecidos, fazia malas para senhora e crianças, mas acabei por escolher a cortiça e depois já foram surgindo outros acessórios, como as pochetes, os porta-moedas, os colares, as pulseiras e os brincos que foram a ultima coisa que comecei a fazer.


Sempre tivestes esta apetência pela arte das mãos?
IQ: Sim, eu sempre gostei de trabalhos manuais, já há muito tempo. Fiz até um curso de pintura particular e dois dos meus colegas de trabalho, disseram-me que devia voltar a estudar e fazer uma licenciatura em artes. Eu respondi que não queria estudar matérias que não me interessavam, mas a insistência foi tanta, que pronto resolvi candidatar-me ao abrigo do programa de maiores de 23 anos, fiquei em primeiro lugar e segui sempre em frente e terminei-o.


O artesanato aparece como consequência desse amor pelas artes?
IQ: Sim, já quando estava no curso de pintura fazia artesanato só que com tecido. Primeiro comecei a trazer pinturas para as feiras, mas eram grandes e valiosas e as pessoas não estavam muito receptivas em gastar tanto dinheiro. Então, virei-me para os tecidos e fiz os acessórios com esse material, só depois é que veio a cortiça.


Quais são os desafios que têm por exemplo, o trabalhar com a cortiça?
IQ: A cortiça é um pouco rija de trabalhar. Eu por acaso tenho um calo na mão que é da tesoura ao cortar a cortiça e mesmo para fura-la para fazer, por exemplo os brincos não é muito fácil. Uso por norma os furadores dos cintos, também utilizo muito cabedal com a cortiça para criar um efeito decorativo diferente, este material natural tem uma cor muito uniforme e o couro funciona em termos de contraste, faço isso com os porta-moedas junto os zipper coloridos e as flores em cabedal.

É difícil cose-la também não?
IQ: Sim, não é muito fácil. Eu tenho uma máquina de costura antiga que consegue perfurar este tipo de material. Nela faço as etiquetas, os lacinhos, faço tudo.


De todas os acessórios que vendes quais são as peças que as mulheres gostam mais?
IQ: Gostam de tudo, tanto das malas como dos porta-moedas que são muito coloridos. As pessoas acabam por usar de tudo um pouco, como acontece com as pulseiras com pingentes e os colares também são muito populares. Aproveito medalhas para cobrir com a cortiça para dar um efeito diferente. Eu até tenho um símbolo feito em cortiça.


Quanto tempo leva para fazer uma colecção?
IQ: Depende do que for a colecção. Agora mesmo vendi a última mala de um conjunto que fiz, foram cinco modelos feitos de uma semana para a outra. Como tenho feira todos os sábados, na edição seguinte já tenho sempre novos acessórios.


As pessoas que compram valorizam o facto de se tratar de cortiça nacional?
IQ: Sim muito. E dão muito valor à cortiça.

 

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