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O imaginário urbano

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É uma marca fundada, em 2005, pelo próprio Gabriel Ribeiro. Diferencia-se pela estética das suas peças únicas e contemporâneas, que estão interligadas nas várias artes desde a escultura à arte conceptual. Em todo o trabalho existe uma profunda reflexão sobre as técnicas ancestrais da ourivesaria portuguesa, assim como uma forte preocupação em estabelecer uma identidade muito própria, sem semelhante, que distinguem as peças por todas as suas caraterísticas.

Como é que surge a joalharia na sua vida?
Gabriel Ribeiro: É um percurso que acontece por acaso em termos profissionais. Eu nunca pensei em ser joalheiro na minha vida, isto porquê? Porque sempre tive a ideia de integrar o mundo das artes na pintura, ou na escultura e estive um pouco indeciso quando era mais jovem, o que é normal, porque tinha uma paixão por estas duas áreas e portanto, fiz o curso em artes plásticas na escola secundária Soares dos Reis, já pensando que na faculdade iria escolher essa vertente. Entretanto, em 1992 ,vejo um anúncio num jornal a pedir um criativo, mas não explicavam concretamente mais nada, concorri, fui selecionado e na entrevista reparei que estava numa empresa de joalharia. A Arte jóia era uma empresa sobejamente conhecida nessa área, aliás, era uma das melhores ao nível nacional e a única que há 22 anos já dispunha de um gabinete de design. Eu "aterrei" num ponto onde nunca me imaginei, na altura aceitei o desafio, porque precisava ganhar a vida e fiquei naquela empresa durante quatro anos, apenas desenhava as peças, mas nunca criei os objectos em termos tridimensional.

Então como é que depois dá o salto para jóias de autor?
GR: Na mesma altura estava a estudar na Escola Soares dos Reis, em artes visuais, para depois ingressar em belas artes, mas nesse ano os curso nocturnos fecharam e fiquei muito desiludido até com o país, porque pensava que se cortava as oportunidades a quem quer estudar, ser alguém na vida e construir um sonho. Ao mesmo tempo que tudo isso acontece há uma professora que se apercebe da situação e sugere-me que deveria procurar outro caminho na área das artes, na joalharia, através da ESAD (Escola Superior de Arte e Design) onde havia um curso superior, com opção de joalharia, em horário nocturno. Segui o conselho da Isabel Cabral, de quem sou amigo, e foi até lá conhecer o estabelecimento de ensino, as suas instalações, os docentes, o seu curriculum, percebi que era uma saída profisional e que iria ganhar muito com isso. Portanto, foi a abertura de novos caminhos e horizontes, encontrei professores que souberam-me orientar, mostrar outras potencialidades da joalharia, com a vantagem de eu próprio poder criar as peças em termos tridimensionais. Eu já tinha começado a fazer algumas peças por iniciativa própria, mas ali ajudaram-me a desenvolver as técnicas, a contactar com os metais, os materiais em si e poder constatar as suas potencialidades, como por exemplo, da uma madeira fazer uma jóia.

Então como definiria as jóias Gabriel Ribeiro?
GR: São jóias muito próprias, muito pessoais, que tem uma mensagem, ou quase todas tem um conceito de arte, onde esta inerente uma ideia, um percurso profissional que já vem de longe. Eu continuo a trabalhar o meu imaginário da cidade. Em 2004 lancei uma colecção que me define, as pessoas apreciam uma peça minha e identificam-na logo.

Mas, definiria como sendo também urbana?
GR: Sim, é uma joalharia com preocupações urbanas definitivamente.

 

 

Sim, mas de que forma isso se traduz nas jóias?
GR: Traduz-se através dos quadros imaginários que cada uma tem. Eu baseio-me muito numa paisagem urbana e dalí nasce uma jóia. Isso acontece muito no meu trabalho.

Depois de captar essa imagem como surgem os materiais?
GR: Isso é algo que acontece de forma empírica, às vezes penso que fica bem uma pedra de xisto, ou uma pedrinha que encontrei no rio, ou no mar, ou depois decido que fica apenas o metal. Por vezes, o processo acontece ao contrário, encontro materiais que vão servir para alguma coisa e passado algum tempo surge uma ideia para dar azo a forma daquele material. Acontece um pouco assim, já são 22 anos neste imaginário, nesta construção forte e isto já me esta no sangue, como se diz.

A escolha de materiais não convencionais aparece desde o início da sua carreira?
GR: Aparecem a partir do momento em que começo o curso de artes na ESAD, em 1997.

Então porque a continuidade em usar essas materiais tão inusitados?
GR: Acontece, porque os próprios materiais tem mensagens. Tem um significado especial para mim e quem adquire as peça as perceba. Às vezes também tenho que o comunicar, posso dizer em que há uma série de peças em que uso uma terra vermelha, que existe na Serra de Santo António, onde a minha mãe nasceu, em Leiria, e isso tem um significado muito grande, somos todos da terra e porque me lembra minha mãe que foi uma heroína para mim. Quando uso esse material orgânico lembro-me da mulher forte, que nunca olhava para trás, certo ou errado, ela ia em frente, lutava e vencia os seus obstáculos. Portanto, ao usar essa terra e algumas pedras que vou encontrando por onde passo, essas rochas calcárias que tem as marcas da austeridade desse clima da serra. Eu dou muito valor a isso, a uma pedra que teve um desgaste ao longo dos séculos, provocados pelo tempo, pela chuva, por tudo. Ao contrário de uma pedra bonitinha e lapidada, que para mim não tem significado nenhum. Quando uso esses materiais parece que os estou a abraçar, isto porquê? É preciso por vezes conhecer bem os locais, que tem também um significado, onde apanho os meus materiais. Estive recentemente numa aldeia de xisto da Serra da Lousã e vi uma casa completamente degradada, com os materiais espalhados por todo o lado, perguntei se podia levar e disseram-me que sim, peguei em telhas com as quais fiz várias peças que vendi no Natal passado. Não vivo muito preocupado com estas coisas da inspiração, não tem significado.

Das colecções que executa em número limitado,qual é a que melhor o define? Ou acha que esta bem representado?
GR: É precisamente as peças em que uso os materiais com uma mensagem muito forte, como no caso da terra vermelha. É um anel com a representação de dois ciprestes, que quase não se consegue practicamente usar, mas o objectivo é mesmo esse, mais para admirarmos para contemplarmos a paisagem, ou a pessoa que esta lá representada. É isso que mais me preocupa. É óbvio que também faço peças que são para usar, eu vivo do meu trabalho. Agora, eu gostaria de fazer apenas este tipo de peças, mas não é possível, é necessário ter um estatuto, ou plafom para aguentar, é difícil viver na arte, muito menos neste período. Mas, gosto de peça em que fiz com uma pessoa a ler um livro, ou com as pedras polidas pelo mar que encontro na praia de Leça, com elas faço alfinetes para as poderem contemplar, porque são tão bonitas e tem uma mensagem tão forte.

E o imaginário africano existe ou não?
GR: Eu efectivamente nasci em Angola, mas vim muito cedo, tinha apenas 10 anos. Eu nunca pensei nisso, mas nunca me preocupou, se calhar o imaginário africano exista, e volto à terra vermelha que gosto de comtemplar, porque em África a terra é também dessa cor e os pôr-de-sol eram muitos fortes, disso lembro-me. Provavelmente tudo isto tudo esteja interligado no meu íntimo, mas trabalhar esse tema nunca o fiz.

Www.facebook.com/gabrielribeiro.joiasdeautor.

1 comentário

  • Ligação de comentário Schmuckschrank domingo, 20 julho 2014 16:43 postado por Schmuckschrank

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