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Seja idict(iva)

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A designer Anabela Marques criou a partir de materiais recicláveis acessórios de moda, que apostam numa técnica que inventou em plástico pet e em imagens de revista desactualizadas. A idict, devido á sua inovação, esta presente em várias lojas de museus e espaços culturais dentro e fora de Portugal.

Como começou a idict?
Anabela Marques: Começou há dois anos e meio, principiei com pequenos alfinetes para oferta às minhas amigas. Gostaram muito e ficavam sempre surpreendidas de forma positiva. Acabavam por me perguntar porque não comercializava as peças, até que surgiu uma oportunidade para o fazer em Barcelona. Tive uma pequena venda numa feira de artesanato urbano que correu muito bem e a partir daí coloquei à venda os alfinetes em dois pontos de venda. Estava nesta cidade a fazer um pós-graduação em desenho superior, regressei à Portugal e decidi por sugestão de outros amigos expandir a colecção. Depois passei a fazer pulseiras, colares, mas queria continuar com os materiais reutilizáveis que eram o objectivo do projecto, realizar peças a partir de materiais reciclados. No início, usava tampas de garrafa, botões antigos, papel de revistas, enfim coisas que encontrava na rua. Depois comecei com plástico Pet, aqueci-o e trabalhei-o de várias maneiras e pensei que seria pouco interessante e teria pouca margem de manobra se fosse apenas o plástico tetra transparente, então decidi conjuga-lo com as imagens das revistas que tinha em casa, que estavam na prateleira, não serviam e dei-lhes uma utilidade, embora para alguns seja um crime corta-las, para mim acho que foi uma utilidade que dei as revistas velhas.

Quais são os desafios que enfrentas no que concerne os materiais que usa?
AM: Neste momento apenas uso o plástico Pet que depois preencho com as imagens de revista e um revestimento por debaixo. O maior desafio foi procurar o modo de torna-lo resistente, duradouro, e ao final de algum tempo não ficar danificado. Foi e ainda continua a ser, até porque o projecto tem pouco tempo. Ainda continua ser um desafio descobrir quais são as maneiras de tornar a peça duradoura, porque não tenho nenhum modelo para seguir, sendo uma técnica original, sendo o material usado de uma forma que não costuma ser utilizado. Faço testes na peça, mas sempre conto com o feedback das clientes, as reparações são gratuitas, mas até hoje nunca tive nenhum problema.

Das peças que já criaste quais são as que mais se destacam?
AM: As peças que se destacam mais são os colares maiores e mais vistosos.
Quem são as mulheres que usam as tuas peças? Consegues fazer uma análise do teu tipo de cliente?
AM: Partindo das obras de arte consigo agradar as mulheres cosmopolitas digamos assim, com um certo gosto estético. No entanto, a arte é muito diversificada, se pensarmos na arte antiga ou na azulejaria portuguesa dessa forma também consigo agradar um público mais conservador. Virando-nos para a arte contemporânea, são clientes mais arrojadas, portanto é muito vasto do leque que mulheres que consigo agradar, modéstia à parte. É devido a versatilidade das próprias peças, agora estou a preparar uma colecção para o "festival in" e continuam a surgir imensos modelos de colares, porque eu me inspiro na imagem de base. Ainda mais quando estou livre, quando não tenho encomendas e a exposição não é muito direcionada, isso deixa espaço para uma maior criatividade. É muito difícil criar uma colecção, porque a imagem é escolhida aleatoriamente e por isso não consigo criar seis modelos de colares idênticos, por exemplo. São as imagens que ditam o que é o resultado final da peça.

Então essa é sempre a fonte de inspiração?
AM: Sim, sempre.

 

 

As idict estão no mercado nacional, mas continuas a ter uma ligação comercial com Espanha?
AM: Não, quando me vim embora trouxe algumas peças e neste momento não tenho lá nada. Estava a pensar explorar o mercado das galerias, já enviei a informação do meu projecto ao Museu Miró, muitas vezes só por correio electrónico não se chega ao destino, mas sim, gostaria de ter um ponto de venda em Barcelona. Foi lá que tudo começou. Neste momento estou em dois espaços em Itália.

E em Portugal?
AM: Tenho peças no Museu Nacional do Azulejo e de arte contemporânea, na loja de Serralves e em Coimbra, Aveiro, em Évora e é só.

Alguma vez imaginaste que a ipsit te iria levar até aqui?
AM: No início aquando das primeiras experiências pensava nisso de uma forma remota, mas sempre com aquele feeling que era possível e senti que estava a fazer que era algo especial. E foi então desenvolvendo a técnica, o projecto, inovando, promovendo, sempre com esse objectivo de uma maior visibilidade, através dos meios de comunicação e dos postos de venda. Mas, penso que sim, apesar de ser muito sonhadora, sou cautelosa. Penso que as coisas são possíveis, mas sempre com os pés bem assentes na terra.

Então quais são os próximos passos para a marca? Tens alguns objectivos traçados para o futuro?
AM: Sim, quero chegar ao mercado da Europa Central. Tenho uma exposição marcada, em Janeiro, em Paris e isso será um óptimo ponto de partida para o meu projecto. Vou também enviar peças para Suécia e Dinamarca, os países escandinavos são muito sensíveis a esse tipo de materiais reciclados.

E pretendes explorar novos materiais?
AM: Neste momento, não. Cinjo-me à minha técnica com plástico Pet e estou concentrada nela. Eu comecei com um grande leque de materiais, mas depois foi reduzindo o campo de acção e foi através dessa redução que o projecto começou a resultar melhor. O que posso fazer é aumentar os artigos, porque há imensa coisa que se pode ainda fazer através desta técnica que ainda não explorei, é uma questão de tempo.

 

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