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Nas entranhas da montanha

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O ecomusicalis é uma simbiose entre a música e a natureza. Um conceito musical que visa criar uma experiência sensitiva aos ouvintes e aos músicos. Um dos espaços escolhidos foram as grutas de São Vicente onde se fizerem ouvir os primeiros acordes de um concerto inesquecível que se fundiu com as sonoridades do mais profundo da terra.

Como é que surge o conceito do ecomusicalis?

Rui Nelson: O conceito nasce com pessoas ligadas as actividades de aventura e à música. Achámos que deveria haver uma ligação entre as duas. A forma de consegui-lo seria levar a música até a natureza. Quando ouvimos música no meio natural, temos um equilíbrio, e de uns cinco meses a esta parte escolhemos vários espaços para realizar os concertos.

Como é que são escolhidos os locais para os concertos? O que é necessário para que um local seja adequado para um concerto do ecomusicalis?

RN: Partimos do princípio que a humanidade tem uma grande necessidade de voltar para a natureza, falámos de sustentabilidade, de ecologia, mas não fazemos nada. Esta é uma arma que usámos para levar as pessoas até a natureza, que tanto pode ser para praticar actividades na natureza, como pode ser ouvir um concerto e optámos por trazer as pessoas até o meio natural para ouvir música.

As grutas de são Vicente foram uma escolha "natural"?

RN: Sim, mas já fizemos concertos dentro das ribeiras, junto ao mar, na montanha e depois lembramo-nos das grutas.

Este tipo de concertos vão ter que tipo de frequência no futuro?

RN: Todos os meses faremos um concerto numa zona especifica. Há um concurso de ideias e depois seleccionámos a melhor. Tem de ser um momento em que venha ao de cima o contacto com a natureza, pelo prazer.

Os concertos são concebidos e pensados para uma plateia muito reduzida é isso?

Filipe Teixeira: Não é que não queremos ter muito público, a ideia é que sejam espectáculos com poucas pessoas e as que estão possam apreciar esse momento. Acabámos por poder apreciar a música e tudo que estava no seu entorno. Por vezes, nos eventos de grandes massas perde-se um pouco o conceito, neste caso, como há um contacto maior com a natureza tem de ser algo muito apreciado, muito contemplado. Achámos que os nossos primeiros concertos tinham de ter muito pouca gente, chegámos a realizar concertos com cinco pessoas. No fundo são privados, mas não queremos reduzir demasiado, nem ter muita gente de forma a manter a qualidade da experiência.

A escolha das partituras também teve em consideração o espaço.

FT: Exactamente. O conceito é fazer concertos na natureza na sua pureza. Levámos a música ao seu habitat natural, porque achámos que foi dessa forma que a música nasceu, logo, tem todo o sentido voltarmos. Ouvimos os pássaros a cantar, a água a correr e o escutar o silêncio que também é música. Tudo o que aprendemos, no meio da sociedade, trazemos de volta para a natureza. Esse é o conceito musical.

Alguns dos temas que foram tocados tinham no título a palavra água, mas havia outros que pareciam que nada tinham a ver com o conceito.

FT: Fico satisfeito que tenha tocado nessa questão, por ter essa apreciação, porque a ideia é deixarmos ao gosto do ouvinte, aliás, que as pessoas criem as suas próprias imagens. Na época do romantismo musical havia o chamado poema sinfónico, em que os compositores, através da música, tentavam criar imagens, o que não quer dizer que as pessoas usufruíssem da mesma experiencia sensitiva. Quisemos fazer isso, embora as partituras não sejam nossas, o professor Inácio da tuna de bandolins frisou essa questão, ou seja, trouxe o repertório que achava que se adequava a este espaço. Se formos ver os títulos dos temas parece que tem pouco a ver, mas ao nível da sonoridade faz sentido. O concerto foi muito equilibrado e teve os seus picos e conseguimos manter a qualidade do princípio até o fim e dessa forma prender a atenção do público.

O repertório também teve um número limitado de composições, foi propositado?

FT: Eu como sou professor de música já assisti a diversos concertos e muitas actividades do género e comecei a aperceber que o tempo máximo em que as pessoas apreciam um concerto anda por volta dos quarenta, cinquenta minutos. Não é uma teoria comprovada, é mais ou menos o que acho. Quando se ultrapassa este limite, as pessoas tendem a dispersar, embora estejam a apreciar. Logo o conceito de ter um concerto reduzido beneficia ambas as partes, tantos os músicos que apresentam um repertório com qualidade e os ouvintes que conseguem manter o interesse até o fim.

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