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Os magnatas do incomum

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Os Ermo que nada devem ao nome são um jovem duo musical que surgem em 2012 com um EP homónimo e cujo álbum seguinte “vem para aqui” os lança nas luzes da ribalta da música em Portugal. Com uma sonoridade electrónica com uma forte influência musical portuguesa, esta banda de Braga lançou recentemente o seu último trabalho Lo-fi Moda que se distância dos seus restantes trabalhos discográficos, mas não da sua essência tão lusa.

Gostaria de saber como o projecto dos Ermo surge com esta vertente de música portuguesa e ao mesmo tempo electrónica? Vocês são instrumental e voz.
António Costa: Conhecemo-nos há uns anos, desde 2011, ficámos amigos e não foi algo muito pensado, a parte da música portuguesa, aliás é uma sonoridade que estamos a deixar muito de fora neste novo trabalho. Mas, durante um grande período foi assim, não consigo explicar porque, simplesmente foi o que sentimos na altura e agora estamos a pensar em letras e sonoridades diferentes que não reflectem tanto sobre isso.

Quando ouvimos o álbum há sempre no fundo uma sonoridade electrónica e o que muda é a letra. Que tipo de instrumentos usaram?
Bernardo Barbosa: Chegámos a usar guitarras, mas a instrumentação é sempre no computador.


Começa por aí, ou alguns dos temas surgem primeiros nas letras?
BB: Existem algumas faixas em que temos o tema que queremos tratar e se calhar partimos disso. Pegamos num sample e vamos percorrendo a sonoridade portuguesa e só mais tarde encaixámos algum instrumento, ou usámos apenas o computador, ou alguns acordes. Trabalha-se em cima disso.


Então qual é a linha condutora do vosso trabalho?
AC: Temos um trabalho de 2012 que não tem nome. O disco de 2015 intitula-se “Amor vezes Quatro” o de 2013 chama-se “Vem por aqui” tem 8 faixas e resulta do que estamos a sentir, não há linha condutora. Mas, neste último trabalho quisemos mesmo fazer essa separação em relação aos registos anteriores, por isso, tivemos dois anos de silêncio, quisemos fazer um paragrafo.


Cantares numa sonoridade grave é propositado?
AC: Quisemos fugir também desse registo, agora, as vozes são mais leves. Em 2013 aconteceu essa entoação mais grave, não foi muito pensada, usávamos muitos sons sustenidos nas nossas canções, para fazer melodias, não te sei dizer se é algo propositado. As letras são graves no seu conteúdo e se calhar por isso surge esse som mais grave.

Disseram que vão apresentar um novo trabalho e é diferente, em que difere?
AC: Já não estamos tão dependentes da temática portuguesa, não estamos tão ligados a esse meio. É um álbum mais urbano e jovem, somos uma banda que vai crescendo a maturidade se nota no profissionalismo do que estamos a fazer e nos temas.

BB: É menos clássica, antes íamos buscar muita coisa a Zeca Afonso, Madredeus e José Mário Branco.

E em termos de sonoridade?
AC: É mais electrónico e é dirigido a um público diferente. Usámos mais o sintetizador, menos digital e houve uma tentativa de fazer arranjos mais ousados, deixámos de parte aquela centralidade poética que houve durante muitos anos e tentámos fazer algo mais coeso em termos de instrumentalidade.

A portugalidade esta subjacente de novo neste disco ou nem tanto?
AC: Nem tanto, continuámos a cantar em português, é algo que vai estar sempre presente, mesmo que vamos para outro sítio.
BB: E nunca equacionar cantar em outra língua que não português.

A electrónica é associado ao inglês, mesmo em bandas portuguesas.
AC: O nosso som natural é português e não queremos mudar.

É muito difícil escrever as letras? E quem escreve?
AC: Somos os dois.

Reflecte a vossa vida?
AC: Sim, é o que nós pensámos e sentimos. Reflecte também o que estamos a ouvir. É o que saí de nós. Trabalhamos aquilo que gostámos e é a nossa estética

Neste álbum pareceu-me que deram grande enfase as palavras e a entoação da voz.
AC: Sim, qualquer pessoa que trabalha com a voz tem de se preocupar com a entoação, a maneira como colocas a voz e existe a maneira certa e errada de cantar uma palavra. Nós esforçamo-nos nesse sentido, se calhar outra pessoa não se preocuparia com o ditongo, ou a maneira como o acento vai ser usado numa canção e por esse motivo há palavras que não devem ser usadas. A letra por melhor que seja deve ser pensada quando colocada junto com a melodia, a letra é sempre escrava da forma como a estas a cantar.

Este novo disco como o definiriam?
AC: Apesar de ser menos épico e denso é mais urbano, mais cidade e menos campo. Vivemos na cidade é mais subterrâneo nesse aspecto.
BB: É mais passível de ser apreciado por alguém que não fala português. Joga muito mais com a sonoridade da música, ou de qualquer coisa que queiras ouvir sobre Portugal é um disco que pode ser ouvido lá fora e é o primeiro passo nesse sentido.

Vão partir em tournée internacional com este novo álbum?
AC: Sim, vamos ao Brasil e experimentar à Ásia um dia destes. Os projectos para o futuro ficam lá mesmo.

Como é a recetividade de um trabalho como o vosso mesmo tão diferente, num país como o Brasil?
AC: Fomos parar a um festival de rock, encontrámos muita gente que gostou do nosso som, mas se calhar seria mais bem-recebidos se fosse em São Paulo. Mas, aprendemos imenso enquanto profissionais.

Como se chama o novo álbum?
AC: Lo-fi moda. (risos)

Não é um título muito português, porquê?
AC: É como teres uma peça de roupa por ser “chunga”. É como teres umas calças de ganga que já as usas há 15 anos e assentam bem nas tuas pernas. (risos)

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