
É um monumento nacional e património da humanidade da UNESCO.
O mosteiro de Alcobaça embora tivesse albergado os monges brancos e a sua arquitectura tivesse sido inicialmente reflexo de uma regra beneditina de procura de isolamento, humildade e modéstia após séculos de conflitos armados, desastres naturais e alterações pouco ou nada resta dessas piedosas características neste monumento imponente. Logo à entrada, deparamo-nos com a sua ampla escadaria e com uma fachada com elementos barrocos, mas não é de traços arquitectónicos de que quero falar. O interior deste monumento é que merece uma ressalva pelo passado tristemente dramático que alberga nas suas grossas e vetustas paredes. Os amantes mais famosos de Portugal em paz eterna descansam, numa das alas dos túmulos dos reis. Dona Inês de Castro, dama da corte espanhola e Dom Pedro, príncipe herdeiro não puderam viver o seu grande amor, que ganhou contornos de lenda quando sua majestade ao subir o trono de Portugal decidiu coroar a amante, morta à traição, de rainha e obrigou toda a nobreza, o clero e o povo prestar-lhe homenagem como se estivesse viva. Desse rasto de paixão extrema restam os sarcófagos, onde ambos estão sepultados, que possuem uma particularidade muito sui generis, segundo as especificações rigorosas do rei, ambas as figuras esculpidas são ladeadas por anjos que seguram as cabeças do casal para que no dia do juízo final quando ressuscitarem se possam olhar olhos nos olhos! Se isto não é amor, então não sei o que é! O facto é que muitos jovens casais escolhem o convento para as suas núpcias embalados pelo cariz romanesco e sangrento desta história sem final feliz, bem, depende do ponto de vista.
Mas, a luxuria não é o único pecado mortal que mora em Alcobaça, a gula também convive neste monumento de pedra. Passo a explicar, o mosteiro foi muito popular em tempos, fala-se até de 500 almas caridosas ou mais que habitavam estes claustros. Como era evidente os monges, não rezavam apenas, viviam para Deus é certo, mas tinham necessidades carnais e por consequência também as mesmas fraquezas como o comum dos mortais. Os irmãos eram famosos pelos seus doces cujas receitas ainda hoje fazem as delícias dos portugueses, mas não só, numa das cozinhas há uma mesa de pedra onde se podia descarnar um boi! É verdade, o animal inteiro onde tudo era aproveitado para as fartas refeições e não terminei ainda, os abades criaram ainda um sistema hidráulico que lhes permita bombear um dos braços laterais do rio Alcoa até o interior do mosteiro. Os canais internos abasteciam os monges não só de água fresca, como também lhes permitiam pescar o almoço ou jantar. Uma ideia muito engenhosa, não é? Se não acreditam, basta visitar o mosteiro, a água ainda corre na levada para gáudio dos visitantes, não tem peixes, claro, devido a poluição. É uma pena! Agora vamos à gula, a sala dos lavados, o antigo refeitório, é gigantesco e num dos seus cantos mais discretos foi construída uma estreita entrada, que servia para controlar o grau de obesidade dos irmãos, como? Só se consegue passar de lado e se um monge não o conseguisse passava a fazer dieta e penitências. E mais destas e outras histórias de devoção e pecado esperam-vos em Alcobaça. Venham !!