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Évora, a rebelde

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É uma cidade cheia de segredos escondidos em cada esquina, de mistérios e lendas milenares que fascinam quem a visitam

Reza a lenda que uma cidade alentejana nasceu de Elbur que era hermafrodita. Como homem casou e teve uma filha que chamou de Évora. Morrendo-lhe a mulher, tomou ele a forma feminina e, chamando-se então Elbura, voltou a casar. Ao dar à luz um filho, que nomeou Evorinho, morreu. Évora e Evorinho cresceram na torre que Elbur/Elbura construíra, e que ainda lá está. Começaram a governar a cidade em conjunto, mas cada uma das facções que apoiava um e o outro desejava o poder exclusivo. Assim, os dois irmãos acabaram por se zangar e separar. Ora, um dia, Evorinho propôs a paz à irmã, aconselhado pelos seus sectários que o induziram a uma traição. Montou-se um grande banquete para celebrar as pazes, na torre de Elbur/Elbura, banquete esse em que estavam presentes todos os habitantes da cidade. A certa altura, Evorinho atraiu a irmã ao alto da torre, a pretexto de recordar os pais, mas com a finalidade de a matar, empurrando-a cá para baixo. Évora, apercebendo-se da intenção do irmão, no momento em que ele ia empurrá-la, resistiu, lutou e... acabaram por cair, morrendo agarrados um ao outro. São as suas cabeças que as armas da cidade perpetuam.

Um conto curioso no mínino, sobre uma urbe que sofreu a influencia de vários povos ao longo do tempo, com particular destaque para a influência romana e árabe. Tal qual a lenda, o que ficou de recordação perpetuada no tempo merece uma visita. A primeira impressão que temos ao percorer as suas ruas e becos da cidade antiga, é o peso do tempo, com as suas pedras brancas e a muralha centenária que nos persegue a cada esquina. A primeira paragem é o templo de Diana, que ainda se ergue para os céus apesar da sua provecta idade. Mas, a marca romana não ficou esculpida apenas neste monumento, as termas são outro dos vestígios deixados nesta cidade e que podem ser visitados.

A Igreja Real de São Francisco é uma paragem obrigatória, não só para os vivos, como para os mortos. É verdade, leram bem. No interior das suas arcadas existe um aviso, à entrada da capela dos ossos, “nós os ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. Uma mensagem que pretende sobretudo, relembrar a quem entra neste monumento de arquitectura petinencial construida por frades, cravejado de ossadas apenas iluminadas por diáfanos raios de luz, que a vida é transitória e efémera.  Um legado que não é apropriado para os mais sensíveis, mas que nós faz pensar sobre a vida após a morte e o que dela fazemos até esse último suspiro. Um pouco macabro, eu sei. São pensamentos dificies de afastar num lugar tão lúgubre. Se o meu períplo vós parece um pouco sombrio, caminhámos em direcção da luz e dámos mais um salto na história, a praça de Giraldo que deve o seu nome a um nobre cristão, chamado Geraldo Geraldes, o sem pavor, que conquistou à pedido de Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, a cidade de Évora, de forma quase silenciosa e sorrateira dos mouros. A sua valentia foi premiada com as chaves da cidadela. Este local foi palco de grandes momentos históricos, sendo um dos pontos nefragilcos da urbe, daí que ainda seja até os nossos dias um ponto de encontro preferido pelos habitantes da cidade, dos seus movimentos artisticoa e culturais.

Impressionante é a Sé Catedral de Évora. À entrada principal deste templo religioso é a marca viva da passagem do estilo romanico para o gótico e embora pareça estranha na sua curvatura, quando entrámos deparámo-nos com outro mundo e as diversas influências artisticas reunidas num único lugar. É difícil de descrever. É um templo híbrido, mas que merece um olhar delongado. E felizmente, a fome aperta. Se há zona do país onde nós podemos deliciar com os mais sumarentos dos nectares, os mais ricos exemplos da gastronomia nacional, os queijos mais aromáticos e os melhores doces do mundo, é em Évora. Aposto que fica enfeitiçado passado muito pouco tempo. Como eu, pela cidadela rebelde, repleta de mistérios e de histórias para contar. O Alentejo é lindo!

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