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Um passeio pelas docas de alberto e victória

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É a segunda parte da minha viagem que começa na costa do Atlântico, sobranceira à montanha mesa, na África do Sul. Acompanhe-me.

A frente-mar Victoria e Albert representa um dos pontos obrigatórios a visitar na cidade do Cabo, são mais de 400,000 mil metros quadrados de lojas, hotéis, restaurantes, centros comerciais e áreas para entretenimento e concertos, que são visitados em média por 24 milhões de pessoas por ano, dos quais 23% são turistas. A renovação destas duas bacias do porto da cidade do Cabo começou em 1988, o projecto visava revitalizar uma vasta área com diversas infraestruturas portuárias há muito abandonadas e que foram sendo modernizadas por fases e transformadas em diferentes espaços temáticos.

Um desses pontos obrigatórios, bem no coração desta área é o “Watershed”, trata-se de um antigo armazém que alberga centenas de pequenos stands de artistas e designers africanos. É tudo mesmo muito bonito e original, o difícil mesmo é a escolha. Isto para quem gosta de arte africana!


Mas, a nova joia da coroa, ao meu ver, foi a abertura do Zeistz Museu de Arte Contemporânea de África do Sul (Zeistz MOCAA), o maior do continente e da diáspora a apresentar de forma permanente arte africana. O mega projecto resultou de uma parceria entre a empresa que gere o V&AW e um investidor alemão Jochen Zeistz com o objectivo de reabilitar um dos silos de cereais mais antigos do porto, que funcionou durante quase 80 anos. A obra de reabilitação a cargo de uma empresa de arquitectura londrina, o “Heatherwich studio”, procurou preservar o legado arquitectónico e industrial daquele que foi durante muito tempo um dos edifícios mais altos da cidade, com os seus imponentes 57 metros de altura e o resultado de todas estas sinergias é simplesmente soberbo.
O museu merece uma visita por vários motivos, um deles prende-se com o excelente trabalho de reabilitação do silo. O hall de entrada lembra o átrio de uma catedral, devido ao recorte expostos dos tubos de cereais, parece o interior de uma colmeia de abelhas! E com o brinde de uma obra de Nicholas Hlobo chamada de “iimpundulu zonke ziyandilandela”, o pássaro relâmpago, inspirado numa lenda Xhosa, a localização não poderia ter sido melhor, confere-lhe uma atmosfera neo futurista. A própria infraestrutura não foi pintada, mantem-se o seu interior maciço e betonado, onde o destaque vai para a crueza das suas linhas tubulares sublinhada pela escadaria em viés e o elevador metalizado. O piso zero, é outra descoberta, é como estar no interior de um casulo recortado de onde podemos apreciar toda esta envolvência industrial que nos rodeia.

  

O vidro teve um papel muito importante em vários dos pisos, dígamos que a sua transparência realça ainda mais os traços austeros do edifício sem o adulterar demasiado, o destaque vai para o topo com as suas janelas em formato diamante onde fica situado o jardim de esculturas, um café e o hotel. É verdade, o Zeistz MOCAA não é apenas um espaço museológico, só funciona como tal, para já, na sexta-feira, ao longo do fim de semana e segunda-feira, nos restantes dias é um centro de negócios, de empreendorismo e possui espaços específicos para eventos ou convenções.
Mas, voltemos ao que me interessa de facto…ao trabalho artístico, as várias obras expostas no ZMOCAA provém da colecção privada de Jochen Zeistz, um empréstimo a longo prazo, que é a pedra basilar desta extensa mostra, para além, como não poderia deixar de ser, das exibições temporárias que ficam a cargo de distintos curadores. Fiquei deveras fascinada com vários dos artistas, não é nada comum, pelo menos para uma europeia, poder apreciar estes “olhares” contemporâneos num único espaço e tenho que vós mostrar algumas das peças e obras pictóricas expostas. Faço, no entanto, uma ressalva, as imagens selecionadas de modo algum pretendem desmerecer o trabalho dos restantes artistas, muito pelo contrário, é apenas um conjunto que visa sobretudo mostrar ao leitor o que se faz de melhor em termos de arte no continente africano.

 

Dispostos pelos vários pisos estão um conjunto de artistas que revisitam o conceito de vestuário, através de uma narrativa cujo centro é o corpo e onde há uma reinterpretação dos materiais. Athi-Patra Ruga, Yinka Shonibare, Leonce Raphael Agbodjélou e Nandipha Mntambo utilizam diferentes suportes artísticos de modo a materializar à relação simbiótica entre os seres humanos, a natureza e o seu meio envolvente. Na imagem superior aparece o trabalho de Kudzanai-Chiurai intitulado de "Revelations".

 

Este segundo bloco engloba dois tipos de veículos artísticos, as instalações e a pintura. Nesse contexto, El Anatsui é um artista ganês que reutiliza nas suas obras materiais descartáveis da Europa e Américas que foram introduzidas em África. O hiperrealista Jeremiah Quarshie questiona a noção do imaginário e investiga a natureza da arte e Marlene Steyn pinta universos vividos, diáfanos e complexos inspirados na teoria psicoanalitíca.

E mesmo ao lado do ZMOCAA ao subir das escadas, na torre do relógio, a beleza assume outras formas que aconselho vivamente as amantes dos átomos de carbono cristalizado, o museu do diamante. Já Elisabeth Taylor dizia e com razão, os diamantes são para sempre e é a mais pura das verdades. A visita guiada possui uma lotação máxima e por vezes é necessário agendar, em particular ao fim de semana, posso garantir que vale a pena, o percurso inclui um pouco da história da mineração dos diamantes na África do Sul, as personalidades mais importantes deste sector, as réplicas dos diamantes mais famosos do mundo e uma paragem pelo atelier de corte, aí poderão ver em acção o trabalho minucioso do que eu chamo os artesãos do brilho, que cuidadosamente talham e polem cada pedra preciosa com enorme precisão e minucia.

E depois de ter alimentado a alma, nada melhor para aplacar a fome física do que uma visita a outro dos pontos essenciais da frente-mar, é o “W&F food market”, não se trata de um espaço tradicional onde se vendem frutas e vegetais, é um local para provar iguarias locais e onde pode comer uma refeição se assim o desejar, o que não falta é uma oferta variada e de qualidade. O mais interessante são os vários stands de pequenos produtores agrícolas e empreendedores gastronómicos que expõem os seus produtos regionais e tudo isso merece uma dentada curiosa.

P.S- Decidi manter os nomes e siglas originais e não as traduzi, porque se pretende obter mais informação sobre estes locais basta pesquisar com os nomes supracitados.

https://zeitzmocaa.museum/

http://www.capetowndiamondmuseum.org/about-the-museum/

http://www.waterfront.co.za/vanda/about

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