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FestMED'19 com cartaz em grande

Written by  Rita Pina fts direitos reservados

 

O Festival MED (FestMed’19) vai ter lugar nos dias 27, 28, 29 e 30 de junho, na Zona Histórica da cidade de Loulé. Por 10 palcos irão passar 280 artistas de 22 países, em mais de 80 horas de música e a edição deste ano, de um dos maiores festivais do sul do país, conta com mais do que uma novidade no seu cartaz.

A 16ª edição do FestMed'19 vai mudar o conceito do palco Castelo que encerra uma forte carga histórica e irá transformar-se num auditório dedicado exclusivamente à música portuguesa. No total serão seis nomes que irão pisar este palco, com sonoridades tão diversas como o Fado, Jazz, Música Tradicional Portuguesa, os artistas já confirmados no cartaz são Márcia, Ricardo Ribeiro, Júlio Pereira, Ruben Monteiro e Luís Galrito com João Afonso, que irão atuar na Alcaidaria do Castelo que este ano irá transformar-se num auditório ao ar livre.
Segundo o diretor do Festival e vereador da Câmara de Loulé, Carlos Carmo, a palavra de ordem continua a ser “inovar”, não só em termos da escolha musical, que continua a ser “o mais variada possível”, mas também em termos de “organização e do conceito do recinto”.

Este espaço passará a ser um palco onde irão acontecer concertos mais “intimistas” que, à partida, estariam confinados a auditórios, mas aos quais os visitantes do Festival terão agora acesso. Para a organização, o objetivo é que o Palco Castelo seja uma montra da música de qualidade feita em Portugal junto aos turistas que visitam a cidade e que poderão também apreciar toda a riqueza patrimonial da Zona Histórica de Loulé, em particular da Alcaidaria e Muralhas do Castelo de origem medieval.
“Este Palco decorria num espaço confinado, em que por vezes existia um congestionamento em termos da circulação de pessoas. Por outro lado, temos aqui o Museu Municipal de Loulé e o impacto da trepidação no local, sobretudo durante alguns concertos, poderiam afetar as peças. Por isso, este ano decidimos mudar a sonoridade deste espaço”, explicou Carlos Carmo.
Mas o público que prefere experienciar espetáculos direcionados para propostas inovadoras e arrojadas dos quatro cantos do mundo não ficará defraudado com esta alteração até porque a organização irá criar um espaço, o chamado Palco Chafariz, no Largo D. Afonso III, para concertos dedicados à World Music, à semelhança do que já acontece com o Palco Matriz e o Palco Cerca. “Vamos testar uma nova área onde, de resto, já acontecem espetáculos noutras alturas do ano. Isto será importante também em termos da melhoria da circulação de pessoas no recinto”, considerou o diretor do FestMed’19.

O multipremiado alaudista tunisino “Dhafer Youssef”, que continua a transcender géneros, é um dos grandes nomes desta 16ª edição que irá pisar um desses palcos, com a sua música que resulta da fusão de jazz e música árabe e que promete um concerto memorável em Loulé.

Num momento em que se redescobre a memória musical de África, em que editoras internacionais investigam o enorme legado da música de Cabo Verde que inspira cada vez mais músicos das novas gerações, “Os Tubarões” não podiam deixar de se reencontrar com o presente. Até porque são um dos maiores emblemas musicais de Cabo Verde, autênticas lendas que espalharam por uma discografia algumas das mais importantes peças do cancioneiro de um país que continua a inspirar o mundo.

De regresso ao Festival Med passados dez anos, a guineense Eneida Marta traz as melodias da sua terra natal, mesclando o género local gumbé com o jazz. Construiu um som próprio que tem como referência nomes clássicos da música guineense, principalmente os cantores homens que foram sua inspiração. Talvez isso explique que a voz que realmente marca Eneida Marta seja a sua voz interior, a que a faz cantar a vida, o amor, em letras de poetas que, como ela explica, “deixam sempre algo para decifrar”.

Francisco, “el Hombre” é mais um dos nomes brasileiros confirmados para o cartaz do FestMed’19. O músico irá trazer um projeto visceral que expurga vivências, urgências e o que mais estiver entalado na garganta por meio de canções, que reúne na sua sonoridade rock, música brasileira, música mexicana. As letras das suas músicas, são uma voz ativa em questões como a violência doméstica, a igualdade de géneros e em 2017 um dos temas deste projecto musical esteve nomeado para o grammy latino para a melhor canção de língua portuguesa.

“BaBa ZuLa” é uma das bandas que melhor dá continuidade à tradição do rock psicadélico de Istambul, que teve os seus anos dourados nos anos 60. Desde 1996, transportam para o palco atuações que são como rituais, onde se misturam dança, figurinos elaborados, poesia, teatro e artes plásticas. A formação põe, lado a lado, instrumentos de raiz tradicional, como o darbuka e o saz elétrico, com colheres de pau, brinquedos e eletrónica. Além do rock psicadélico, o dub, numa reinterpretação oriental, é outra das componentes do seu som.

“Los de Abajo”, cujo nome é inspirado no romance homónimo do escritor mexicano Mariano Azuela, forjou a sua identidade num espírito revolucionário, tocando em comícios de estudantes e trabalhadores, com artistas, soldados zapatistas, movimentos gays e de direitos das mulheres, e muitos outros grupos de pensadores livres fora do mainstream. Ao longo dos anos, esta banda levou a sua sonoridade dançável aos quatro cantos do mundo, marcando presença em alguns dos mais prestigiados festivais internacionais do género.

Depois do sucesso internacional com os Buraka Som Sistema, um pioneiro na cena zouk bass, Rui Pité, “DJ Riot”, mergulhou num projeto em nome próprio. O seu trabalho é uma viagem exploratória pelas sonoridades urbanas mais recentes, mas sempre com uma fundação muito forte baseada naquilo que juntamente com Branko, Kalaf, Conductor e Blaya, criou o som de Lisboa com influências claras na diáspora. Do afro-house ao hip-hop, do kuduro ao drum’n’bass, DJ Riot irá apresentar um espetáculo diferente e dançável.
A estes artistas irão juntar-se aos já anunciados Marcelo D2, Mellow Mood (Itália), Marinah (Espanha), o projeto multicultural e transnacional The Turbans (Bulgária/Israel/Irão/Grécia/Turquia/Reino Unido), Kel Assouf (Níger/Bélgica), Selma Uamusse (Moçambique/Portugal), Orkesta Mendoza (Estados Unidos/México), Anthony Joseph (Trindade e Tobago), Moonlight Benjamin (Haiti/França), Dino D’Santiago (Portugal/Cabo Verde) Tshegue (Congo/França), Gato Preto (Gana/Moçambique/Portugal) ou os portugueses Gisela João, Dead Combo, Diabo na Cruz, Cais do Sodré Funk Connection, Omiri, Camané e Mário Laginha, Márcia, Ricardo Ribeiro, Júlio Pereira, Ruben Monteiro e Luís Galrito com João Afonso.

Da parte da organização, Carlos Carmo, diretor do Festival Med e vereador da Câmara Municipal de Loulé, sublinhou a “qualidade e diversidade do cartaz musical criado para este ano”. Este responsável reforçou a importância das medidas ambientais implementadas no recinto que foram já premiadas em diversas ocasiões, assim como a multidisciplinaridade do evento, com a aposta noutras vertentes culturais para além da música, que vão das artes plásticas à poesia, passando este ano pelo reforço do cinema e a introdução do teatro no programa.

É precisamente através da “simbiose quase perfeita” entre a sétima arte e a música que se prevê que os espetadores possam também ser surpreendidos. Como explicou Rui Tendinha, curador do “Cinema Med”, o objetivo é criar sessões contínuas de curtas-metragens entre os concertos, em que a ideia é que o cinema seja “algo orgânico”. Alguns dos realizadores vão estar em Loulé para apresentar o seu trabalho e haverá também uma conferência “Talk Med” dedicada à ligação entre estas duas expressões artísticas, música e cinema.

Mas um dos momentos altos deste Cinema MED vai ser a estreia nacional do filme “Gabriel e a Montanha”, película brasileira que esteve no Festival de Cannes e que “tem um espírito de viagem, que combina na perfeição com aquilo que é o Med”. Haverá ainda cinema feito por músicos, com destaque para a “curta” de Marcelo D2, prevendo-se a participação do músico nesta apresentação.
“Os festivais de música vão ter cada vez mais cinema. Esta é uma tendência que se vai sentir cada vez, também em Portugal”, frisou ainda este crítico da sétima arte.

MED Kids, por outro lado, ganhará um novo espaço e mais atividades. Da Rua do Município onde decorreu durante mais de uma década, o MED Kids passará nesta 16ª edição para um quintalão atrás da Igreja Matriz, paredes-meias com o Palco Arco. Este é um local onde as crianças poderão divertir-se num ambiente agradável, acolhedor e seguro, criando e experimentando atividades relacionadas com as culturas do mundo e o espírito do MED, enquanto os pais circulam pelo recinto do Festival. Durante quatro dias, o MED Kids receberá crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 12 anos acompanhadas por uma equipa de monitores. Mas este ano a grande novidade é a programação conjunta da Rádio Zig Zag, web rádio do grupo RTP direcionada a um público infantil, para além das habituais atividades desenvolvidas pela equipa da Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner Andresen.
A Zig Zag trará três rubricas de entretenimento para as crianças: das 20h00 às 20h30, “Sons do Meu Planeta” (Ouves mesmo muito, muito bem? Então, tenta adivinhar o som que vamos tocar!), das 20h30 às 21h30, “Coco Loco” (uma hora de discoteca só para crianças com o Dj Coco e o MC Loco), e das 23h30 às 00h00, “Inspira Expira” (quando o sol se deita, é hora de descansar na Rádio Zig Zag, com histórias perfeitas para ajudar a acalmar depois de um dia de agitado). Nos momentos em que a rádio não estará com oficinas, as crianças que queiram poderão fazer uma visita, "brincar" e experimentar o fantástico mundo da rádio.
Já a Biblioteca, propõe uma atividade diferente por dia: dia 27, pelas 21h30, um ateliê de fantoches de meia; dia 28, conto teatralizado inspirado na obra “A Fada Oriana”, pela II ACTO Produções Artísticas (no âmbito das comemorações do Centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen); dia 29, teatro de marionetas “Pinóquio – O Início”; dia 30, ateliê de origami. 
Dentro da mesma temática, e na habitual parceria com a APORFEST, logo no dia de abertura do Festival MED decorre a conferência “Festivais de Cinema e Festivais de Música, Uma simbiose?”.
Também o Teatro ganhará este ano um destaque no Festival MED. A organização decidiu apostar nesta manifestação artística, numa parceria com o experiente Teatro Análise da Casa da Cultura de Loulé que irá apresentar, no Palco Bica, uma teatralização de alguns poemas da obra “Os Contos do Gin Tonic” de Mário Henrique Leiria. À semelhança da obra deste autor, os atores do T.A.L. irão levar ao palco uma boa dose de humor negro, muita irreverência e sarcasmo naquela que será uma estreia nesta fusão artística dos quatro cantos do mundo que é o Festival MED.

 

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