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Máquina Moderna do electric man

Written by  Eva Pais fts Carla Gonçalves

Após dois álbuns e um single editado no início do ano, "Much More Space" - onde contou com a participação de Suspiria Franklyn, a antiga vocalista dos Les Baton Rouge , o Electric Man está de volta com o single "Modern Machine", o resultado da ligação biónica do Homem com a máquina, aqui explorada de forma mordente pelo músico.

"Modern Machine" aborda o fenómeno das redes sociais e o ego exacerbado que daí explode, o facto de nos alienarmos da realidade e construirmos uma nova, que mais nos convém, através de um ecrã. Somos, em muitos casos, uma espécie de avatar de nós mesmos, o que nos permite ser aquele herói que não conseguimos ser na vida real, fazendo com que a aparência se sobreponha à própria realidade, e tudo serve para aparecer e alimentar esta nova forma de existir. Entre o rock e a música electrónica, a identidade sonora alcançada em "Modern Machine" é o resultado mais expressivo de toda esta loucura criativa.

O que levou à criação de Eletric Man e como surgiu o nome?

Tito Pires: A origem de Electric Man deveu-se ao desgaste na experiência com bandas. Por diversas razões sempre foi difícil manter um grupo unido à volta de um projecto a longo prazo. Além disso sempre tive um entusiasmo que não revia nos restantes elementos. Decidi, por isso, fazer algo sozinho!
O nome veio de uma música da minha última banda, os Gessicatrip. Foi um projecto que me marcou, onde houve espaço para experiências sonoras bizarras. O tema “Electric Man” é exemplo disso. Este projecto a solo veio na sequência dessa experiência e o nome fazia todo o sentido.

Quais as diferenças entre Tito Pires e Electric Man?

TP: Tito Pires é um gajo que tem mil ideias a toda a hora e que as quer tornar reais. Electric Man personaliza a sua maior paixão, a música.

Quais as influências do projeto?

TP:É muito difícil responder a isso porque estou constantemente à procura de coisas novas. Nunca me fixei apenas naquelas duas ou três influências mais que me acompanham há mais tempo. Há um lado mais negro, dark wave, que talvez tenha sido transmitido por bandas como Bauhaus, Siouxsie & the Banshees (dos quais gravei uma versão do tema “Hong Kong Garden”) ou os mais recentes She Wants Revenge, que já misturam um lado mais dançável que também me acompanha. A cena portuguesa foi também algo que sempre acompanhei de muito perto. Sempre ouvi Mão Morta, e acompanhei o trajecto e crescimento dos X-Wife, Linda Martini, Parkinsons, entre tantos outros… Além disso sempre tive um certo fascínio por projectos incríveis que estão ou ficaram na sombra. Tenho, por isso, por exemplo, no último álbum, uma versão de um tema chamado “Glories & Jewels” de uma banda lisboeta, os New Connection, da qual poucos deram conta da sua existência.

Como surgiu a vontade de fazer uma apresentação nas redes sociais?

TP: Surgiu claramente após a participação no Homestage Festival. Percebi que conseguia chegar a um número considerável de pessoas a partir de casa, muito também devido ao trabalho de promoção do próprio festival. No entanto fiquei logo com a sensação de que era possível fazer melhor e pensei logo em repetir, mas com mais meios e durante mais tempo. Há também, nesta altura, uma predisposição por parte do público para receber este formato, pela necessidade de consumo de cultura que nunca desaparaceu, mas que agora é limitada e tem, por isso, que se reinventar.
É, por isso, muito importante fazer isto da melhor forma. Se hoje todos gravam em casa com qualidade e fazem videoclipes incríveis com poucos meios… acredito que os directos sejam também alvo de uma enorme evolução independente a curto prazo, por parte dos músicos.

O período de isolamento mudou de alguma forma o seu processo de criação musical?

TP: Essencialmente trouxe-me tempo! Há muito que não me podia dedicar à criatividade de forma tão livre. Será certamente algo passageiro e, por isso, é aproveitar esse tempo da melhor forma.

A presença digital tem sido uma forma de manter contacto com as pessoas. Como é a relação com os fãs nestes moldes?

TP: É bastante directa e imediata quando comunico algo.Mas, confesso que sou contido. Se não tenho nada para dizer, prefiro aparecer apenas quando tenho algo relevante e com conteúdo.

Entre álbuns, videoclips e concertos, que histórias ou momentos o marcaram?

TP: Todo o processo que trouxe o último single “Much More Space” cá para fora foi algo marcante. Houve uma série de sinergias que se criaram de forma quase espontânea, e o resultado está à vista. Foi muito bom sentir que tenho uma série de amigos talentosos cheios de vontade de criar, e que conseguimos remar todos para o mesmo lado num processo longo, trabalhoso mas, ao mesmo tempo, delicioso. Entre a mistura e masterização do Pedro Lourenço que soube trazer alguma frescura ao tema, produção e realização da Plata o Plomo que criou todo o filme, aos actores e figurantes que participaram no mesmo, à participação da Suspiria Franklyn, dos saudosos Les Baton Rouge, foi tudo muito bom.
Mas como nem tudo são rosas, o mais difícil são mesmo aqueles concertos para os quais que fazes quilómetros, crias uma certa expectativa e acabas com uma sala quase vazia. Os músicos passam todos por isso, mas é assunto tabu. Estamos na era em que todos fazemos de conta que somos incríveis e que a vida de cada um é melhor que a do outro… Eu acho que não tem mal nenhum a partilha das coisas menos boas… só nos humaniza. Aliás, adoro histórias de estrada e, na verdade, as piores são sempre as melhores!

Quais os planos para depois desta fase afastamento dos palcos e confinamento? Os diretos farão parte desse futuro?

TP: Estou mortinho para mostrar coisas novas que estou a fazer e para voltar à estrada! É bem possível que os diretos façam parte do futuro, mas nada substitui o contacto real com as pessoas.
E quero muito tocar em festivais… Faz todo o sentido levar este projecto para os festivais. Esta é uma longa luta minha, mas é tão difícil um programador olhar para um projecto fora do catálogo de uma agência ou promotora... Na rádio é a mesma história. Mas a vontade de fazer ainda não desapareceu, por isso, haverá sempre mais Electric Man no futuro.

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