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App para cegos

Written by  Rita Pena fts direitos reservados

 

Trata-se de uma aplicação móvel “Inclusive Vilamoura – A city guide for All”, que visa a inclusão de pessoas cegas em diversas áreas de Vilamoura.

Desenvolvida no âmbito de uma parceria constituída entre a Inframoura e a marina de Vilamoura, esta app visa dotar o espaço público desta localidade de uma ferramenta singular que auxilia pessoas com deficiência visual e com dificuldade de mobilidade, apoiando a sua deslocação e relacionamento com a área envolvente.

Este projeto incluiu o mapeamento de alguns espaços públicos a marina e as praias através de tecnologia GPS complementada com a tecnologia beatcon nas instalações dos escritórios da Marina, apoios de praia, sede da Inframoura e da Guarda Nacional Republicana.
A breve prazo, pretende-se ainda incluir no projeto outras valências relevantes para o território como sejam hotéis, campos de golfes e restaurantes, por exemplo. Deste modo, paralelamente à requalificação do espaço público com uma visão humanizada e inclusiva, este projeto pioneiro constitui mais uma iniciativa de valor acrescentado para a qualidade da experiência na vivência do espaço público e serviços de Vilamoura. 

De realçar que, Ana Sofia Antunes, Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, esteve presente para a apresentação da app  inovadora destinada a pessoas com deficiência visual, um instrumento que contribuirá para o bem-estar de muitos munícipes e poderá reforçar o papel deste polo turístico junto de um nicho de mercado específico, os turistas, que procuram um destino acessível em termos de mobilidade no espaço público.
“Mais do que o turista que vem para fazer uma escapadinha de três dias para conhecer uma cidade, cada vez mais temos o turista com mais idade, mais disponibilidade financeira para gastar e investir em Portugal, que fica durante mais tempo, daí que seja importante que quando ele cá chega possa ter espaços adaptados, tecnologia que o apoie, restaurantes acessíveis, casas-de-banho acessíveis, espaços por onde se consiga deslocar”, referiu esta responsável governamental.
Esta aplicação móvel, que nasce de uma parceria entre a Inframoura e a Marina de Vilamoura, desenvolvida pela empresa My Eyes, é um bom exemplo dessa aposta na acessibilidade e mereceu, desde logo, nota positiva da parte de Ana Sofia Antunes: “é uma tecnologia simples, acessível, que pode ser configurada com um conjunto de informação útil não apenas a pessoas cegas como também com baixa visão”.
Como explicou Pedro Almeida, da empresa responsável por esta solução tecnológica, a aplicação “Inclusive Vilamoura – A city guide for All” envolve a utilização de pontos GPS com as coordenadas no exterior e, no interior, a tecnologia beatcon, transmitindo um sinal de Bluetooth para o telemóvel do utilizador.
Futuramente a ideia é alargar a outras áreas de Vilamoura, como é o caso dos hotéis, campos de golfe e restaurantes, como adiantou Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé. Para este responsável, também outras zonas do concelho poderão vir a aderir a esta inovação tecnológica.
Para o autarca de Loulé, sendo o turismo uma vertente fundamental da economia local, “seria impensável, tanto a nível humano, como a nível financeiro, não tentarmos tornar a nossa oferta turística mais acessível”. Segundo Vítor Aleixo, particularmente em Vilamoura têm sido adotadas diversas medidas “no sentido de se tornar um destino inclusivo e inteligente”. Neste âmbito, a par da criação da Estação Náutica de Vilamoura, que tem como um dos principais objetivos a melhoria das acessibilidades para os utentes de mobilidade condicionada, outros passos têm sido dados tendo em vista a acessibilidade no espaço público, como é o caso de medidas implementadas que valeram a atribuição do galardão de praias acessíveis às zonas balneares de Vilamoura, Quarteira, Forte Novo, Loulé Velho, Vale do Lobo e Garrão Poente.
Apesar do “Acessible Award” atribuído a Portugal pela Associação Mundial do Turismo, que veio premiar “o conjunto de ações desenvolvidas nos últimos anos”, Ana Sofia Antunes acredita que há ainda muito por fazer nesta matéria. Para a Secretária de Estado, para além da importância em colocar a tecnologia ao serviço dos cidadãos com deficiência, é fundamental uma outra dimensão ao nível da acessibilidade: a quebra de barreiras arquitetónicas que muitas vezes impedem a circulação de pessoas com mobilidade reduzida.
O presidente da Câmara de Loulé é da mesma opinião e, no caso do concelho de Loulé, acredita haver ainda “um longo caminho a percorrer face às necessidades que existem”, sendo que aos poucos o território está a ser adaptado a estas necessidades como é o caso da intervenção que está a ser realizada na Avenida José da Costa Mealha, artéria central da cidade de Loulé, que tem como um dos principais objetivos, melhorar a circulação das pessoas com dificuldades de mobilidade, quebrando algumas barreiras aí existentes.

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