Um olhar sobre o mundo Português

Voltei depois de um muito necessitado hiato e agora apresento uma edição recheada de experiências e multiculturalidade. Seja bem-vindo de novo

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Yvette Vieira

Yvette Vieira

terça, 24 maio 2016 20:30

A semana em que fiz o interrail

Fazer uma viagem pelas linhas férreas da Europa exige uma certa planificação.

Sempre quis fazer o interrail e comecei a acalentar o sonho de uma viagem de mochila a costas pela Europa fora, desde que ouvi os primeiros relatos de amigos meus que ao longo dos anos enveredaram por este tipo de aventura, em grupos ou sozinhos, pelos caminhos-de-ferro europeus. Depois a entrada de Portugal na União Europeia e mais tarde a abertura do espaço Schengen viajar tornou-se ainda mais fácil e o interrail acompanhou essa mudança. Actualmente em vez de grupos de países que podíamos visitar com um único bilhete, podemos até percorrer 30 nações depedendo do número de dias que pretendemos usufurir do serviço e foi o que decidi fazer, visitar vários países com um único bilhete de cinco dias, na segunda classe.

Sensatamente o site do interrail pede aos viajantes que programem as suas viagens com uma certa antecedência, devido aos constragimentos decorrente das vagas em alguns dos comboios e ainda ter em conta certas despesas extras que provém da obrigatoriedade de reservar lugar em alguns dos percursos mais concorridos. O que eu pretendia? Viajar sem programar nada e ir visitando países ao sabor da aventura. O que aconteceu? Aprendi que vivemos num mundo em que mesmo que não queirámos exige uma certa organização, com isto falo da Europa, e não é que a experiência tenha sido decepcionante, foi bem mais diferente do que tinha imaginado.

Passo a explicar, se pretendem usufruir do interrail da melhor forma possível tem de programar e saber gerir as linhas férreas dos países que pretendem visitar e deixar um pouco de parte a noção romântica da aventura pelo desconhecido.
No meu caso concreto decidi viajar pela Holanda, Alemanha e Bélgica e o que aprendi foi o seguinte:

Para ganhar dias extras, para além dos cinco previamente adquiridos, tem-se que de viajar de noite, porque o dia é para visitar as cidades que escolhemos, mas atenção só devem embarcar nos comboios a partir da meia-noite no respectivo país que pretendemos visitar e nunca antes, porquê? Porque se tiverem de atravessar duas nações como foi o meu caso da Holanda para a Alemanha em já não existem comboios directos, como no passado, o que contava como apenas um dia de viagem, como vão ter de mudar de companhias-de-ferro, significa dois dias no vosso passe do interrail. Se pretendem ganhar esse dia extra devem fazê-lo desta forma, viajar entre essas duas nações ao longo da madrugada, deste modo, mesmo que tenham de mudar de linha férrea chegam ao vosso destino pela manhã e ainda podem usufruir do passe do interrail ao final desse mesmo dia.

O que nos leva à segunda questão, os imprevistos com os quais no contava (embora, o manual do interrail aborde esta questão). Muitos destes comboios nocturnos exigem reservas de lugar e há extras a pagar que podem ir dos 7 até os 40 euros. Passo a explicar, se pretendem ir num vagão de seis lugares que aconselho vivamente, porque com sorte são os únicos ocupantes, podem dormir à vontade nos lugares vazios e pagam a taxa mínima, se pretendem uma espécie de cama, nos vagões-dormitórios, pagam mais, daí os 40 euros e se tiverem muito azar e não arranjam nada disso tem de ir nos lugares ditos normais, pela módica quantia de 7 euros na mesma, como foi o meu caso e aí dormir torna-se um desafio. Conselho de amiga, levem máscaras de dormir por causa da luz forte, tampões para os ouvidos por causa do ruído, repousos para os ombros, comida e muita água e ainda, esqueçam a vergonha e toca a tirar os sapatos para poder esticar as pernas como for, toda a gente o faz ao contrário do que possam pensar.

Segundo conselho que tenho para dar, procurem sempre nas estações de comboios os balcões das viagens internacionais, porque sem excepção são atendidos por funcionárias muito simpáticas que vós ajudam a “navegar” pelo sistema de transportes do respectivo país que visitam, a escolher os melhores horários e reservar lugares. Em todos os países que visitei toda a gente falava inglês e é particularmente muito importante que o façam na Holanda, porque todo o sistema de caminhos-de-ferro funciona digitalmente e quando se tem um bilhete em papel torna-se tudo um pouco mais confuso, porque não se sabe onde e como validar uma viagem. Afinal, não é necessário para quem usufrui do interrail, apenas tem de ter preenchidas as datas das respectivas viagens que são validadas pelos revisores já dentro do comboio. Muito importante, nunca esquecer de preencher as datas antes da viagem ou cometer o erro de rasurar o bilhete, isso pode custar caro, a multa pode rondar os 100 euros e perdem um dia de viagem, porque tem de voltar a preencher tudo de novo , não foi o meu caso, mas estes avisos também aparecem no manual que vem junto com o bilhete de interrail e que aconselho a lerem vivamente com atenção.

Terceiro aviso de amiga, façam o download da app que a interrail disponibiliza, porque é muito útil, com ela podemos pesquisar os percursos, os horários e ainda mostra as paragens até à estação de destino. Foi uma ferramenta muito importante, tendo em conta, que as localidades tem o que nos parecem nomes estranhos e assim evitam-se potenciais saídas precipitadas dos comboios na paragem errada.

Um último conselho, se decidirem viajar pela Europa façam-no a partir da primavera, os dias são maiores e embora viajem de noite, há sempre um lusco-fusco que nos ajuda a apreciar a paisagem que em outra altura seria impossível.

Por último, faria este tipo de viagem de novo? Não. Foi uma experiência deveras maravilhosa, porque os percursos são lindos em termos paísagisticos durante o dia, os comboios são cómodos e os funcionários são sempre prestáveis e cordais, mas quando se tem vinte anos é muitíssimo mais fácil lidar com as dores corporais, a falta de sono e a escassez de higiene, o que não quer dizer que esteja arrependida, muito pelo contrário, pelo menos já posso dizer que o fiz e já posso pensar na minha próxima aventura.

terça, 24 maio 2016 20:29

A minha vida numa mala

É mais um texto sobre uma das minhas grandes paixões.

Recentemente li uma notícia sobre uma turista inglesa que se atirou ao mar, na ilha da Madeira, alegadamente para ir atrás a nado de um navio cruzeiro onde estaria o marido, a mulher foi resgata das águas do mar por três jovens que decidiram ir à pesca nessa mesma noite e um dos pormenores que me chamou à atenção em toda esta história rocambolesca foi que a senhora em questão conseguiu-se manter a tona, nas águas frias do Atlântico, graças à sua mala. E esse último facto não me surpreendeu, porque seja em que circunstância for uma mulher nunca larga a sua carteira. O que me leva ao tema que pretendo explorar, as mulheres e as suas malas. Neste mundo existem dois tipos de apreciadoras de carteiras, as que usam malas de grande porte, tipo XL e as mulheres que preferem os tamanhos S.
Eu pertenço ao primeiro grupo, porque toda a minha vida esta concentrada na minha carteira. Sou daquele tipo de mulher que nunca emergência consegue tirar da mala, como se trata-se de uma cartola de mágico, todo o tipo de coisas, desde pensos rápidos, pomadas, papel para escrever, água, comprimidos para uma dor de sabeça, etc, etc, pensem seja no que for e provavelmente esse objecto consta do conteúdo da minha mala. Mais, tenho uma amiga que possuiu entre os seus pertences pessoais uma chave de fendas que tinha sido esquecida na mala e que a acompanhou durante quase um ano. E não estou a brincar! Isto sem falar das malas das mamas que são verdadeiros armazéns de perafernálias que vós deixariam de queixo caído. Mas, porquê uma mulher sente necessidade de ter tudo na sua carteira? Não sei. Gostaria de ter uma explicação lógica para tal comportamento quase insano, que implica quilos de pertences transportados diariamente com consequências a longo prazo para a nossa estructura óssea, no meu caso só posso dizer que não gosto de ser apanhada desprevenida, tenho de ter tudo ao alcance da minha mão. O meu quotidiano é uma corrida entre o ponto a até b,c e d e isso implica que possa aceder rapidamente, no conteúdo da minha carteira, a todo o tipo de coisas que necessito nessa lufa-lufa diária. Sinceramente, admiro as mulheres que concentram tudo numa pequena mala, não sei como conseguem. Quando tenho de ir a uma festa e levo uma clutch, fico ansiosa só de olhar para o espaço tão exíguo que não me permite levar quase nada. E penso, o que faço com isto? No fundo, a minha carteira é uma espécie de salva-vidas para todas as ocasiões e voltámos de novo a turista que se atirou ao mar, se não fosse a sua mala, teria sobrevivido? Dúvido!

terça, 24 maio 2016 20:26

As estórias abesonhadas

Abordei um dos livros do escritor moçambicano Mia Couto.

O Mia Couto na sua trajectória gosta muito de escrever contos. E muitas vezes este estilo literário é considerado por muitos menos válido, em oposição ao grande romance.
Mia Couto: Isso é um conceito não criado por um escritor certamente. Não são os autores que pensam assim. É o mercado, são as editoras. Criar uma hierarquia entre genéros literários é uma ofensa para a literatura.

Utiliza também os contos, porque tem a ver com a cultura africana, uma tradição oral de se contarem histórias como estas abessonhadas.
MC: Isso é verdade, mas não é determinante. Eu acho que em todo o lado se fazem contos, todos os povos produzem histórias e portanto se eu tivesse nascido no Alasca, ou na América do Sul eu seria movido com a mesma intensidade para escrever contos.

Este livro é também sobre a esperança? Porque foi escrito após a guerra colonial e civil em Moçambique.
MC: Sim, por isso se chama abessonhado, porque é uma obra que congrega o sonho e a benção, era isso que a gente sonhava que ia acontecer. De facto nos vinte anos seguintes, em 1992 foi quando acabou a guerra civil, houve um período muito feliz, de paz efectiva. Agora, infelizmente, voltaram as nuvens negras, mas acho que vamos ser capazes de superar isso.

Outra das características dos seus livros é a linguagem são as palavras novas que inventa. Sei que faz parte do universo africano, mas quando começou a escrever deve ter havido um impacto, porque inventar palavras não é algo fácil junto de editoras, ou de algum público?
MC: Em Moçambique houve alguma reação, sim. Mas, não foi algo feito novo, não fui eu que iniciei esse processo, esta lá, se os escritores não inventam palavras, inventam uma forma de contar uma história que é só deles e a sua própria linguagem. Acho que não sou tão pioneiro asssim, o Claudino Vieira tinha feito o mesmo em Angola, ou o Ascênsio de Freitas em Moçambique, eu tive muitos mestres.

As palavras que inventam são muito musicais, é propositado ou não?
MC: Não, eu acho que tem a ver com a poesia que quer ser música.

Nestas histórias há muita magia, acontecimentos extraordinários, existe quase uma paralelo com a literatura sul americana, porque por norma, a literatura europeia, em particular em Portugal, não possui muitos autores que abordem estas temáticas.
MC: Não sei se isso é completamente assim, mas a América Latina, a África e a Ásia provavelmente estão mais próximas, são zonas onde não se esmagaram essas culturas da oralidade em que as pessas falam por metafóras e em que as pessoas contam histórias tão facilmente como se fosse um argumento escrito. Não tem a ver com a falência da imaginação do escritor europeu, tem a ver com um certo predomínio de um tipo de linguagem sobre outro.

Destas estórias abesonhadas tem alguma preferida?
MC: Não me lembro, é muito difícil dizer isto, mas acho que o “cego estrelinho” toca-me muito, porque mais do que vez gente cega falou como este conto os comoveu, uma vez, foi a um centro dos deficientes de guerra, não sei se chama assim hoje em dia, e para eles o “cego estrelinho” era um dos colegas, é uma história que me comove muito, porque é como um cego pode “ver” muitas coisas, não é sobre deficiência, é muita coisa que se pode ser compensada.

terça, 24 maio 2016 20:23

A loucura entre nós

Quais os limites da nossa sanidade? O que nos define como normais? “A loucura entre nós” lança um olhar sobre os corredores e grades de um hospital psiquiátrico, buscando personagens e histórias que revelem as fronteiras do que é considerado loucura. Através, principalmente, de personagens femininas, o documentário de Fernanda Vereilles exala as contradições da razão, nos fazendo refletir nossos próprios conflitos, desejos e erros.

Porquê escolhestes este tema? Porquê falar de uma instituição mental na Bahia?
Fernanda Vareilles: Na verdade eu fui apresentada ao livro de Marcelo Veras, um psicanalista de Salvador. Ele escreveu um livro sobre a experiência dele como director de um hospital Juliano Moreira Eu li esse livro que me falou, fiz uma sugestão para visitar o hospital e estive aí. Fui lá pela primeira vez e falei com algumas pessoas e vi que tinha material muito rico para se fazer um documentário. A ideia surgiu depois de bastante conversa com o director e a partir daí começámos a rodar a película.

No documentário lentamente começam a surgir duas pessoas, duas mulheres que de facto fazem parte da narração e que tu acompanhas ao longo do seu processo de entrada na instituição, pelo menos de uma delas. Esssa escolha aconteceu naturalmente?
FV: Sim, eu comecei a frequentar a instituição, fomos com uma equipe bem reduzida e começámos a nos integrar no Criamundo, que é do grupo que falo no hospital. Toda a equipe fazia artesanato com eles, às vezes desligavam os equipamentos e partiam para as suas actividades, foi uma espécie de teste para a gente poder criar essa intimidade com a câmara. A ligação da Rosângela e da Leonor foi construída nesse processo, eu também criei ligações com outras pessoas do Criamundo que eu filmei, mas na rodagem final a gente já só filmava elas duas. Nós fizemos entrevistas com muitos dos pacientes, a gente tem 250 horas de filme para transformá-las em 76 minutos de documentário. Com elas as duas a gente foi criando essa intimidade, houve uma transferência entre eu e elas e daí e elas foram escolhidas como as personagens príncipais, mas não foi uma ideia inicial fazer um documentário sobre elas, foi construído realmente na montagem.

Quais foram os principais desafios ao filmar dentro de uma instituição como aquela?
FV: Bom, foi um processo um pouco burocrático.Desde conseguir a autorização para entrar no hospital, a gente teve apoio todo do director que na época deu apoio para esse mergulho de todos os níveis com as pessoas que trabalham lá, foi uma conquista diária da nossa equipe, da produção, porque filmar num hospital psiquiátrico é uma ideia bem louca. Eles tinham uma psicóloga que perguntava, porquê eu escolhia para entrevistar aquela pessoa e não a outra? Porquê aquela pessoa tem tudo e você esta interessada num certo personagem? São também questões que você se coloca. Entre as dificuldades próprias de se fazer cinema, como conseguir autorização, como obter verba, como conseguir captação para estar lá até como se processa o briefing do director, todo esse processo é difícil e moroso, mas vale bem a pena, porque o prazer de fazer cinema e poder emocionar as pessoas é bem legal e prazeroso.

Referiste que tiveste de pedir autorizações, os directores exigiram-te algo enquanto filmavas os pacientes?
FV: Eles tentaram entender primeiro o meu propósito, eu não queria fazer um documentário sensacionalista, mas um que fala-se sobre a subjectividade daquele mundo e tudo foi mais uma questão de confiança, conseguir que eles entendem-se o meu trabalho, o que eu queria fazer e as minhas intuições. Eles viram os meu trabalho anterior e depois de obter essa confiança, a partir daí, não houve mesmo exigências, mas a gente também pediu autorização para todas as pessoas que estão no filme, era necessário para filmar.

Achas que por seres mulher foi mais fácil ou não?
FV: Na verdade eu estava bem interessada em outros personagens, em Israel que esta no filme, eu adoro ele, mas aí ele passou por umas questões pessoais. Eu não sei se não fosse mulher seria diferente, seria um outro filme feito por uma outra pessoa, homem ou mulher, mas não consigo identificar isso, se existe uma questão de género realmente. Eu tinha uma produtora que era mulher e outras pessoas que eram homens, mas sinceramente não sei responder essa pergunta.

Quando mostraste o filme pela primeira vez foi no Brasil.
FV: A gente mostrou alguns enxertos aqui, em França. A estreia mundial foi em Curitiba.

Qual foi o feeback no Brasil ao teu documentário?
FV: Foi bem positivo, ele teve no cinema em algumas salas. Eu fiquei bem contente com a reação das pessoas principalmente da área de psicologia que se interessam do tema da loucura e da psicánalise. É um filme que pode servir muito de base para esse tema que tem de ser discutido, porque é bem importante. Mas, eu estou contente com a crítica que foi feita que foi bem positiva.

Por outro lado, com este documentário expuseste um sistema de saúde mental com muitas fragilidades, que não é muito apoiado pelo governo brasileiro ou é?
VF: Eu não fiz o documentário nesse sentido. É um sistema que não passa pelos partidos políticos, acho que é uma coisa muito mais forte no Brasil que é saúde mental. Eu sei que retrata um sistema de saúde precário, mas o objectivo dele não era fazer uma denúnica, mas sim, mostrar as fragilidades dos personagens, o mundo em que eles vivem e essa realidade, no hospital que frequentei, eu encontrei pessoas muito engajadas com essa causa.

Quando começaste a filmar tinhas noção do que era ter doenças mentais e quando terminaste o documentário o teu conceito mudou?
FV: Eu tinha uma ideia bastante ingénua. Eu tinha uma noção bastante superficial como todo o mundo conhece sobre a doença mental. A primeira vez que entrei no hospital eu fiquei intimidada com aquela loucura toda e uma certa liberdade. Aos poucos o documentário vai mostrando a complexidade do que é esse tema. Como filmei durante quatro anos esse tema e entrei na vida dessas pessoas, isso me permitiu aprofundar e conhecer melhor aquele mundo, durante o filme eu toquei a doença e eu perguntei para eles sobre a doença, mas isso não me interessava, eu pretendia era mostrar como eles me conseguiam ver apesar de ter aquele sofrimento psiquíco e como eles conseguiam lidar com isso, nas diferentes épocas da sua vida, entre a loucura e a humanidade.

Uma das tuas personagens acabou por suicidar-se no final. Que impacto é que isso teve?
FV: A gente lembrou que ela já tinha tido muitos encontros com a morte, teve várias tentativas de suícidio e viveu sempre tentando evitar isso, mas era algo muito presente na vida dela. Essa questão da morte me emocionou, para mim foi um momento difícil na minha vida. Quanto ao impacto que teve no filme, eu dedici terminar o filme aí, se calhar teria continuado a filmar, porque a decisão de terminar a filmagem ainda não tinha sido tomada. A morte dela não me influenciou, eu prefiro acreditar que não, eu acho que o últimos anos dela, pelo depoimentos das pessoas próximas dela me disseram, ela se apegou um pouco àquela filmagem, mas a verdade do que aconteceu ninguém sabe.

Mudando de assunto, tu vives em Paris e agora estas a preparar outro documentário ou filme?
FV: Eu estou com três projectos. Um no Brasil, outro na França sobre a crise de identidade francesa e uma ficção que estão andamento.

É mais fácil fazer cinema fora ou dentro do Brasil, não tendo em conta o financiamento?
FV: Depende. No Brasil há pessoas bastante abertas a ideias, já trabalhei fora do país, sobre o conflito israelo-palestiniano sobre as pessoas que viviam ao redor do muro, mas depende. Eu acho que no Brasil, não sei como vai ser daqui para a frente, tem havido um movimento muito dinâmico em termos de cinema, muita coisa a ser produzida, com verbas para você filmar.

E o público brasileiro gosta de ir ao cinema ver documentários?
FV: Isso é uma coisa que se esta implementando aos poucos, o filme nacional não é tradição, mas eu acredito que com o tempo a gente vai implementar a nossa cultura cinematográfica, isso vai acontecer, mas ainda é um processo que se esta iniciando, porque ainda não tem muito público.

https://aloucuraentrenos.wordpress.com/about/

terça, 24 maio 2016 20:19

Rotação em pedra

 

Paulo Brito é um artista auto-didacta que se dedica à escultura. Moldar a pedra é uma arte que o fascina e cujos trabalhos apresentou numa pequena exposição, no centro de arte de Caravel, com o título de “rotação”.

Porquê a escolha do título para esta exposição?
Paulo Brito: Foi mais por causa desta peça, acho-a interessante e as pessoas gostam muito dessa obra, por isso, decidi chamar esta exposição de “rotação”.

É também para mostrar o trabalho que fazes na pedra?
PB: Sim, nesta exposição tenho estes trabalhos, mas havia outras obras que não pude mostrar por causa da dimensão e do próprio espaço. Estas obras são mais abstractas, embora, também aborde o figurativo, não ligo muito ao estilo artístico, aquilo que surge é o que faço.

Trabalhas sobretudo a escultura, qual é o teu material de preferência?
PB: Eu trabalho essencialmente com a pedra, porque é um grande desafio e exige muita paciência, muita concentração.

Mas, trabalhas vários tipo de pedra?
PB: Nesta exposição, não. Uma das peças exposta faz parte da minha colecção privada, é só mesmo para mostrar as surpresas que surgem quando trabalhámos a pedra, foi uma encomenda pelos 500 anos do Campanário e sem querer encontrei um fossíl, então achei interessante e deixei visível para que o público pudesse ver as surpresas que surgem quando trabalhámos a pedra.

Também possuis alguns trabalhos de pedra vulcânica. É uma pedra difícil de trabalhar?
PB: É um material complicado trabalhar este tipo de pedra, porque é rija e muito abrasiva. Ela queima muito o material com que trabalhámos. Temos de ter instrumentos específicos para poder trabalhá-la.

Queima as mãos é isso?
PB: Não, é uma pedra abrasiva para com os materiais, as ferramentas de trabalho que usámos, elas tem um nível de desgaste muito elevado.

E das peças que mostras qual é a tua preferida?
PB: Não tenho preferência, a pedra é que me leva a idealizar uma peça.

Quando fazes uma escultura como começa o processo criativo? Olhas para uma pedra e surge-te uma ideia?
PB: Sim, é mais ou menos isso. Depende. Às vezes penso já numa peça e quando a vou colocar em práctica, entretanto, vão surgindo outras ideias, vou desenvolvendo o conceito a medida que corto a pedra.

O que te inspira?
PB: Não vou buscar inspiração, nem nenhum lugar específico.

Saís em busca de pedras e há as que te chamam mais à atenção?
PB: Sim, tem alguns materiais que me chamam mais do que outras pedras.

E em relação aos materiais que não são comuns na ilha?
PB: Umas vezes encomendo, outras vou até um armazém que existe na ilha que possui pedras e falo com eles, são os meus fornecedores. Eles até deixam-me trabalhar nesse espaço nas peças de maior porte, as mais pequenas consigo desenvolver em casa.

Esculturas-paulo-brito.webmode.pt

terça, 24 maio 2016 20:15

Portugal renovável por 4 dias e meio

O país produziu energia limpa que se traduziu em menos de uma tonelada de CO2 para a atmosfera.

A Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) e a Zero (Associação Sistema Terrestre Sustentável) analizaram os dados da REN (Redes Energéticas Nacionais) e concluiram que entre as 06.45 do dia 7 deste mês e as 17.45 do dia 11 deste mês, correspondendo a um total de 107 horas seguidas, "atingiu-se um recorde importante neste século" avança o diário de Notícias. Para o presidente da APREN, António Sá Costa, trata-se de "um prenúncio do que se vai tornar realidade num futuro próximo, que serão 365 dias por ano". O responsável salienta ainda que este marco "é também uma prova do que é possível, para todos os que duvidavam", acrescentando que, "atualmente, mais de metade da eletricidade consumida em cerca de meio ano é de renováveis, a questão é que não são ainda dias seguidos". As vantagens de quatro dias e meio movidos a renováveis são inúmeras, desde a não emissão de uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera à não importação de carvão ou de petróleo. Para a Zero, os dados mostram que "Portugal pode ser mais ambicioso" numa transição para um consumo líquido de energia elétrica 100% renovável, com enormes reduções das emissões de gases com efeito estufa, causadoras do aquecimento global e consequentes alterações climáticas.

Já no primeiro trimestre de 2016, 72% do consumo de electricidade em Portugal foi abastecido através de fontes de energia renovável, de acordo com com a REN. Segundo a empresa registou-se a 18 de Fevereiro um recorde de produção de electricidade em Portugal, de 232 GWh, devido ao pico de produção das fontes hídricas e eólicas. “O Sistema Eléctrico Nacional teve a capacidade de encaixar na sua rede os picos de produção registados, mantendo os elevados níveis de qualidade de serviço”, explicaram em comunicado.
http://www.pordata.pt/

sexta, 22 abril 2016 17:37

O boémio sonhador

A música de Jorge Palma transcende várias gerações e por esse motivo continua a ser um dos artistas mais amados e como já se disse mais perdoado pelo público português. Um toque de genialidade natural que não reconhece, porque encara a música com um trabalho árduo, continuo, a pulso.

Em mais do que uma entrevista refere que a sua veia criativa provavelmente já passou, não acha que a maturidade e a experiência contam?
Jorge Palma: Acho que há fases em que não faço muito por puxar pela imaginação, porque há sempre coisas novas a acontecer, porque existem períodos mais produtivos do que outros. Mesmo quando escrevi a canção “uma página em branco” é um pouco a brincar com a imaginação, isso basicamente é trabalho. É só meter na cabeça que vou fazer um disco à maneira, mas as primeiras coisas vão para o lixo.

Então acha que ainda vai escrever o seu melhor álbum de sempre?
JP: A ideia é sempre fazer uma coisa boa. Acho que sim, porque vou reunindo muita informação, portanto a idade e a vivência ajudam...

Faz a perfeição?
JP: Não, não, eu não quero perfeição. (risos)

E dos discos que já editou qual é o reflecte melhor o artista?
JP: Isso é muito subjectivo. Eu gosto de todos por motivos diferentes, uns por motivos mais afectivos, outros por serem mais eficazes.

Como o “dá-me lume” que foi um sucesso junto da crítica e do público?
JP: Trata-se de uma colectânea. Foi muito bem organizada pelo Tiago Palma, meu filho, aliás, é a minha melhor colectânea, foi muito bem tratada e masterizada. A canção “dá-me lume” é daquelas que ficou junto do público e que é mais ou menos obrigatório tocar.

Sente que agora tem um novo público depois do aparecimento de “vôo nocturno” e de uma das canções ter feito parte da banda sonora de uma telenovela portuguesa?
JP: Essa verdade a gente não sabe, mas o “encosta-te a mim” foi um sucesso que ninguém estava à espera, não vale a pena fazer previsões. A verdade é que naquele verão de 2008 eu já não podia ouvir aquilo, era em todo o lado, na rua, no quartel dos bombeiros... (risos)

Acha que não tivesse feito parte da banda sonora da telenovela teria o sucesso que teve?
JP: Concerteza isso contribui sempre. Mas, o sucesso não vem de uma telenovela, nem dum disco em particular, resulta de muito trabalho, a pulso, depende de uma continuidade. Existem coisas que correm melhor inclusivamente nos concertos, há sempre uns melhores do que outros, por razões diversas, mas há um percurso muito sádio.

Abordando os concertos, há um tema emblemático que lhe pedem para tocar sempre?
JP: Depende. Há sempre umas bocas. (risos) Se essa canção estiver no alinhamento, se me sentir capaz de a tocar, toco. Mas, o que acontece muitas vezes é que acabo por tocar esses temas, porque esta no alinhamento, eu costumo fazer concertos grandes, mais de duas horas, nos concertos com o Ségio Godinho há mesmo muita música, que ultrapassa claramente essas duas horas.

Diz que nasceu músico, desde o quatro anos quando começou a tocar piano...
JP: Não tinha consciência disso, mas a verdade é que era.

Se não fosse músico o que teria sido?
JP: Já quis ser aviador, bombeiro (risos). Eu estudei com alguma convicção, ao princípio o curso de engenharia, gostava de ter acabado o curso porque gosto de matemática, física. Não me teria feito mal nenhum, mas a verdade é que o ambiente musical proporcionou-me muita actividade e não dava para conciliar as duas coisas.

Essa área da matemática tem influência na hora de compor?
JP: Acho que a matemática tem influência em tudo, no equilíbrio e funcionamento de uma melodia é fundamental.

E nas letras? Sei que um dos seus mestres foi o Ary dos Santos.
JP: Foi sim, ele deu-me as ferramentas para trabalhar, transmitiu-me confiança e foi muito importante aquele período de trabalho, era um ambiente de festa todos os dias, mas havia muito trabalho. Depois tenho outros mestres que nem sabem que o são, das coisas que eu ouço, agora morreu o Bowie. Eu quando gosto de uma canção, meto na cabeça que vou aprender a letra, estudo-a mesmo, não é só decorar, tento perceber como a pessoa escreveu aquilo e tento aprofundar o mais possível.

Para se ser um excelente músico, tem-se que ser um pouco melómano, ouvir muita música? Isso é importante para o processo?
JP: Havia períodos da minha vida que passava de manhã à noite a ouvir música, mas a ouvir com atenção. Neste momento nem tanto, mas tanto pode ser um Mozart, como o Tiago Bettencourt.

Isso é importante para o processo criativo?
JP: Quando gosto de ouvir, não gosto que haja conversa, com pessoas a mexer-se, ou a falar. Na minha adolescência e juventude habituei-me a isso, podia estar uma dúzia de pessoas, mas a gente ouvia, ninguém falava, estavámos a ouvir com muita atenção, eu gostava muito de retirar trechos de guitarra, baixo, bateria e piano para aprender.

Mas, ainda ouve muita música clássica?
JP: A minha mãe habitou-me a ouvir e em criança gostava muito de ouvir música clássica. Depois na adolescência virei-me para o rock, mas retomei os estudos, porque há compositores fantásticos, o Joahnn Sebastian Bach é uma sonoridade que não há como ficar completamente rendido.

Esta numa fase de concertos pelo país, inclusive com o Sérgio Godinho, mas tem algum projecto em vista?
JP: Projecto é esta digressão, mas com um fim que não esta a vista. Portanto é continuar. Tenho cada vez há mais trabalho e quero ver se gravo temas novos, esta-me a apetecer.

sexta, 22 abril 2016 17:32

Moçambique inspira verão

O Mozambique fashion Week apresentou as novas tendências para esta primavera-verão 2016.

Graças a parceria da Portugal Fashion e da semana da moda em Moçambique fiquei a conhecer alguns dos estilistas de maior renome deste país e as suas colecções. Devo reconhecer que fiquei fascinada, encantada e siderada por muitos dos coordenados que não só nos transportam até o continente através dos seus padrões vibrantes, como pela explosão de cores e tipos de tecido lindíssimos que me deixaram completamente rendida. Devo confessar que vestia quase todas as peças e muitas delas são uma óptima sugestão para a nova estação que se aproxima.

"Uma ideia é um ponto de partida e nada mais. Logo que se começa a elaborá-la,
é transformada pelo pensamento." a frase de Plabo Picasso foi a ideia inicial para a colecção de Roselyn Silva, que apresentou uma colecção cheia de cores vibrantes que variaram entre os tons de rosa, carmim, azul, amarelo e branco. Os coordenados apresentavam silhuetas dinâmicas com recortes que ajudam a realçar os padrões geométricos, veiculando a ideia de uma mulher forte e ao mesmo tempo muito feminina.

A coleção de Shaazia Adam para o próximo período primavera-verão inspira-se no filme "Factory Girl". A musa da coleção é Edie Sedgwick. São coordenados muito coloridos e florais, traços que coexistem com saias muito fluídas com uma mistura de cortes rígidos. Possui ainda, um perfil muito jovem com tons de rosa bebé, salmão, verde azeitona, coral e amarelos ao longo das peças. Os tamanhos variam entre os shorts e os blazers longos ou de três quartos. Os outfits contam ainda com um bordado floral e adornos ao longo das linhas do pescoço e da cintura, bem como nos bolsos.

Ideias a metro apresentou uma coleção com um padrão único e exclusivo que reflete a fusão da cultura Moçambicana, através dos seus tecidos tradicionais, as capulanas, e a cultura portuguesa, nomeadamente através das cores e dos padrões dos lenços tradicionais do Minho. Há uma mistura de cores, tecidos e texturas em peças muito femininas, elegantes e sofisticadas mas sempre com um design extremamente confortável e um toque boémio.

A marca "Omar Adelino” tem vindo a transmitir desde o ano em que entrou para o mundo da moda um conceito de classe, glamour, simplicidade e muita união em termos de padrões. A paleta de cores envolve tons nobres como o preto, o dourado e o colorido da capulana tradicional moçambicana. Os materiais escolhidos são o lurex, a renda, o linho gianni, o chiffon, a capulana, pedras swarovski e pérolas. A coleção é composta por doze combinados, ao todo, são nove femininos e três masculinos, que pretende mostrar m pouco de uma África moderna, simples e em expansão. Um encontro do chique e do casual.

http://www.portugalfashion.com/pt/edicao/ss16/participantes/dielmar/ideias-a-metro-mozambique-fashion-week/

sexta, 22 abril 2016 17:29

O livro das noivas

Foi uma obra obrigatória para as jovens casadoiras, escrita por Laura Santos.

Recentemente quando fiz uma limpeza voltei a redescobrir dois livros que pertenceram à minha mãe e que na sua juventude eram leitura quase obrigatória para quem se ia casar, a famosa “escola de noivas”. Deliciei-me e ao mesmo tempo fiquei horrorizada com alguns dos capítulos que discorrem sobre este conceito de mulher moderna que recebia uma espécie de manual que lhe ensinava entre outras coisas como uma noiva deve comportar-se, o tipo de enxoval que deve possuir, a vida pós-casamento, como agradar o seu marido, os cuidados a ter com as crianças, conselhos de como tirar os diversos tipos de nódoas da roupa (que achei deveras úteis), a decoração do lar, o que constitui um serviço de mesa apropriado, como arrumar um armário, como limpar a casa, que tipo de plantas são adequadas numa residência e claro esta “pequenos nadas que fazem as boas cozinheiras” acompanhadas de receitas (algumas das quais com ar de serem muito saborosas, devo confessar). Numa das páginas chega a afirmar-se que “não basta à mulher ser uma perfeita dona de casa, económica, asseada e habilidosa. Deve igualmente receber bem na sua casa, tanto as suas amigas, como os amigos do seu marido” fim de citação, referente ao subcapítulo das apresentações. Agora, talvez fiquem com uma ideia do grau de excelência que se esperava de uma jovem mulher casada ao ponto de ser necessário publicar um livro para a ajudar nessa tarefa hercúlea que era a gestão de um lar português (e sim estou a ser irónica, caso não tenham notado!). E não pensem que se tratava de um conceito anacrónico para a época, a “escolas de noivas” tinha e...ainda tem um público vasto no nosso país, porque ao fazer uma rápida pesquisa na internet encontrei uma edição de 2007. E não só, a título de curiosidade cabe referir que a autora, Laura Santos, por conta destes livros e outras publicações sobre gastronomia portuguesa e lavores construiu um império editorial que ainda se mantém nos nossos dias.
Depois de folhear esta “escola de noivas” não pude deixar de reflectir sobre o papel da mulher portuguesa na sociedade dos anos 60 e princípios dos anos 70 de como estas jovens ficavam confinadas a um ideal de donas de casa perfeitas e não desesperadas, verdadeiras super mulheres bem vestidas e de sorriso constante no rosto, numa sociedade conservadora que só lhes permitia trabalhar, ou viajar apenas com permissão escrita do marido, ou do pai no caso das solteiras. Só tenho mais uma coisa a acrescentar sobre esta matéria, viva a revolução do 25 de Abril!Boa leitura!

sexta, 22 abril 2016 17:23

O sal da terra

É um filme de Juliano Ribeiro Salgado e Win Wenders sobre o fotojornalista Sebastião Salgado.

Trata-se de uma narrativa a preto e branco que nos remete para o percurso fotográfico de Sebastião Salgado ao longo de toda a sua carreira. É sobretudo uma visão bipartida, por um lado, Wim Wenders debruça-se sobre o profissional sob o ponto de vista do admirador de uma obra icónica. Do outro, temos o olhar do filho, que aborda à ausência de um pai em constante movimento motivado pela apetência por outras realidades, por outros mundos longíquos que o afastavam do quotidiano familiar. O que não deixa de ser curioso é que Juliano Ribeiro Salgado acaba mesmo fazendo parte dessa errância de forma a poder conhecer o pai que nunca esteve presente e que nos dá a conhecer através deste documentário. Aos poucos estas duas visões antagónicas do mesmo homem complementam-se e vão construindo uma narrativa que não se limita a admirar a obra, mas que também nos mostra o lado mais humano, mais frágil e intímo de um homem que perpetou em imagens o pior e o melhor da natureza humana. Assim como, homenageia um terceiro elemento basilar para a carreira de Sebastião Salgado, a sua esposa, Lélia Warnick Salgado, porque sem ela nada teria sido possível. O Sal da terra é um documentário marcante, porque é impossível ficar indiferente as imagens mais negras da história da humanidade captada pela lente acutilante de Sebastião Salgado, mas ao mesmo tempo termina com um sopro de esperança, quando aborda o seu último grande projecto fotográfico génesis e ainda o trabalho desenvolvido pelo Instituto Terra, uma organização ambiental sem fins lucrativos fundada pela família Salgado, que tem como objectivo a reflorestação da mata atlântica no sudoeste Brasileiro.

http://www.expogenesis.pt/

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