Um olhar sobre o mundo Português

Voltei depois de um muito necessitado hiato e agora apresento uma edição recheada de experiências e multiculturalidade. Seja bem-vindo de novo

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Yvette Vieira

Yvette Vieira

terça, 16 agosto 2016 18:56

Portraits of a chaotic mind

 

Andé Gonçalves é um jovem artista de fotográfia conceptual que nos faz mergulhar em cenários surrealistas, profundos e personagens que quase nos murmuram segredos e transportam para outros mundos.

Porquê desta exposição?
André Gonçalves: Eu já fiz outras duas exposições anteriormente, mas uma delas foi inserida num colectivo. Na Madeira temos que basicamente promover-nos, eu decidi enviar emails a várias instituições, museus e espaços culturais e obtive uma resposta do teatro Baltazar Dias.

Qual é o fio condutor desta mostra? As fotografias remetem para um cenário gótico.
AG: Não tenho um estilo, tenho uma identidade criada obviamente, tenho várias temáticas desde o surreal, o conceptual e ainda tem retratos. Não tenho um estilo definido, mas abordo vários temas da fotográfia e tento explorá-los ao máximo.

Em relação as fotográfias, tu montas um cenário e só depois inseres as personagens? Ou há uma história e depois constroís a foto?
AG: Não, apesar das minhas imagens transmitirem essa ideia nunca é assim. Quando estou a fotografar nunca tenho uma ideia base, simplesmente deixo-me ir, mas tenho um baú e quando vou fotografar levo tudo atrás de mim e depois uso o que achar mais adequado ao cenário, ou tenho uma ideia muito básica do que quero fazer. Eu não sou fotográfo e não me considero como tal, o que gosto mais de fazer é manipulação de imagem e é onde entra quase todo o meu trabalho, onde aparece a composição da imagem, tentar transmitir uma mensagem através da fotográfia.

É curioso que referiras essa questão, porque nota-se que há uma técnica por detrás de algumas imagens quase tenebrosas.
AG: Sim, como disse não me considero fotográfo, mas tenho de tirar as fotos porque é o ponto inicial do meu trabalho, uso photoshop, a imagem é quase toda alterada, mas não fugindo muito da realidade dos cenários, mas se vir o antes e depois não distorço a paisagem fica um efeito quase cinematográfico, mas na minha opinião real.

Também tens muitos auto-retratos, porquê? Recordei que algns artistas faziam este tipo de trabalho, primeiro por falta de objecto para pintar, mas também para apurar a técnica, foi o caso?
AG: Sim, começou com os auto-retratos, mas não é por falta de trabalho, gosto de mim e de fazê-los.

Consideraste um designer? Ou artista?
AG: Artista sim, fotográfo não, designer não, porque sou auto-didacta, sinceramente não tenho uma definição, talvez manipulador de imagens.

E qual é o teu próximo passo depois desta mostra?
AG: Agendado tenho uma exposição no início do próximo ano na Fnac, vou lá estar três meses.

terça, 16 agosto 2016 18:48

Incêndios destroem Portugal

 

O combate as chamas mais uma vez mobiliza milhares de profissionais e as próprias populações.

Mais 4, 000 profissionais estiveram até o momento no terreno um pouco por todo o país, inclusive na ilha da Madeira, no combate aos fogos que assolam o território nacional, desde o início do mês de Agosto. Ao todo mais de 180 focos de incêndio varreram milhares de hectares de floresta e só para terem uma ideia, na ilha da Madeira, na cidade do Funchal, 150 habitações foram consumidas pelas chamas, existe 3,078 mil hectares(ha) de terreno queimado e há infelizmente três vítimas a lamentar, na Calheta ardeu 28% do seu território num total de 3,200 ha. No Continente, à Norte, um total de 16,660 ha de terreno foram consumidos pelas chamas nas localidades de Caminha, Arcos de Valdevez e Viana do Castelo. Ao centro, em Águeda e Anadia 10,328 hectares foram queimados, o incêndio de São Pedro do Sul lavrou aproxidamente um terço, ou um quarto dos seus 250 quilométros quadrados do seu território e em Arouca, no distrito de Aveiro, foram já mobilizados 831 profissionais e 256 meios terrestres e no total arderam 17 mil hectares de terreno.
O sistema Europeu de informação de fogos florestais (EFFIS) ao analisar as imagens satélite que contabiliza os fogos em tempo real, desde o início do ano até sexta-feira, dia 12 de Agosto, refere que só em Portugal já arderam mais de 101 mil hectares de floresta, o equivalente a 101 mil campos de futebol. Só o nosso país é responsável por metade da área ardida em todos os 28 países europeus que foram fustigados por incêndios florestais este ano. O observatório europeu sublinha ainda que esta média de 2016 ultrapassa as zonas queimadas de 2008 e 2015 que rondaram os 25 mil hectares ardidos, dados que vão ao encontro da tese de doutoramento de Ricardo Ribeiro, que defendeu na Universidade Europeia, em Madrid, na qual avaliou o resultado de dez anos de aplicação do Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios como sendo negativo e ineficaz.
"A desertificação é um fator de risco crítico que nunca é abordado. Mas há uma relação direta entre a densidade populacional e a área ardida, os grandes incêndios ocorrem em zonas do interior onde houve um êxodo para o litoral", em declarações à Lusa o responsável, que também é o presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Proteção Civil (Asprocivil). E avisou, "o paradigma dos incêndios vai alterar-se dramaticamente, do ponto geográfico e cronológico. É que, esclareceu, com as alterações climáticas, os incêndios vão deixar de ser um problema do verão e vão estender-se também a outras zonas do país, até agora mais poupadas".
No estudo, de mais de 600 páginas, que admite possa vir a ser publicado, defende, como fundamentais, políticas de prevenção e lembra que, em 2013, ardeu em Portugal metade de toda a área consumida pelas chamas na Europa. Uma das causas, adianta, é a "precariedade da conservação das matas", aliada ao êxodo rural, à construção de habitações em locais de risco, aos efeitos das alterações climáticas e à negligência das pessoas. Ricardo Ribeiro propõe que as boas práticas da população seja matéria do sistema de ensino e que deve haver campanhas publicitárias. Os bombeiros devem ter também mais formação e deve criar-se um sistema de incentivos públicos para o ordenamento do território e para limpeza do biocombustível, para a qual deviam ser criadas equipas de intervenção. Apostar na criação de um mercado ibérico de biocombustível, aprofundar a "atuação punitiva", implementar meios permanentes de combate a fogos a partir de março, criar medidas sociais para pessoas até 50 anos, para combater a desertificação, criar incentivos fiscais para fixação de jovens no campo ou apostar na videovigilância são algumas das propostas de Ricardo Ribeiro.
O responsável defende especificamente que sejam criadas equipas de intervenção idênticas às dos combates a incêndios para que atuem no fim do inverno, a criação de medidas de intervenção e prevenção, e que os terrenos junto de estradas e casas sejam efetivamente limpos. "Nesta problemática, há a prevenção, a resposta ao fogo, e a reposição da normalidade. Mas, em Portugal, incide-se especialmente na resposta, esquecendo-se a prevenção e a reposição da floresta", disse Ricardo Ribeiro à Lusa, acrescentando: "Portugal foi o país europeu que menos reflorestou nos últimos 20 anos".
Nem parece que ardem em média cada ano 150 mil hectares de floresta, ou que, em 2013, ardeu quase meio milhão de hectares, lembrou, acrescentando que, entre 2002 e 2013, morreram, devido aos incêndios, 97 pessoas, 51 delas bombeiros. E nem assim, disse à Lusa, há mudanças de comportamento ou há um planeamento eficaz, esquecendo os políticos que, quando "fecham um centro de saúde, estão a estimular as pessoas a irem embora". Os incêndios, como os dos últimos dias, provocam um prejuízo médio anual "superior a duas centenas de milhões de euros", mais outros 200 milhões em prejuízos ambientais e materiais, disse o responsável.

www.lusa.pt
http://forest.jrc.ec.europa.eu/effis/

terça, 26 julho 2016 19:36

Memórias de Martha

 

O Mudas, Museu de Arte Contemporânea da Madeira apresenta, na antiga casa principal, no novo espaço de exposições temporárias, a obra de artista plástica Martha Cohen da Cunha Telles.

Trata-se de um expólio de 31 obras, entre pintura, aguarela, gravura e serigrafia, que segundo o director Regional de Serviços de Museus e Património da Direcção Regional da Cultura, Francisco Clode são “uma homenagem a uma artista nascida na Madeira que fez o seu percurso profissional no Porto, em Paris e posteriormente no Canadá”.

O conjunto de trabalhos da artista plástica foi cedido pela sua filha Teresa Cunha Telles Hall no seguimento de um protocolo de cedência por 10 anos à Região, prorrogado por mais 5 anos, um acordo de suma importância porque, como refere o responsável, Martha Telles para além de ter sido “uma professora, uma pedagoga, viveu toda a vida na memória da sua infância. A sua obra reflecte isso, não no sentido de uma pintura naif, mas um trabalho que ressuscita à sua infância e ela própria vive nessa melancolia, vê-se como uma criança a reflectir sobre a sua condição de adulta. Toda a sua vida viveu esse drama, a criança grande que era, a vida que deixou e que ela efabulou. A Agustina Beça Luís escreveu sobre ela e as suas narrativas da memória que não são a realidade, mas uma ficção, porque toda a memória é isso mesmo e no fundo o trabalho da Martha Telles é assim, ficcionar aquilo que somos para sermos algo diferente. É uma homenagem a esse profundo amor que ela tinha sobre a sua terra natal”.
Nascida no Funchal, a 19 de agosto de 1930, filha de um advogado madeirense e de uma cantora lírica dinamarquesa, Martha Cohen da Cunha Telles, após uma breve iniciação com o pintor paisagista Max Römer na sua terra natal, cursou Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, obtendo o diploma do Curso Especial e do Curso Superior. Entre 1963 a 1965 foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris, onde estudou pintura sob a orientação de Maria Helena Vieira da Silva e Sociologia da Arte na Sorbonne.
Após uma breve passagem pelo ensino secundário foi para Copenhaga em 1961, onde fez a sua primeira exposição individual. Nesta cidade, a par da pintura, trabalhou também como desenhadora técnica, atividade que já tinha praticado no Porto. Em 1968 mudou para Montreal e aí prosseguiu estudos. Obteve o Bacharelato em Artes Plásticas na Universidade do Quebeque, frequentou o Curso de Gravura na Universidade McGill e foi bolseira do Conselho das Artes do Canadá. Naturalizou-se canadiana em 1974 e, após dezasseis anos neste país, regressou a Portugal em 1983. Viveu ainda uma temporada na Bélgica tendo falecido a 21 de fevereiro de 2001, em Lisboa.
A exposição de Martha Teles representa a segunda fase da transformação do espaço Mudas que tem vindo a ganhar cada vez mais visitantes desde à sua inauguração em Outubro do ano passado, em particular, pelos estrangeiros que visitam à ilha da Madeira, neste âmbito Francisco Clode refere que, “às vezes temos a ideia que os turistas tem pouca informação e não sabem nada sobre património, mas sabem, só que fazem opções. Temos uma média superior a mais de 1000 visitantes mês. Há dias durante a semana em que o museu é visitado por mais de 150 pessoas, uma média que esperámos atinja os 25 a 30 mil visitantes ano. Só este ano podemos olhar para os números já que anteriormente o Mudas era apenas um centro de exposições, não tinha propriamente uma colecção em permanência. Há uma renovado interesse pela oferta cultural, as pessoas vêem pela natureza e pelo mar, mas cada vez mais se interessam pelo património”.

http://aprenderamadeira.net/telles-martha-1930-2001/

terça, 26 julho 2016 15:51

O trapezista da comédia

César Mourão é um actor que assume várias peles, mas é na comédia que se sente mais à vontade. Considera-se uma espécie de artista sem rede, quer no tipo de comédia que exercita, quer em termos do percurso da sua carreira, como mostrou no Forum Madeira  Humor Fest. 

Começaste com o Herman José e agora tens um filme no cinema achaste que seria esta a carreira que pretendias?
César Mourão: Esta tudo certo, mas sete anos antes do Herman eu já tinha a minha carreira. Eu não começo com ele, muito longe disso, ele foi uma parte importante do meu percurso obviamente, tanto que sou um fã incondicional e sempre fui. Hoje em dia eu não penso muito no percurso, gosto de fazer coisas em que me sinta bem, teatro acima de tudo, depois cinema e no fim televisão, só que são trabalhos e formas completamente diferentes.

Consideraste um cómico?
CM: Não, considero-me um actor. Um humorista, ou cómico não tem de ser um actor, o meu trabalho e formação na arte da representação e se tiver de fazer um filme com uma personagem com carga dramática faço. O humor surgiu sem querer é uma praia onde me sinto muito bem e dá-me muito gozo, faço isso mais hoje em dia.

Achas que por teres tido tanto sucesso nessa área humorística que ficas catalogado nessa vertente e só te oferecem trabalhos cómicos?
CM: Sim, neste filme da “Canção de Lisboa” o meu personagem tem muito de cómico, poém possui um arco dramático que também acontece e não é só um registo de humor, há um lado sério e ainda canto e isso é engraçado. No “Pátio das cantigas” pelo contrário não havia muito humor, talvez era o personagem com menos graça de todo o elenco que lá estava. Portanto, fico catalogado com muito orgulho como cómico e gosto de ser humorista, apenas também sou actor e com o tal posso fazer outras coisas que não essas.

Então consideras como muitos artistas sublinham que fazer humor é muito mais exigente ao actor, porque é mais difícil fazer as pessoas rir?
CM: Eu não sei se é mais difícil o que eu acho é que depende da forma como cada um o encara. Ao fazer uma cena com ar dramático se as pessoas estiverem caladas numa sala nós interpretámos como estão a gostar imenso, porque não se ouve um pio, se vamos ao cinema e vemos um filme dramático as pessoas também estão caladas, deduzimos que estão a gostar imenso. Na comédia é imediato, as pessoas riem-se se estão a gostar, se não se riem não estão a gostam, é mais fácil avaliar se resulta ou não. Eu, por exemplo, sou um espectador de comédia em que nunca me consigo rir, não sou uma pessoa de sair de um espectáculo e rir-me, às vezes acho espectacular e até digo que é das melhores coisas que já vi e há muitas pessoas que são assim. Agora, se tivermos muita gente assim num espectáculo de comédia, pelo menos duzentas pessoas, eu sei que é horrível. Não tem a ver com o facto de gostar, ou não gostar, mas com o facto de ficarmos admirados e não nos conseguimos rir, a comédia é mais imediata a pessoa gostou ou não gostou, no drama se estão caladas depreendemos que gostaram da cena dramática, mas pode não ser o que acontece.

Onde então é que entra o stand-up?
CM: Não entra. Deixa-me corrigir, eu não faço stand-up nem nunca fiz. Esta forma de comédia é um texto que se escreve em casa com piadas já preparadas e subimos a um palco com todo esse material sobre determinados assuntos. O que faço é improvisão, eu chego, não tenho nada absolutamente preparado, faço uma improvisão ou outra, chamo uma pessoa faço uma música sobre a sua vida e nada daquilo é preparado, é improve comedy, uma improvisão teatral, não no absoluto do termo, porque não é um espectáculo, porém não é stand-up, porque não o faço e nem tenho jeito.

Como é um espéctaculo sem rede, já aconteceu as pessoas não gostarem?
CM: Nunca me aconteceu, felizmente. O desafio é esse, quando vamos a um circo dámos mais valor a um trapezista, e não sabemos bem porquê, que faça o seu número sem rede, sem nada, do que um artista que tenha uma rede em baixo. Tem ambos valor, porque as manobras são igualmente difícieis, só que um tem rede e o outro esta sem segurança nenhuma e não há diferença. O que eu não faço não é diferente do que os meus colegas fazem, é um trabalho complicado, é outro tipo, porque o deles tem um texto e estão safos porque sabem do que vão falar, eu faço exactamente o contrário, são as mesmas manobras, mas sem a rede.

E nunca tens brancas?
CM: É impossível ter uma branca quando não tenho nada para dizer. Portanto, eu não me posso esquecer daquilo que não tenho para me lembrar. Como eu não tenho nada para recordar, não há branca, apenas podem haver silêncios, mas esses existem, porque a arte da comédia é o timing e não a piada que lá esta escrita. Se eu der um texto a um segurança de um shoppping e der o mesmo ao Raúl Solnado, as mesmas palavras com as mesmas vírgulas não vão ter piada na voz do segurança, à partida, por outro lado, vão ter imensa graça com o comediante. Não é o que esta escrito é o timing em que é feito, a destreza com que nos queremos levar o público e não com aquilo que o público pensa que vai sozinho.

Em todas estas áreas por onde te moves o teatro é o teu espaço preferido?
CM: Sim, a minha área preferida é o teatro. É incrível ter essa capacidade de levar o público ao riso como quero e por onde quero e não pelo que eles acham que vão rir e isso é incrível. A magia da televisão e do cinema são incríveis, prefiro a última, é mais mágica e uma manobra.

Vamos falar da “Canção de Lisboa”, quais foram os desafios de uma personagem tão emblemática, perpetuada pelo Vasco Santana?
CM: Na verdade o desafio não era muito grande, porque não é uma imitação do Vasco Santana, eu não tenho peso nenhum e o actor tinha muito. Tenho apenas orgulho e respeito, porque ele a interpretou. Agora, o filme não é uma imitação, quer ser outra coisa e tem capacidade para ser outro filme, mas tem a mesma permissa, ou seja, é uma pessoa que estuda medicina e não estuda nada, as tias julgam que é médico e ele não é. O desafio é o mesmo, porém é feito de outra maneira, é a mesma coisa que eu lhe pedisse para desenhar um girassol e a uma menina do Bangladesh, vão ser duas flores diferentes.

Sim, mas como todos os portugueses de várias gerações, concerteza que viste este filme mais do que uma vez, acabas por ter sempre no fundo da tua cabeça a personagem que é inesquecível.
CM: Sim e é inesquecível e tem algumas partes do filme que faço “ipsis verbis” de próposito, a parte do exame é exactamente transcrita do filme, é uma homenagem e logo aí estou mais calmo por não ter que imitar.

terça, 26 julho 2016 15:49

Detido

Trata-se de uma curta-metragem de Diogo Brazão que se debruça sobre a dualidade de um espaço quase que parado no tempo, em contraponto com o mundo que lhe passa ao lado sempre em movimento, sempre em mutação.

Como surgiu a ideia para este filme? Apercebi-me que é sobre o teu pai.

Diogo Brazão: Sim, a ideia surgiu para a disciplina de realziação na ESAD e como tinha um tema livre optei por escolher a vida do meu pai, que eu sabia através de familiares que ele tinha tido ambições, queria ser alguém. Não como o eu o conhecia que era alguém que trabalha numa mercearia, mas tinha o sonho de ser médico.

Ele nunca te falou sobre isso?
DB: Não, aí comecei a relacionar as coisas, o espaço, todo o sentimento de que é do estar preso a um lugar contra a sua vontade, ter de...

Estar detido?
DB: Sim, como o próprio título sugere. E a partir daí começou todo o processo sobre este trabalho.

É também um retrato sobre solidão? Porque no filme é visível que ao longo do dia o teu pai esta sempre só.
DB: Eu criei analogias também num processo criativo, por exemplo, queria transmitir o isolamento, o próprio espaço quase que o cobria, o esmagava em contraste com a rua, porque o movimento dos carros é constante, há o som.

Há outra questão que ressalta é o facto de se tratar de um comércio tradicional que esta moribundo.
DB: Sim, já são poucos, mas para ele é o que conhece, é a vida dele.

E em relação ao resto das pessoas aperceberam-se que se tratava de um espaço pequeno?
DB: Sim, eu só filmei uma pequena parte, porque foi isso que queria focar, a janela, o espaço central.

O teu pai nunca te falou sobre os seus sonhos?
DB: Não, não.

Foi difícil aborda-lo sobre este projecto?
DB: Não, depende da relação de pai com filho.

E quando viu pela primeira vez qual foi a sua reacção?
DB: Não houve qualquer tipo de reacção, estava à espera de alguma coisa, mas não.

Ficaste decepcionado com isso?
DB: Não, como conheço o meu pai, foi algo natural.

E o exterior, a tua família o que disseram em relação à tua curta-metragem?
DB: Gostaram, mas foi mais de apoio.

https://vimeo.com/user19670879

O país destaca-se pela qualidade de água das suas praias e áreas balneares fluviais.

Este ano, o relatório anual sobre a qualidade das zonas balneares costeiras e de água doce, relatado pelos Estados-Membros da União Europeia, elaborado pela Agência Europeia do Ambiente (EEA), em cooperação com a Comissão Europeia DG Ambiente, dá parabéns a Portugal pela qualidade da água das praias nacionais.
O relatório avaliou a qualidade das águas balneares em todos os 28 Estados-Membros da UE, bem como a Albânia e Suíça da estação anterior de 2015. O documento indica as várias áreas onde se espera que a qualidade das águas balneares sejam boas este ano, Portugal destacou-se porque 94% das águas balneares é de boa ou excelente qualidade. Uma estatística muito positiva tendo em conta que só no nosso país este ano existem 71 praias com zero poluição, como foi noticiado anteriormente pela nossa revista. A EEA colocou mesmo um post na sua página de Facebook que esta a tornar-se viral registando milhares de 'likes' e mais de 2300 partilhas, além de comentários de vários portugueses, como também de cidadãos estrangeiros.

Mais informações sobre a qualidade da água em Portugal e outros países europeus: http://www.eea.europa.eu/.../sta.../state-of-bathing-water/state

terça, 05 julho 2016 15:22

A bela anvers

 

Venha conhecer um pouco sobre a segunda cidade mais importante da Bélgica.

Antuérpia é uma cidade com várias facetas, por causa da influência de várias culturas que confluem nesta urbe e no país, por isso, não se admire que tenha dois nomes, a mais comum designação é a de origem flamenga e Anvers é a sua versão francesa, mas esta mulculturalidade e a afabilidade dos belgas tornam esta urbe irresistível e atípica. Para começar este períplo, obrigatoriamente a visita deve ser feita de comboio, sem margem para dúvida, para poder ter o privilégio de entrar numa das estações mais extraordinárias da Europa, não só pela sua beleza estética, como arquitectónica, porque dispõem de quatro pisos no seu interior, é verdade, parece inimaginável, mas é possível. Vários comboios entram e saem ao mesmo tempo em várias gares, em diferentes níveis, e temos de aceder as plataformas por uma escada rolante, é simplesmente fabuloso! O próprio edifício é lindissímo adornado por colunas de pedra e estructuras de aço e vidro, uma fusão entre o novo e o antigo que se conjugam de uma forma notável. À saída damos de caras literalmente com um dos grandes e eternos amores das mulheres, os diamantes. Mesmo à vossa esquerda tem início o bairro judeu com dezenas e dezenas de lojas apinhadas destas pedras preciosas sob a forma de jóias, ou mesmo à venda em solitário, com preços que variam consoante o peso, a cor, a pureza e a sua lapidação, sim, não há como negá-lo, uma mulher sempre sabe o que lhe agrada e o que melhor a adorna! Depois de um longo suspiro de tristeza, nada melhor para a frustação do que uma outra grande paixão femenina, lojas e lojas de chocolate belga, um do melhor do mundo, ao longo da Avenida de Leys, apinhado de comércio tradicional e não só.

 
Fazendo um pequeno desvio, numa das ruas transversais, é possível visitar uma das casas mais famosas desta cidade onde viveu um dos grandes pintores da Bélgica e do mundo, Peter Paul Rubens. O museu é interessante e nele podemos apreciar não só alguns dos trabalhos pictóricos deste artista flamengo, dos seus amigos e assistentes, como podemos espreitar o belo interior preservado deste espaço que habitou com a sua família. Um dos aspectos mais curiosos e em bom estado de preservação é o “papel de parede” que é feito de cabedal adornado, sim, apenas os mais ricos podiam decorar as suas paredes desta forma e isso é visível em todo o interior, bem como o mobiliário alguns do quais inspirado no barroco e imagine-se, uma prensa de linho.
Outra visita obrigatória é o Grote Markt, uma praça onde esta à Câmara Municipal da cidade, num estilo renascentista flamengo, bem como, a catedral de Notre-Dame de Antuérpia, mesmo em frente, um dos mais belos monumentos de gótico na Europa e um dos mais altos da cidade com os 123 metros de altura e que vale a pena visitar seu interior nem que seja pelos seus magníficos vitrais e obras de Rubens. Todas estas edificações e os prédios históricos circundantes estão classificados como património universal da Unesco e devo acrescentar merecidamente.
Num dos panfletos para turistas que adquiri encontrei uma outra informação no minímo curiosa, uma igreja edificada pelos jesuitas, de São Paulo, e que é considerada a oitava maravilha do mundo, foi lá espreitar e tal título se deve a quantidade de mármore que adorna o seu interior, não posso dizer que fiquei rendida ou decepcionada, mas vale a pena a visita nem que seja pelo seu valor artístico. A minha divagação só poderia terminar junto do estuário do rio Scheldt, no Her Steen uma das fortalezas mais antigas da cidade, construída para demover os ataques dos vikings, é preciso não esquecer que Antuérpia é desde o tempo dos romanos um dos portos mais importantes da Europa, se caminhar ao longo das muralhas poderá avistar a paisagem do outro lado da margem e no final há um edifício moderno, o Aan de Stroom museu, ou Mas, uma estructura contemporânea de 10 andares que dispõem de várias salas para exposições temporárias, lojas e no topo tem uma vista panorâmica da cidade para mais tarde recordar.

terça, 05 julho 2016 15:04

Chapéus há muitos

Com o verão à porta nada melhor que um chapéu para refrescar as ideias.

A origem do chapéu esta intrisicamente ligada à necessidade de cobrir e prender o cabelo, daí a origem do seu nome em latim, “cappa” ou “capucho”. Os primeiros modelos surgem há 4000 anos a.c., no antigo Egipto, Babilônia e Grécia e não eram mais do que uma faixa de tecido presa na cabeça. Actualmente essa tira estreita é colocada em torno da copa dos chapéus da atualidade,a fita ou bandana, que é um remanescente desse primeiro protótipo. O primeiro chapéu efetivamente usado foi o "pétaso" por volta do ano 2.000 a.c. Tratava-se de um chapéu dotado de copa baixa e abas largas que os gregos faziam uso em suas viagens como uma forma de proteção. Era uns tipos práticos, ajustáveis, podendo ser retirado com facilidade, tendo perdurado na Europa por toda a Idade Média. O dado curioso sobre a história deste acessório de moda é que se ao princípio o chapéu surgiu apenas pela necessidade de cobrir a cabeça, ao longo dos séculos foi sendo apurado nas suas mais diversas formas e tamanhos por uma questão de estatuto social, o clero e a nobreza usavam-no para distinguir-se das restantes classes e como sinal da sua riqueza. No que concerne a evolução dos modelos femininos estes surgem por imposição do clero, era necessário cobrir a cabeça e os cabelos por pudor e respeito, segundo o livro a história do chápeu, “o abrigo mais simples era constituído por uma peça de linho, caída sobre os ombros ou abaixo deles. Os véus de noiva e as mantilhas das espanholas são sobrevivência da moda desse tempo. No século XIII, costumava-se prender a este véu, duas faixas, uma sobre o queixo e outra sobre a testa, de modo semelhante ao hábito que as freiras ainda conservam. No final da Idade Média, era hábito das mulheres colocar uma armação de arame com formatos de coração, borboleta, etc sob a peça de tecido tornando-os extravagantes. Os cabelos eram penteados para trás, escondidos, e, se cresciam na testa, eram raspados para que o chapéu fosse a atração principal. Em 1500 começa-se a usar os capuzes enfeitados com jóias e bordados. Muitos outros tipos surgiram até o final do século XVIII, quando apareceram as primeiras chapelarias, lojas onde se comercializam chapéus, que utilizavam em seus chapéus materiais como a palha, o feltro, tecidos, enfeites variados e elaborados de forma a combinar com os penteados altamente sofisticados da época”.
Os chapeleiros passam a ser assim um dos ofícios mais importante ao longo dos séculos, que atinge um dos seus auges no período de Eduardo VII de Inglaterra, filho da rainha Vitória, quando surgem os chapéus denominados de flamboyant por causa do uso de aves e das suas penas como adornos. “Por usarem usarem um tipo de químico venenoso, com base de mercúrio, para tratar e preservar o brilho das plumas de aves usadas pelas senhoras da corte da era eduardiana estes profissionais eram contaminados por metais pesados que lhes atacavam o sistema nervoso central. A toxicidade deste produto químico era tanta que muitos artesãos apresentavam sintomas de graves danos ao sistema nervoso central, como a síndrome de dança de São Vitor, caracterizada por contínuos movimentos involuntários dos músculos da face e das extremidades, chegando a convulsões” cita ainda a publicação. Daí o uso da expressão "louco como um chapeleiro" que foi consagrado num dos personagens do famosos conto infantil “Alice no país das maravilhas”. Com o decorrer do tempo os chápeus ganham ainda mais notoriedade e com a era da indutrialização tornam-se um acessório mais democrático.
Actualmente, podem ser fabricados de várias formas, com diversos materiais e modelos, mas a sua utilização passou de quotidiana para pontual, ou seja apenas é usado em cerimónias importantes, ou como acessório do moda. Curiosamente, um dos modelos masculinos mais populares, o famoso panamá, é agora usado pelas mulheres e continua a ser um sucesso ao nível mundial, porque não só é sinónimo de temperaturas tropicais, como pelo seu elegante formato e acabamento, mas existem os mais diversos modelos e materiais que ampliam a gama de adornos para a cabeça, basta escolher, usar e abusar.

 

 

 

 

terça, 05 julho 2016 15:02

O tempo dos amores perfeitos

É um romance histórico de Tiago Rebelo que nos remete para à Angola do final do século XIX.

Comecei a ler este livro por sugestão de uma colega, embora seja fã incondicional de livros com uma vertente histórica, reconheço que nunca tinha tido vontade de ler o chamado “Nicholas Parks” português até “o tempo dos amores perfeitos” e devo dizer que este escritor é bem superior ao autor norte-americano. Este obra, em particular, debruça-se sobre a vida do tenente Carlos Montanha e o seu amor proíbido por Leonor de Carvalho, na Angola de 1897 e devo dizer que se trata de um romance de proporções épicas. A prosa de Tiago Rebelo é de grande beleza estilística, os personagens são fascinantes nas suas ideossicrasias e a estructura do próprio drama é empolgante, o que torna a leitura viciante. Um dado curioso desta novela é que é baseada em factos reais, Carlos Augusto de Noronha e Montanha de facto existiu e deixou para a posterioridade um livro intitulado “Odisseia dum pioneiro colonial nos sertões de Angola” onde descreve as suas aventuras no continente Africano que serve como base fidedigna para este romance sobre uma época conturbada da história de Angola. Mas isso porventura nem é o mais relevante, ao meu ver, o aspecto mais extraordinário desta obra é que o personagem principal é um antepassado de Tiago Rebelo e foi o irmão do autor, Francisco Montanha Rebelo que nas suas investigações geneológicas não só descubriu o valoroso familiar e a sua pequena publicação, retirando-o da obscuridade, como ainda, instigou o escritor para escrever sobre ele e dois anos depois desta descoberta surgiu “o tempo dos amores perfeitos”. Não quero adiantar mais sobre esta história notável, apenas posso acrescentar que vale a pena ler esta aventura que tem como pano de fundo uma ex-colónia no século final XIX, onde nasce um grande amor devorador e voraz como a própria paisagem de Angola. Boa leitura.

terça, 05 julho 2016 14:45

Uma gota no oceano

Trata-se de uma organização não governamental socioambiental brasileira que tem vindo a bater-se pelos direitos dos indígenas e das suas terras e pelos recursos naturais deste país, numa altura de grande conturbação social e política que põe em causa todo o trabalho desenvolvido em prol destas comunidades e da saúde ambiental do Brasil e do planeta, como explica uma das fundadoras Maria Paula Fernandes.

Porquê sentiste a necessidade de criar uma organização ambiental? O que esteve por detrás da tua decisão?
Maria Paula Fernandes: A ONG "Uma Gota No Oceano" nasceu do sucesso estrondoso da campanha "É a Gota D´Água +10" que em 2011 questionou a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Realizada sem qualquer recurso ou apoio de mídia, reuniu 1 milhão de assinaturas em uma semana na petição contra a obra no Rio Xingú. Diante desta resposta, concluímos que havia uma demanda para produção de conteúdo socioambiental, em linguagem de comunicação de massa, como forma de suprir o pouco espaço do tema no canais tradicionais de comunicação na época. Nossa organização, como o nome sugere, é colaborativa e tem por missão apoiar o cidadão como agente transformador da sociedade pela informação consistente, independente e envolvente.

A destruição da mata Atlântica por questões comerciais em que prejudica os povos indígenas do Brasil?
MPF: A destruição da Mata Atlântica prejudica todos os brasileiros porque é um bioma importante para produção de água e manutenção do ciclo de chuvas no país. No caso dos indígenas, temos populações confinadas em pequenas áreas que os impedem de viver do modo de vida tradicional, transformando a realidade de uma forma que vivem de forma semelhante à indigentes.

Qual tem sido o tipo de intervenção da vossa organização ecológica depois do desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem Fundão?
MPF: A tragédia de Mariana é o maior desastre ambiental da história do Brasil e vem evidenciar a negligência com que os órgãos de controle e fiscalização são negligentes com nosso patrimônio ambiental. Em nossa plataforma, formada por nossa página no FaceBook, Instagram, twitter e newsletter, tratamos do assunto, de forma randômica e holística, com outros temas que trabalhamos como direitos indígenas, mudanças climáticas, desmatamento, alternativas energéticas, saneamento básico... para manter o tema em pauta, mas sem ser cansativo para a audiência.

Existe afinal legislação que protege os povos indígenas do Brasil? E se existe porquê é ineficaz? Já que só quando a Funai publicou o estudo da delimitação da Terra Indígena Sawré Muybu, no Pará, onde vive a maior parte do povo Munduruku, só aí o Ibama suspendeu o processo de licenciamento da usina hidrelétrica São Luiz do Tapajós.
MPF: A Constituição de 1988 garante aos povos tradicionais o direto às suas terras ancestrais e manutenção do modo de vida. O que acontece hoje no Brasil, em resumo, é que o agronegócio está de olho nas últimas grandes áreas verdes, que são justamente as Terras Indígenas. Como este setor tem enorme peso em nossa balança comercial, além de financiar campanhas políticas e ser grande anunciante dos maiores veículos de comunicação do país, estamos estes direitos serem ameaçados no Congresso Nacional em nome do desenvolvimento, como estas aqui relacionadas:
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215 é uma das mais graves ameaças aos direitos garantidos aos povos indígenas na Constituição e um dos principais instrumentos de pressão da bancada ruralista para tentar enfraquecer os processos demarcatórios. A PEC pretende transferir do Governo Federal para o Congresso a última palavra sobre a demarcação de Terras Indígenas.
O Projecto de Lei do Senado (PLS) 654 busca enfraquecer o licenciamento ambiental, criando um “rito sumário” curtíssimo, de cerca de oito meses, para o licenciamento de grandes obras consideradas estratégicas pelo governo, como grandes hidrelétricas, estradas e linhas de transmissão.
O Novo Código de Mineração pretende simplificar os procedimentos necessários para a execução de atividades mineradoras, que têm, em geral, grandes impactos socioambientais.
O Projeto de Lei 1610 (PL) objetiva regularizar a mineração em Terras Indígenas.
O PEC 76 dá aos índios participação no aproveitamento de recursos hídricos e na exploração mineral em Terras Indígenas (TIs). Na prática, a proposta pretende abrir as TIs à instalação de hidrelétricas, empreendimentos com alto potencial de destruição do meio ambiente e dos modos de vida das populações tradicionais.
Os PL 1216/2015 e 1218/2015, que buscam alterar a forma como se dão os procedimentos de demarcação de TIs no país.
O PL 4148 que acaba com a obrigatoriedade do símbolo de transgenia em rótulos de produtos com ingredientes geneticamente modificados.
 E já que você mecionou o caso da TI Sawré Muybu, o governo em exercício está ameaçando rever todos os estudos e portarias referentes à TI publicados pelo governo Dilma neste semestre.

Como se pode conciliar as necessidades energéticas do vosso país com as reservadas para os indíos?
MPF: Por nossa posição geográfica e extensão territorial, o Brasil tem um enorme potencial energético tanto em energia eólica quanto fotovoltaica, além de termos outras opções em menor escala como a partir da biomassa, pelo enorme produção agrícola e a partir das ondas, basta observar a nossa costa, logo não precisamos avançar sobre as terras indígenas. A nossa política energética ainda pretende expandir o número de hidrelétricas na Amazônia, mas o discurso de que essa seria uma energia limpa já não engana mais ninguém, principalmente na Amazônia onde há impactos socioambientais gigantescos. Além disso há estudos que mostram que ao invés de construir novas hidrelétricas poderíamos produzir muito mais energia e gastando muito menos se simplesmente modernizássemos as hidrelétricas que já possuímos e investíssemos em modernizar nossas linhas de transmissão. Ou seja, a que interesses a nossa Política Energética realmente está atendendo?

Com a instabilidade do governo em Brasília como é que “uma gota no oceano”, pode impedir a aprovação do PEC 65 que praticamente acaba com a obrigatoriedade do licenciamento ambiental para obras públicas?
MPF: Neste momento existe uma enorme guerra de informação para tirar partido da enorme incerteza política e econômica, por isto estamos concentrados em identificar oportunidades e oferecer à imorensa tradicional acesso à pesquisas e especialistas independentes, com o intuito de fornecer um outro ponto de vista destas questões às redações.

Que acções pretendem levar a cabo para proteger as comunidades indígenas no vosso país, num momento da história do Brasil de grande instabilidade política e social?
MPF: "Uma Gota No Oceano" faz parte da comissão de comunicação da Mobilização Nacional Indígena e, juntos com outras organizações parceiras, atuamos coordenadamente para romper a barreira do preconceito e levar a voz dos povos indígenas à população.

O facto de existirem tantos obstáculos para a defesa e preserveção da cultura indígena brasileira se deve sobretudo a uma questão de racismo?
MPF: Existe uma forte campanha de desmoralização da população indígena orquestrada por aqueles que identificam os direitos indígenas como obstáculo para seus interesses econômicos. O curioso é que isto cria um preconceito inverso, os povos indígenas são desrespeitados não por serem diferentes, mas por semelhança, por não corresponderem ao arquétipo dos livros de história. É uma ideia do tipo, se estiver vestido e ou com um celular na mão, não é mais índio.

http://umagotanooceano.org/

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