Um olhar sobre o mundo Português

Voltei depois de um muito necessitado hiato e agora apresento uma edição recheada de experiências e multiculturalidade. Seja bem-vindo de novo

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Yvette Vieira

Yvette Vieira

quarta, 01 fevereiro 2017 16:44

A selva

É uma clássico da literatura portuguesa do aclamado Ferreira de Castro, um dos autores do neo-realismo.

“A Selva” é segundo o seu próprio autor uma epopeia assombrosa sobre a luta dos cearenses e maranhenses na floresta amazónica, mas ao terminar de ler este livro não consegui concordar com o escritor, muito pelo contrário e fui à procura de um antônimo que achava eu seria mais adequado para esta ode à miséria, exploração e martírio humano e a única palavra que consegui encontrar foi epigrama que não me soou também nada adequada, porque não traduz efizcamente o conceito de “sofrimento dos humildes”, como descreve o próprio Ferreira de Castro. Daí à minha própria descrição, uma viagem colectiva ao inferno mais profundo do Amazonas em busca de uma quimera que termina da forma mais bárbara e cruel que possam imaginar e que expõem o lado mais negro da alma humana. No Pórtico, e não epílogo, porque à minha edição é de 1957, o próprio Ferreira de Castro explica o porquê dessa sua estadia na praga verde ardente...a busca pela “lendária fortuna onde os homens se enclausuravam do mundo numa labuta de martírio para a conquista do oiro negro” e não, não estámos a falar de petróleo, ao contrário do que possam pensar, mas sim de borracha!Um produto de elevado valor comercial, ao nível internacional, no primeiro quartel do século XX, porque era usado nas rodas da maior inovação tecnológica desta época, o automóvel. O tal líquido precioso que ia tornar ricos os pobres endividados vindos de Portugal, dos vários cantos do Brasil e do mundo, mas vez disso, a selva tinha o poder de dizimar esse sonho da forma mais implacável e dolorosa possível. Não chegarei ao ponto de dizer que é totalmente auto-briográfico, mas tenho a certeza que o Alberto da nossa história vai “beber” muita da própria experiência pessoal de Ferreira de Castro, como emigrante, quando também ele procurou fazer fortuna no seringal do Paraíso, nas margens do rio Madeira e pelos vistos também não a encontrou. Em vez disso, trouxe a experiência vívida de uma existência precária e quase maldita de uma selva que não o matou por sorte, mas que assombrou a sua vida como um pesadelo. Não é uma leitura “simpática”, dígamos assim, mas é uma pérola literária de um autor, por vezes, esquecido, por isso recomendo-a. Boa leitura.

quarta, 01 fevereiro 2017 16:18

Veados voltam à serra da lousã

Como em outros países europeus, o nosso país tem experimentado um aumento no número e distribuição de ungulados selvagens nas últimas décadas.

Actualmente cerca de três mil veados-vermelhos (cervus elaphus) no centro de Portugal tudo graças ao programa de reintrodução da espécie, sendo que um dos mais emblemáticos aconteceu na Serra da Lousã, segundo um estudo intitulado de “the success of species reintroductions: a case study of red deer in Portugal two decades after reintroduction” de Ana Valente, Jorge Valente, Carlos Fonseca e Rita Torres.

A espécie que tinha deixado de ser avistada há quase século e meio no território nacional, devido principalmente à pressão da caça e fragmentação e destruição do habitat, foi alvo do plano global de gestão para a população de ungulados selvagens, que visou aumentar e restaurar a biodiversidade herbívora da região, bem como, teve a finalidade de permitir no futuro a caça controlada.
O projecto científico, que teve lugar entre 1995 e 1999, promovido pelo Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca, em parceria com a Universidade de Aveiro, colocou um total de 96 indivíduos, 25 machos, 56 fêmeas e 15 cervos, de outras zonas do sul de Portugal, nomeadamente, das zonas de caça em Vila Viçosa e Herdade da Contenda, numa área com o total de 92.053ha, entre Figueiró dos Vinhos, Penela, Miranda do Corvo, Góis, Castanheira de Pêra e Pampilhosa da Serra..

Entre Março de 2013 a Junho de 2014, os autores do estudo referem que “foram contados grupos de veado-vermelho em parcelas de amostragem colocadas ao longo de um total de 61 transectos distribuídos aleatoriamente, cada um com 1000m de comprimento, para estimar a abundância destes ungulados selvagens usando o método de amostragem de distância baseado em paletes (grupos com mais do que seis animais), para estimar a corrente densidade e distribuição de populações desta espécie na Serra da Lousã, duas décadas após sua reintrodução. Os resultados demonstram que, o projeto de reintrodução de veados-vermelhos nas montanhas da Lousã foi um sucesso, à medida que a população aumentava em número e se expandia para novos territórios".

Outra das conclusões realça que “políticas de gestão apropriadas devem beneficiar das informações geradas a partir desses estudos e alcançar um equilíbrio entre os diferentes interesses envolvidos, com uma compreensão abrangente da dinâmica populacional. Considerando o potencial ecológico e social do veado-vermelho, os futuros programas de monitoramento devem continuar a ser desenvolvidos, para dar conta de possíveis ameaças, bem como para identificar e minimizar possíveis situações de conflito".

http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/21513732.2016.1277265

sexta, 13 janeiro 2017 20:23

O orquestrofone

Trata-se de um trabalho em CD com direcção de Teresa Pais, directora do museu da Quinta das Cruzes e coordenação do musicólogo Vítor Sardinha e inclui um conjunto de 27 temas musicais daquele instrumento musical mecânico.

O Orquestrofone número de série 3151, da fábrica Limonaire Frères, é demonstrativo da relação estreita entre a história da ciência, da arte e do entretenimento. Tratavam-se de instrumentos que estiveram desde sempre vocacionados para a exibição pública em amplos espaços, como cinemas, feiras, salões de baile e tiveram uma manufactura largamente divulgada na Europa a partir de finais do século XIX e início do XX.
A sua complexidade mecânica, bem como a sua potência sonora, encobertas por uma enorme estrutura em madeira, com fachada sumptuosamente esculpida e policromada, justificaram o seu uso como instrumento de exploração comercial da música, animando bailes e festas ao ritmo de polkas, valsas, entre outras músicas, constituindo por si só, a atracção principal.
Fabricados, entre outros, pela firma Limonaire Frères, fundada em Paris em 1840, os orquestrofones permitiam uma execução musical inalterável, podendo substituir vantajosamente os músicos, factor bastante publicitado pelas firmas construtoras na época. A curta popularidade dos Orquestrofones chegou ao fim ainda no 1.º quartel do século XX, com a mudança dos hábitos sociais e com o aparecimento do fonógrafo, que alterou profundamente o modo como o público consumia música.

O instrumento mecanizado que integra as colecções do Museu Quinta das Cruzes é constituído por um corpo principal em madeira, profusamente decorado, e possui na face posterior um sistema mecânico de leitura de cartões perfurados, accionável por manivela com adaptação a motor eléctrico, que emite o sinal para os diversos instrumentos, permitindo a reprodução da música. Esta é hoje uma peça de grande interesse patrimonial, não só por constituir uma raridade no mundo dos instrumentos musicais mecânicos, como também por documentar uma época exuberante, presente nas suas decorações neo-barrocas, nos seus bonecos mecânicos, autómatos, e nas suas músicas arrancadas aos salões e teatros.
Este complexo instrumento, comprado pelo 1º visconde de Cacongo, João José Rodrigues Leitão, na Exposição Universal de Paris, em 1900, encontrava-se na Quinta de Nossa Senhora Mãe dos Homens, quando foi adquirido em 1978 pelo Governo Regional, por iniciativa da direcção do museu, ao herdeiro da família, senhor Ricardo Nascimento Jardim. Com esta aquisição foram também entregues diversos cartões de músicas que incluem valsas, polkas, rapsódias, marchas militares, hinos, bem como outras músicas clássicas e populares, perfazendo um total de 167 exemplares, destacando-se algumas pelo seu carácter inédito, como a versão d’“A Portuguesa” de Alfredo Keil de 1904, diversos Hymnos dedicados aos reis D. Carlos e D. Amélia, bem como os Hymnos Português (1900), Nacional (1904) e da Ilha da Madeira (1905).
O Orquestrofone, ainda hoje, cumpre com a sua função original de instrumento de diversão e divulgação musical, exposto ao público nos jardins do Museu Quinta das Cruzes.

http://mqc.gov-madeira.pt/

sexta, 13 janeiro 2017 20:18

Moda em alta, temperatura em baixa

Venha conhecer algumas das tendências que marcam esta época de baixas temperaturas.

Para este outono-inverno 2016-17 nada melhor para aquecer o corpo de uma forma muto fashion temos as capas, apresentadas na colecção dos Storytaylors, no Portugal Fashion sob, o lema ex-contos de fadas, como eles próprios referem, “quem disse que os contos têm que ser sempre de fadas, e ter todos bruxas, príncipes e princesas? Quem disse que os contos têm que começar com "era uma vez” e passar-se numa época remota e num local distante? Quem disse que a vida é ditada a uma dimensão? Quem disse que as estações só duram três meses. Subo as escadas para a Caminhada da Viúva Branca. Gosto deste ritual…” JD é contrabandista de criatividade. E é o mote de "The White Widow’s Walk”, o primeiro capítulo da história Alextimia.
Começamos em New Bedford USA pelos olhos de JD, na varanda que contorna todo o primeiro andar da casa que pertenceu a um capitão de baleeiros português. A estas varandas chama-se "Widow’s Walk – a caminhada da viúva”, por terem sido o posto de vigia das mulheres de marinheiros a aguardar o regresso dos maridos, que às vezes o mar não devolvia. Abrigado por um grande agasalho com capuz, JD olha para o céu e o mar, e pensa na viagem que vai fazer no dia seguinte rumo a Portugal; a sua mente tece uma espiral de imagens que vai trocar no seu local de destino. Qualquer coisa lhe sugere tudo, desde a vista que observa, ao livro que está a ler – "A Divina Comédia” de Dante. Neste despontar de primavera, falamo-vos de países onde a imaginação passou a ser taxada por oposição a outros onde criar ainda é livre. Falamo-vos de um tempo em que o ser humano oscila ao longo da sua vida entre ser homem e ser mulher. Falamo-vos de JD, um híper imaginativo que aprende a sentir através da partilha da sua criatividade e das emoções que desperta nos outros. Esse vício leva-o a trocar as suas sinfonias de imagens mentais por emoções, com quem não pode criar as suas próprias imagens sem pagar uma taxa. "E é assim que me torno contrabandista de criatividade”. E falamo-vos de moda e de peças de vestuário, de formas inconvencionais de criá-las e de construir visuais, de transformabilidade, de liberdade criativa e interpretativa, de emoções, de expressão e partilha. Propomos padrões e materiais que podem despertar uma multiplicidade de ideias e sensações. Propomos sobreposições de camadas que transformam a silhueta. Lãs, o burel da Burel Factory, pêlos, veludos, cetim, georgette, algodão, fibra. Texturas, cortes e motivos aplicados que sugerem conchas, espirais e escamas. Matérias-primas tradicionais portuguesas e materiais e acabamentos tecnológicos.

Os visuais são acessorizados com três modelos de sapatos Dkode personalizados especialmente para a coleção e por óculos Paulino Spectacles. Quanto às cores, os brancos de luz, de sonho e de gelo, e os pretos do desconhecido, do mistério, da proteção, no paradoxo de serem todas as cores e simultaneamente nenhuma, cinzas, azuis, reflexos molhados, motivos e símbolos delicados. Palavras-chave e express? oceano/céu/terra; imaginação/emoções; viagem/fantasia; sobreposições; sonhar/sentir; arte e ciência de mãos dadas; raciocínio/intuição; desafiar a convenção; contrabandista/mistério; delicadeza/força; descobrir(-se). Propomos hoje estas peças para amanhã e para depois, e depois, e depois. Sem limites! Desafiamo-vos a acompanhar-nos nesta viagem e a deixarem-se entusiasmar!

Já o “Pé de chumbo” aprensenta uma série de coordenados lindíssimos em lã numa "mistura entre jogos grossos de fios de lã e a delicadeza de rendilhados finos e transparentes, com contrastes de cor entre rosas e beges suaves até aos cinzas e pretos com pormenores de vermelho. A coleção Pé de Chumbo para o inverno 2016/17 tem uma leve inspiração étnica. As franjas e as cores em patchwork levam-nos a outras culturas. É uma mistura entre o rude e o delicado, uma mistura de dois sentimentos, dois estados. Estas propostas são diferenciadoras na medida em que o próprio tecido é desenvolvido pela marca através de um processo criado e aperfeiçoado conforme as coleções, quase manual na fabricação dos tecidos. Baseadas em técnicas artesanais, as peças são desenhadas e construídas uma a uma e fio a fio quase sem costuras, numa mistura de tecelagem e tricô que lhe confere um aspeto único e exclusivo. Esta coleção é o reflexo do principal conceito e motivo distintivo da marca Pé de Chumbo: as texturas".

Os brilhos e plissados marcaram a coleção de Alves/Gonçalves que “representa vários confrontos: oversize vs longilíneo, dialeto feminino vs masculino, simplicidade vs austeridade vs urbano, ordem vs desordem e baço vs brilho. Este é um trabalho onde é possível observar a leveza de matérias mais etéreas, conjugadas com outras mais espessas e de toque quente e macio. Detalhes técnicos nos acabamentos, fibras naturais vs fibras com superfícies artificiais, películas foil, all over, verniz, iridescente,. sobre veludos, rendas, crepes, e lãs. Plissados e estampados de inspiração nos tapetes persas. Os tons em evidência são preto, cinza, vermelho e azul profundo. Um look feminino, íntimo e irreverente, mas interpretando os novos códigos dos tempos de agora. Neste processo o clássico serviu de inspiração para a proposta, tornando-a mais emotiva e moderna".

sexta, 13 janeiro 2017 20:16

Borda d'água

O almanaque mais vendido e antigo de Portugal.

No segundo dia de cada ano que começava o meu avô materno tinha um ritual que se repetia escrupulosamente e como ele havia milhares pessoas que se juntavam nesta massa de fiéis anónimos, saia de casa de propósito para comprar um exemplar do Borda d'água. Trata-se de uma pequena publicação com o tipo de repertório útil para toda a gente como publicitam e bem na sua capa e ainda, contendo todos os dados astronômicos e religiosos e muitas indicações úteis de interesse geral. Mas, o que tem de tão especial este almanaque que mais parece um folhetim? Exactamente o que afirmam, informações preciosas para alguém como o meu avô, agricultor de profissão, que necessitava de saber as fases da lua para determinar o melhor mês para a sementeira de determinadas plantas e a melhor época para as podas das árvores de fruto e creiam-me que resultava sempre e ainda deve funcionar, porque o Borda d'água continua a ser publicado no mesmo formato simples e despretensioso há 88 anos, portanto alguma coisa devem estar a fazer bem.
Eu pessoalmente chamou-lhe a bíblia do agricultor por esse motivo, era a única publicação que via o meu avô consultar religiosamente todos os anos da vida que lhe conheci...Imaginem uma versão moderna de um Van Gogh, algo tão inusitado que parecia demasiado incrível para ser verdade, um homem de chápeu e roupas de trabalho salpicadas de manchas castanhas profundamente absorto na leitura desse pequeno folheto, no meio de um terreno pronto para cultivar, enquanto se apoiava na sua enxada. Era algo digno de se ver, o cenário campestre mudando de tonalidades e formatos consoante as sementeiras iam brotando e da terra surgiam feijões, o milho, o trigo, as batatas, as cebolas, os tomates e nada, mas mesmo nada faltava em casa.
Mas não creia que este pequeno compêndio de conselhos úteis serve apenas para os chamados “jardineiros do ambiente”, qualquer pessoa que queira começar a sua pequena horta deve adquirir o seu exemplar anual, porque não só indica as luas, como também o que deve plantar em cada mês do ano, desde os vegetais às flores e é muito completo e de fácil de leitura.
Outra característica muito engraçada deste almanaque são as suas previsões astrológicas para quem aprecia esse tipo de informações, bem como estão assinalados os feriados do ano todo, religiosos ou não e os dias em que se celebram determinadas efémerides, tais como, o dia do ambiente, ou da criança. E como se não bastasse possui conselhos práticos para a vida e anedotas. Como vêem existe um manancial de informações para todo o tipo de públicos, daí a sua popularidade ininterrupta. Eu mantenho a tradição e compro o meu exemplar, não porque me dedique à agricultura, mas pelo simples prazer de ler este pequeno tesourinho secular a preto e branco que se mantém basicamente na mesma, mas para quê melhorar algo que sempre resulta? Boa leitura.

sexta, 13 janeiro 2017 20:02

Animar'12

Este ano, a 12ª edição da Animar propõe uma nova abordagem ao cinema de animação, partindo de um tema central, a música, nomeadamente dos videoclipes. A exposição consta da transformação dos elementos constitutivos dos filmes de animação em instalações interativas, visando a aprendizagem lúdica dos processos utilizados de produção.

As animações passam do ecrã para as diferentes salas da galeria, onde os visitantes poderão interagir de diversas formas com diversos dispositivos relacionados com os videoclipes: "Erva-de-Cheiro", "Quente e Frio" e "A Cor da Rosa" de Alice Guimarães para a música de Capicua e Pedro Geraldes; "É Preciso que eu Diminua" de Pedro Serrazina para uma canção de Samuel Úria; "Cinegirasol" de Bruno Caetano e Rui Telmo Romão para um tema de Os Azeitonas; e "Faz Bem Falar de Amor" de Jorge Ribeiro para a música da banda Quinta do Bill.

À parte dos videoclipes, a curta-metragem "Estilhaços", de José Miguel Ribeiro, será também objeto de exposição. Na sala dedicada ao filme, os visitantes poderão ter uma experiência interativa com base nos sons da animação.

No percurso pela Solar – Galeria de Arte Cinemática, os visitantes são convidados a entrar no universo destas histórias através de atividades e experiências que vão permitir, por exemplo, entrar no cenário da vila alentejana de "Cinegirasol"; colocar em prática a mensagem ecológica de "Mão Verde" numa estufa de plantas instalada na galeria; criar novas versões do videoclipe dos Quinta do Bill; experimentar brinquedos óticos ou criar o próprio filme de animação.

"Quente e frio" 

É preciso que eu diminua

Cinegirasol

Faz bem falar de amor

 

 

sexta, 13 janeiro 2017 19:49

Mais natureza para o tejo internacional

Campanha de Crowdfunding pretende extender zona do Tejo internacional em cerca de 680 hectares de floresta auctótone e fauna em perigo de extinção.

Há 30 anos a Quercus efectuou uma campanha pioneira no movimento associativo ambientalista em Portugal para adquirir terrenos para a conservação da natureza na zona do Tejo internacional. A iniciativa teve como objetivo proteger a fauna e flora em perigo nesta área, de forma a evitar que a floresta autóctone e fauna ameaçada fosse destruída pelas plantações de eucaliptos e abates ilegais. Na altura conseguiram-se angariar verbas para adquirir 600 ha, que ao longo dos últimos 30 anos deram origem a várias reservas que têm sido intervencionadas para potenciar a recuperação da biodiversidade. Graças a estes esforços espécies como o abutre– preto e a águia-imperial Ibérica, voltaram a nidificar em Portugal, habitats prioritários como os tamujais e diversas espécies de flora ameaçada como o lírio português têm recuperado nessas áreas.
A nova campanha de crowdfunding pretende alargar uma dessas reservas em mais 80 ha, numa área que limita uma outra propriedade onde a Quercus já possui 430ha. O novo terreno ira permitir a recuperação de mais 800 metros de margens da Ribeira do Marmelal, um curso de água com habitats prioritários de conservação como os tamujais e freixiais e com presença de espécies como o cágado de carapaça estriada e a boga portuguesa. Esta aquisição vai permitir também conservar mais 40ha de floresta de montado de sobro e 20ha de floresta de Azinhal onde habitam várias centenas de outras espécies, algumas das quais em perigo de extinção.
Com a adquisição desta área com mais de 680ha, a Quercurs vai poder continuar a proteger os valores naturais, a fomentar o conhecimento e a proteção da biodiversidade. E ainda, promover ações de educação e sensibilização ambiental, turismo de natureza, ações de reflorestação e recuperação de linhas de água, um alimentador de abutres, remoção de espécies exóticas invasoras, devoluções à natureza de espécimes recuperados, entre muitas outras iniciativas. Um trabalho que tem sido feito em parceira e sinergicamente com outros actores locais, moradores associações locais, municípios, empresas e autoridades publicas. Por isso, ajude no que puder para a conservação dum ecossistema essencial para a vida e fauna do território nacional.

http://ppl.com.pt/pt/causas/mais-espaco-natureza

terça, 20 dezembro 2016 14:47

A nova fronteira dos soutiens

É mais um daqueles textos que abordam um tema delicado e ao mesmo tempo, nem por isso.

Recentemente tive a necessidade de adquirir novos suportes para os meus seios e ao contrário do que possam pensar não foi das melhores experiências que já tive, foi um drama de proporções épicas. Parece exagerado, mas não, verifiquei que embora eu tenha muitas ganas de comprar peças de lingerie, essas peças íntimas à venda em muitas das lojas de marcas conceituadas não possuem a copa e tamanho que possuo para a minha idade, porque como me fizeram o favor de sugerir as jovens vendedoras de tamanho 34 copa B, quando se tem um busto avantajado para além do D pelos vistos não há salvação possível, a solução passa aparentemente por aquelas peças que se vêem à venda nas feiras? Sabem aqueles soutiens das avózinhas que parecem autênticos torpedos dos anos 50 prontos a disparar? Fizeram-me sentir quase culpada por não me encaixar nos padrões dito “normais” e no estilo de soutiens que as portuguesas apreciam, porque pelos vistos não me encaixo no vasto universo feminino nacional com peitos pequenos (e sim, estou a ser irónica!) e que gosta de peças básicas, nas cores branco, preto ou beige. Deixo, contudo, uma ressalva, não tenho nada contra os gostos das portuguesas em matéria de lingerie e corseterie, eu também possuo esse tipo de peças, mas desejo mais do que o simples conforto, quero sentir-me sexy na minha própria pele.
E esta história poderia ter ficado por aqui, mas não me deixei abater e decidi que iria encontrar os soutiens com que sonhava, por isso, foi pesquisar na internet nesse sentido e sabem o que encontrei? Um artigo muito elucidativo de uma jovem blogger americana que abordava vários sites onde as mulheres mais avantajadas podem encontrar o que procuram a preços convidativos na chamada nova fronteira do desenvolvimento dos soutiens, parafraseando uma das suas frases, a Polónia, o país onde mulheres destemidas fabricam peças íntimas e sexys em materiais como seda, renda e em todas as tonalidades, padrões e tamanhos possíves e imaginários e ainda, para todas as idades, pasme-se! E as modelos? São mulheres como eu, como provavelmente você que esta a ler este texto e posso dizer que me senti vingada, não só por ter encontrado o que procurava, mas por visualizar imagens com modelos lindas com corpos como o meu. Em baixo deixo vários links e um conselho de amiga não se deixe desencorajar pelos zlotis, a moeda polaca, ou pelos tamanhos que são completamente diferentes, leia com atenção as tabela de conversão onde se demonstra como efectuar as medidas com precisão e veja o que se adequa mais ao seu corpo e se não encontrar o que pretende a Ewa Michalak pelo menos faz por encomenda. Muitas das páginas estão em inglês, mas podem ser traduzidas, enviam para Portugal e em média a encomenda demora cerca de duas semanas para chegar. Deixo também, uma sugestão para as mamás grávidas que também se querem sentir cómodas e sexys.

http://www.ewa-michalak.pl/main-eng.html
https://samanta.eu/
http://www.brastop.com/all-bras-lingerie
http://www.suzandra.pt/

terça, 20 dezembro 2016 14:45

O historiador do conflito

António José Telo é professor catedrático na academia militar, tendo sido também docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa até 1999. É autor de mais de 20 livros e 200 artigos sobre história, defesa e relações Internacionais, publicados em 6 países. O historiador esteve presente no ciclo de conferências ínsula, sob a temática “A guerra e a grande mudança na realidade portuguesa continental e insular”.

O presidente Wilson redigiu um documento onde em 14 pontos explicava o que poderia trazer paz ao mundo, num deles é explanado a
necessidade de haver uma balança comercial ao nível europeu e global. Isso de facto com o passar dos anos concretizou-se, mas hoje em dia os novos governos que estão a surgir são precisamente contra essas medidas, qual é a sua posição?
António José Melo: Repare na altura o comércio era verticalizado, deixe-me traduzir isto em termos mais simples, significava que cada império tinha comércio livre, como era o caso do britânico, do francês , etc, mas havia uma forte pauta de um para o outro. Não era livre, estas zonas de comércio eram áreas de mercado assegurados para os grandes poderes europeus, eles eram a regra e todos eram protegidos por uma pauta alfandegária forte, nomeadamente Portugal, o que permitiu o desenvolvimento da sua indústria. O que o presidente dos EUA parece dizer é que a solução é acabar com essas barreiras para o livre comércio, o que significa que as mercadorias podem entrar sem pagar taxas e durante 100 anos o ocidente pautou-se por isso, e foi inclusivé pensado que liberdade comercial é o mesmo que liberdade política, não é. São aspectos totalmente diferentes, então o que aconteceu? Nas últimas décadas, 20, 30 e 40 anos houve um processo de desindustrialização maciça, quer dos EUA, quer sobretudo da Europa, hoje temos menos de um terço do que tínhamos há 30 anos e é um processo que é sentido profundamente sob a forma de segurar o emprego, existe um desemprego amplo, as áreas mais afectadas são as da Europa do Sul e a Alemanha até tem beneficiado com isso, com condições de concorrência que os outros países não possuem e este processo esta a ser contestado, como é que pode haver uma liberdade de comércio com concorrência desleal? Quando na Europa temos salários que são 100 e as indústrias europeias deslocam-se para países com ordenados de 10 e os seus produtos são vendidos com barreiras mínimas, ou seja, estámos a sofrer uma concorrência desleal, porque o nível de vida europeu é diferente dos outros continentes e os produtos vindos do exterior acabam por arrassar a nossa indústria. E isto começa a ser contestado em termos da sua lógica, porque uma política central, em termos da União Europeia e cada vez esta a ser mais contestada, porquê? Porque se torna difícil manter o emprego na Europa.

Mas, isso também acontece nos EUA e um dos estandartes do Donald Trump é precisamente devolver emprego à classe média americana que também se foi empobrecendo quando as suas empresas também começaram a fechar e agora tem vindo a afirmar que vai taxar os produtos vindos da China.
AJM: Isto é um lógica que veio da I guerra mundial, ou seja, os EUA levaram essa bandeira de instituir esse princípio da nova ordem internacional da liberdade de comércio e hoje em dia, são os americanos a dizer, alto, temos que parar porque de facto é concorrência desleal conosco, portanto, temos de reinstaurar regras alfandegárias em relação sobretudo as empresas que vão para o exterior produzir os seus produtos e que depois são vendidos em território nacional. E isso também acontece na Europa, há políticas centrais europeias que estão erradas, mas isto não põe em causa a liberdade de circulação de mercadorias dentro do espaço europeu.

Mas, são precisamente esses argumentos que os partidos de extrema-direito usam e que estão a ganhar peso nas sociedades dos seus países.
AJM: Acontece uma coisa que é normal é que todos os sistemas estão datados, não existem para sempre e há duas hipóteses, ou o sistema tem capacidade de se adaptar aos novos tempos e mudar de uma maneira coordenada, que é uma tradição europeia quando não existem factores de conflito, começa a acumular-se a insatisfação e aparecem forças fora do sistema, que contestam o sistema, aproveitando-se disso com outros objectivos, isto porque é algo muito sentido. Hoje em dia, qualquer europeu sente que a indústria desapareceu, que certos empregos já não existem e que estámos reduzidos a uma espécie de parque de turismo do mundo. A grande indústria actualmente é o turismo e isso é visto com algo mau, raros países europeus sentem isso como algo de bom, sobretudo, na Europa do Sul onde esse fenónemo é fortemente sentido, como é evidente há forças que notam esse descontentamento e usam esses elementos a seu favor, procuram usá-lo para contestar outras coisas. Isso tudo em si não é uma atitude anti-democrática.

Mas, não é forma de perturbar a paz?
AJM: O grande problema aqui é que tal como aconteceu na Alemanha dos anos 20, que não se adaptou à mudança, criou o caos dentro da própria sociedade alemã e nessas circunstâncias tudo pode acontecer, a partir desse momento é que aparecem estas forças como o nazismo, ou outras. Na minha perspectiva dentro da UE há dois caminhos que se bifurcam, ou a Europa unida corrige as suas políticas de fundo e se adapta ao mundo actual e cavalga uma mudança que é controlada, calma, serena e democrática ou a mudança acontece mesmo, porque é impossível pará-la, pode-se até atrasá-la, mas é inevitável. Por exemplo, vimos no caso da Líbia e da Síria como é fácil destruir um Estado, a rapidez com que isso acontece e teve uma ajuda externa, neste caso, a europeia. Vimos como países aparentemente estáveis se transformam no caos e tudo pode acontecer a partir de agora, vemos uma guerra civil terrível que provoca milhares de baixas e permite o avanço do fundamentalismo islâmico, que é uma ameaça importante à democracia europeia.

Assistimos pela Europa ao crescimento desses movimentos de partidos extremistas que ganham cada vez mais poder nas urnas, mas em Portugal, isso não tem sequer uma expressão.
AJM: É verdade, Portugal é uma excepção, não é uma questão de extrema-direita ou esquerda, quer um, quer outro, em termos tradicionais são forças muito conservadoras e não são inovadoras. Não há dúvida que por toda a Europa isto significa um afastamento do voto em relação ao que são os partidos tradicionais do poder, ou seja, o descontentamento é muito grande, os europeus não estão satisfeitos como sabe, não gostam do que se esta passar, acho compreensível também não gosto. A Europa esta a decair a um ritmo impressionante e como europeu eu não gosto disso, ainda hoje vi uma reportagem sobre Itália que vai votar o seu sistema financeiro e que esta tão mal ou pior do que português e o que se via ao entrevistarem italianos na rua é que as pessoas diziam que iam votar contra, mas porquê? Porque são contra este governo, contra este sistema, qualquer que seja o tema votam contra, as pessoas não estão contentes, sentem que alguma coisa fundamental das suas políticas centrais esta errada e não gostam do que se esta passar, como não sabem em quem confiar, porque todo o sistema político é corrupto, é uma auto-reprodução, é um sistema clientalista, porque alimenta as clientelas.

Os portugueses também tem essa mesma opinião sobre o Estado, que vivemos num sistema corrompido.
AJM: No entanto, Portugal é a excepção, porque se olharmos para a França, a Itália, a Espanha, ou mesmo para a Polónia, a Hungria e a Inglaterra, em todos esses países, isso acontece. É uma tradição portuguesa, sempre tivemos dificuldade em gerir a mudança de fundo, normalmente adiámos. Lembro-me de uma história que é atribuída à Marcelo Caetano, poucos dias antes do 25 de Abril, numa conversa que tem com Freitas do Amaral e que ele conta nas suas memórias em que diz o seguinte, eu sou o comandante do barco, vejo que esta a ir para as rochas, vai naufragar, mas eu não consigo dar à volta ao leme, tenho de continuar neste rumo mesmo sabendo que vai afundar, eu não consigo arranjar uma alternativa” e de facto o sistema de Caetano naufragou isso ele viu muito bem, mas isto é a tradição portuguesa, não muda nada e de repente muda tudo com um preço muito alto a pagar, porque a mudança repentina é caótica e tende a destruir coisas que não deve destruir.

Não será também uma questão cultural, por não sermos um povo dados a extremos?
AJM: Não sei se não somos dados a extremos, no pós-25 de Abril houve extremos, não sei se não nos dámos a isso, mas desde à sua fundação Portugal tem um grande grau de tolerância, de abertura maior e os portugueses, por regra, o que é bom ao meu ver, tem um grande sentido humantário e talvez mais forte do que eventualmente a maioria dos europeus. Depois há essa tendência da parte má da moeda, que é o como gerir mudanças de fundo? Normalmente, implica desestabilizar os interesses instalados, alterar as coisas não de uma forma meramente cosmética, nisso até somos especialista, mas repare as coisas mudam na mesma, só que de outra forma, o 25 de Abril foi disso um exemplo, se pudessemos ter trazido a democracia como transitaram os espanhóis sem revolução teria sido melhor.

Sim, mas tiveram uma guerra civil.
AJM: Isso foi umas décadas antes, mas a transição espanhola foi gerida sem revoluções e sem tanques na rua, a portuguesa foi o que se viu.
Focando outro aspecto da sua palestra, abordou o Atlântico, o facto do mar português ter sido durante séculos alvo de muita cobiça, neste momento, verifica-se o contrário, não é visto como um ponto estratégico favorável e chegou-se quase a vias de facto dos americanos sairem dos Açores.
AJM: Não tenho essa interpretação, as coisas e a sua importância mudam e reveste-se de novos aspectos. Eu digo sempre que uma das grandes riquezas potenciais nomeadamente de Portugal para o futuro, sobretudo, é a sua plataforma continental. É o grande campo de matérias-primas, dos produtos do mundo futuro e estão neste momento a emergir tecnológias que permitem isso em todos os campos, a plataforma continental cuja soberania passa pela Madeira e pelos Açores é absolutamente essencial. Também não parece que haja uma saída efectiva dos americanos nos Açores, vimos que há um conjunto de agentes que de repente se começa a interessar pelas ilhas e que antes não se interessavam, por exemplo, a China já fez viagens do mais alto nível aos Açores, à Madeira ainda não, houve um contacto muito recente com um representante número um da política chinesa e já disseram de uma forma muito clara que pretende investir nos Açores, mas não através da criação de bases. Embora, verificámos que os chineses criaram duas bases militares no Índico, foi com o entendimento dos EUA, não em choque e no Pasquitão uma base militar foi partilhada com a China, portanto, há aqui um avanço em termos marítimos. Os chineses estão interessados pela nossa plataforma atlântica por uma razão muito simples, porque esteve fechado para eles a rota do Norte durante séculos, pelo Ártico, neste momento esta aberta uma parte do ano e possivelmente a curto-prazo o ano inteiro, e isso encurtou o caminho da China para à Europa e isto muda tudo. Os navios, através da do Norte, tem acesso ao Atlântico e à zona dos Açores e da Madeira.

Mas, acha que ao nível político interessa haver essa aliança com a China, estando nós inseridos no espaço europeu?
AJM: Não se pode colocar a questão assim, é muito complexa, tem de ser colocado no conjunto, eu estava a usar o exemplo da China que é um dos outros poderes interessado e os americanos não desapareceram simplesmente, apenas gerem o espaço de acordo com as suas capacidades financeiras. Os EUA actualmente, tem muito do que era a política britânica, nós mesmo que não utilizemos temos de estar presentes para os outros não usarem, ou só usar com a sua autorização e os americanos vão tentar que sejam eles e não Portugal a fazer cedências à China no espaço atlântico português e espero é que os americanos não tenham sucesso.

E acha que os políticos portugueses ao contrário do passado, são mais visionários e estão preparados?
AJM: Obviamente que não, como diria o general Humberto Delgado.

terça, 20 dezembro 2016 14:39

Aguarelas

 

É o simples título de um conjunto de trabalhos, cerca de 50, de Eurico Santos, que oferece-nos a fluídez da própria forma e dos pigmentos que desenham as suas proto-histórias, alojadas no vestígio aquoso da técnica usada, a aguarela, como refere na sua apresentação Carlos Valente. Nesta primeira exposição individual, a Rita Rodrigues, docente de arte e investigadora da direcção regional da cultura e Emanuel Gaspar, coordenador da casa da cultura de Santa Cruz auxiliaram também a compôr um retrato do artista e da sua obra, já que devido a sua extrema timidez ele não quis fazer quaisquer comentários.

Muitas das aguarelas do Eurico Santos são versadas na natureza, há muitas árvores, acaba por ser um tema recorrente.
Rita Rodrigues: Neste núcleo de aguarelas do Eurico Santos verificámos que existe uma exploração de uma linguagem poética e de certa forma lírica, particularmente entre a relação da paisagem e a natureza, temos a observação de Carlos Valente que escreveu texto e ele faz essa referência, a árvore, o homem, a natureza, o humano, a vida e o tempo que é perfeitamente visível na exploração deste trabalho clássico do artista. Por outro lado, ele consegue explorar as capacidades técnicas e expressivas da aguarela, desde a sua transparência e opacidade com uma leveza e delicadeza muito grande, ocultando histórias que estão fragmentadas. Depois verificámos que o discurso narrativo intrisíco entre si é apenas uma exploração plástica da própria aguarela que depois vai contando em cada quadro, em cada prancha, uma história fácil de ser visualizada, embora haja o tal fio condutor entre o homem, a paisagem e a própria natureza. Nota-se ainda, que o Eurico Santos tem uma capacidade muito interessante de exploração da plasticidade e isso todo o conjunto revela, essa maturação, esse exercício que foi fazendo ao longo dos anos de uma experiência sobre a aguarela, no fundo há uma diálogo com a técnica e com a temática que vemos expressa nesta exposição.

Mas, porquê a escolha da aguarela?
RR: É uma opção pessoal do artista. Há muitos anos que trabalha esta técnica, desde desenhos extremamente pequenos até suportes mais amplos, portanto, existe uma exploração plástica da própria expressividade da aguarela. O Eurico Santos sempre gostou de dialogar de certa forma com esta técnica desde o ensino secundário, é um percurso que foi vagaroso, feito num ritmo, uma velocidade própria de trabalhar, com uma certa serenidade e calmia e isso nota-se nas obras. Tem uma essência do domínio técnico, mas uma certa lentidão do exercício do desenho e isso é o Eurico que conhecemos desde jovem até os dias hoje.

Porquê decidiste trazer este jovem artista até à casa da Cultura?
Emanuel Gaspar: Porque achava que tem uma obra interessante, é muito ligada ao seu mundo fantástico, ao panteísmo, mas também ao seu interior, que pode ser muito doloroso, ou até do dia-a-dia. O Eurico Santos é uma artista resguardado, que gosta muito do seu universo, vive muito dentro do seu casulo e foi muito difícil convence-lo expôr as suas obras, mas depois de insistir muitas vezes, até porque ele tem muitos desenhos, passado algum tempo acabou por aceder. Como temos uma relação de amizade eu ajudei-o a escolher as obras e só decidiu mostrá-las, porque me conhecia como pessoa e profissional.

Quando escolhestes as obras em conjunto com o artista o que tiveste em consideração para esta exposição?
EG: A técnica, os trabalhos mais bem executados nesse sentido e também obras que de alguma forma pudessem surpreender mais as pessoas, que pudesse impressionar, ou seduzir o observador.

E qual das aguarelas te emocionou mais?
EG: Aqueles que sempre me emocionam mais são os trabalhos muitos fortes, com um fundo de violência, deste mundo que não é fácil de viver. Depois, encantou-me o seu universo ligado ao panteísmo, ligado ao amor por uma pedra, ou o mar. Os trabalhos muito intimistas, ligados aos lugares de abandono, também me seduziram bastante.

A linha condutora foi também uma escolha inicial?
EG: Não há um fio condutor, apesar de ser escultor, decidiu trazer estes desenhos e ele tanto pinta uma pedra, como uma árvore, ou seu mundo interior. São no fundo momentos pelos quais vai passando, o seu dia-a-dia e o que ele sente naquele momento, não tem a ver com uma história, ou um percurso.

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